sábado, 28 de novembro de 2015

40 anos sem Vladimir Herzog

Há quarenta anos Vladimir Herzog era assassinado em 25 de outubro de 1975, no Doi- Codi, em São Paulo.

Vlado, como era carinhosamente chamado pelos amigos, colegas e camaradas, nasceu  em 27 de junho de 1937, Osijek, Croácia, no Reino da Yugoslávia, sendo de família judaica, sendo que ainda pequeno foi para a Itália, tendo de aprender rapidamente o italiano, pois seu pai era obrigado a se fingir de mudo, para não ser perseguido pelo regime fascista de Mussolini.

Vlado foi assassinado por perseguição direta do facínora ex-governador do Estado de São Paulo, José Maria Marin, hoje preso nos Estados Unidos.

Vlado ficou conhecido como jornalista, quando foi assassinado era responsável pelo Jornal da TV Cultura, em São Paulo, mas ele tinha outra paixão: o cinema. Vlado sempre quis ser cineasta. O filme Doramundo, do cineasta João Batista de Andrade, teve o roteiro original de Vladimir Herzog.

No dia  de novembro, o Sindicato dos Jornalista do Estado de São Paulo  (SJSP), em parceria com o Sindicato dos Arquitetos, prestaram uma homenagem ao jornalista e cineasta, exibindo o filme “30 Vlado, 30 anos depois”, do cineasta João Batista de Andrade, que esteve presente e fez um palestra sobre o seu documentário. Foi a retomada do Cineclube dos Sindicatos que possuem vários cineastas como associados.

O documentário exibiu os depoimentos de vítimas da repressão como Rodolfo Konder, Paulo Markum e sua esposa Dilea Frate, Rodolfo Konder, Pola Galé, Sérgio Gomes e Duque Estrada  e outros.

Na época, os agentes da repressão diziam: “O pessoal do hotel da rua Tutóia está esperando a turma da TV Viet Cultura.” O Doi-Codi ficava na rua Tutóia.”, conforme artigo da jornaista, Rose Nogueira, também vítima da repressão, no Jornal “Unidade”, de outubro/novembro de 2015, Órgão Oficial do Sindicato dos Jornalistas Profissionais. no Estado de São Paulo.

Leandro Konder, em seu depoimento, mencionou que embora o Partido Comunista tivesse uma política reformista, não tendo participado da luta armada, sofreu feroz repressão. 

Realmente, o PC teve 12 dos 13 membros do seu Comitê Central assassinados.

Um dos diretores do Sindicato dos Arquitetos presente, falou que seu pai havia sido membro do PC, bem como lembrou que o velório de Carlos Marighella foi feito na sede do Sindicato, desafiando a repressão da época. Inclusive, a próxima atividade do Cineclube do Sindicato dos Arquitetos com o Sindicato dos Jornalistas será a exibição de um documentário exatamente sobre Carlos Marighella, no próximo dia dia 8 de dezembro.

Por falar e homenagear o grande baiano, Carlos Mariguella, aproveitamos a oportunidade para homenagear também ao Colégio Central da Bahia, em Salvador. Embora meu pai não tenha sido militante, ele foi simpatizante do PC da Bahia, liderado por Carlos Garcia. Estudou como Marighella no Colégio da Bahia, hoje Colégio Central da Bahia, não tendo sido contemporâneo do mesmo, mas de Jacob Gorender. O Colégio da Bahia formou vários quadros do PC. Além disso, artistas e cientistas como o cineasta Glauber Rocha, o pintor Calasans Neto  e o cientista e médico ginecologista Elsimar Coutinho. O Colégio da Bahia era tão bom, que, na prática, formava seus alunos em filosofia, história e sociologia. Ensino público, gratuito, laico e de qualidade.
João Neto

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