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Contra a exploração: reduzir jornada e revogar reformas de Temer e Bolsonaro já

A discussão sobre o fim da escala 6x1 surge como resposta concreta ao desgaste cotidiano da classe trabalhadora. Trata-se de um tema legítimo, que toca diretamente a reprodução da vida, o tempo livre e a dignidade. Reduzir a jornada é enfrentar a lógica de extração intensiva de mais-valia que ainda marca o capitalismo periférico brasileiro.

Mas limitar o debate à jornada pode deslocar o foco da estrutura. As reformas trabalhista (Temer) e previdenciária (Bolsonaro) reorganizaram a correlação de forças entre capital e trabalho, ampliando a exploração e fragilizando a proteção social. A flexibilização vendida como modernização operou, na prática, como mecanismo de rebaixamento das condições de vida.

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A ideia de que retirar direitos geraria empregos não se sustentou na realidade. O que se viu foi a expansão de vínculos precários, a informalidade persistente e a estagnação da renda. Sem dinamismo econômico, não há contratação. Marx já apontava que o capital não contrata por benevolência, mas por necessidade operacional.

A previdência reformada endureceu o acesso à aposentadoria, transferindo o peso do ajuste para quem vive do trabalho. Esse movimento revela que o Estado burguês não é um mediador neutro, mas instrumento do capitalismo para intensificar a acumulação de capital e a exploração da classe trabalhadora. Lenin lembrava que as conquistas sociais são fruto de disputa, não concessão espontânea.

Colocar lado a lado a redução da jornada e a revisão das reformas não é incoerente. É, na verdade, uma síntese necessária. Melhorar o presente e reverter perdas estruturais exige organização e clareza política. Sem enfrentar a base das reformas, o risco é aliviar sintomas enquanto a engrenagem da exploração segue intacta.

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