Neste 8 de Março, lembrar mulheres marxistas é mais do que prestar tributo. É
recuperar trajetórias de quem colocou a própria vida a serviço de
transformações profundas. Elas não apenas interpretaram o mundo. Organizaram
greves, escreveram análises decisivas e enfrentaram repressões para construir
caminhos concretos de emancipação para trabalhadoras e trabalhadores.
Rosa Luxemburgo defendeu que a democracia só floresce com participação popular
real. No livro Reforma ou Revolução, de 1899, argumenta que mudanças
estruturais não nascem de concessões graduais. Já Clara Zetkin reuniu artigos e
discursos sobre a questão feminina. Em textos como o artigo político “A questão
feminina e a luta contra o reformismo”, vinculou a emancipação das mulheres à
luta de classes.
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Na Rússia, Alexandra Kollontai levou o debate à vida cotidiana. Em “A nova
mulher e a moral sexual”, ensaio de 1921, propôs repensar amor, maternidade e
autonomia econômica. Para ela, a revolução precisava transformar também as
relações afetivas e familiares, ampliando a liberdade feminina para além da
esfera produtiva.
No Brasil, Heleieth Saffioti demonstrou, no livro “A mulher na sociedade de
classes”, de 1969, que patriarcado e capitalismo caminham juntos. Lélia
Gonzalez formulou bases do feminismo negro no artigo “Por um feminismo
afro-latino-americano”, de 1988, depois reunido em coletâneas, afirmando
identidade e perspectiva latino-americana.
Angela Davis articulou gênero, classe e raça no livro “Mulheres, Raça e
Classe”, de 1981. Silvia Federici revelou, em “Calibã e a Bruxa”, de 2004, a
centralidade do trabalho doméstico na formação do capitalismo e na acumulação
histórica de riquezas.
Nadezhda Krupskaya escreveu ensaios pedagógicos reunidos em coletâneas sobre
educação socialista. No artigo “A educação pública e a democracia”, defendeu
que a escola pública deve formar cidadãs e cidadãos conscientes, preparados
para participar da vida coletiva e contribuir para a transformação social.
Evelyn Reed e Maria Mies também denunciaram as raízes históricas e globais da
opressão feminina em livros que se tornaram referência internacional, como
“Woman’s Evolution” (1975), de Evelyn Reed, e “Patriarchy and Accumulation on a
World Scale” (1986), de Maria Mies.

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