13 de outubro de 2018

Saiu a segunda edição do jornal Revolução Permanente, publicação da TML

No dia 10 de outubro foi publicado o Jornal da TML, formato 23 X 38 cm, com tiragem de 6.000 exemplares, com a manchete de ABAIXO O FASCISMO E FORA GOLPISTAS e AGORA É HADDAD E MANU! LULA LIVRE!

O Editorial do Jornal aborda a questão da luta pela Internacional, sendo que os demais artigos abordam: o apoio crítico da TML à coligação de do PT/PCdoB, a necessidade de trabalho nos sindicatos, um artigo sobre o incêndio no Museu Nacional, um artigo teórico contra as frentes de colaboração de classes com a burguesia, outro internacional sobre a condenação do militante trotskista turco Kadir Çinar por “delito” de opinião e outro sobre “A crise argentina atinge a Volks em São Bernardo do Campo”.

Os exemplares podem ser adquiridos junto aos militantes da TML ou solicitados tml.revolucaopermanente@gmail.com para serem entregues pelo correio.

30 de setembro de 2018

Crise argentina atinge a Volks em S. Bernardo

© foto: Adonis Guerra/ SMABC

A Volkswagen de São Bernardo do Campo dará férias coletivas a 1.800 operários metalúrgicos, a partir do dia 8 de outubro de 2018, por 30 dias, alegando “adequação da produção por conta da redução de exportações para a Argentina, principal parceira comercial da região, que passa por crise econômica e desvalorização da moeda local.” (Diário do Grande ABC, 29/09/2018).

Essa notícia foi objeto do Editorial do jornal e da página de Economia.

O Editorial assinalou que:

“Em momento tão delicado como o que atravessa a economia brasileira, com elevado número de desempregados, esse é o tipo de notícia que gera preocupação imediata. Não apenas aos trabalhadores da Volks, mas à região como um todo e ao País.

É inegável pensar que se não houver reação imediata, os 30 dias iniciais das férias coletivas podem ser ampliados e, em caso extremo, resultar em cortes. Sem contar a possibilidade de que se espalhe para outras multinacionais, que, assim como a Volks, vendem seus produtos para a Argentina.

As perspectivas para o país vizinho, entretanto, não são das melhores. Nesta semana foi paralisado por greve geral, motivada pela desvalorização da moeda, pelo desemprego e a elevação da pobreza.

No mundo globalizado, não há fronteiras nem para a crise.”

Ainda, segundo o referido jornal, “O contingente que sai de folga representa cerca de 20% do total de trabalhadores da fábrica da Anchieta, que atualmente é de 9.163 profissionais. Em agosto, a montadora deixou 1.000 em casa por 30 dias.” (Idem).

“Por conta dos problemas no país vizinho, que consumiu  47,08% (US$ 1,05 bilhão) do total exportado pelo setor automotivo da região neste ano, as demais empresas também sentiram queda nas exportações, conforme reportagem publicada pelo  Diário no dia 22.

Questionadas, Mercedes, Ford e Toyota afirmaram que, por enquanto, não possuem previsão da utilização das férias  coletivas. GM também não.” (Idem)

“Ainda no ano passado, 1.337 funcionários aderiram ao PDV (Programa de Demissão Voluntária) em 2016.” (Idem)

A crise econômica da Argentina é o resultado da política do Presidente Maurício Macri, agente do imperialismo, da burguesia e da política de conciliação e colaboração de classes das direções dos partidos operários e das centrais sindicais, que praticamente levaram ao desmonte da economia e à recolonização do país.

De certa forma, é a mesma política que está sendo aplicada pelos golpistas liderados por Michel Temer, no Brasil. É uma política de gigantesco ataque às conquistas da classe trabalhadora.

É preciso estarmos alerta, pois a Volks, mesmo tendo um crescimento de “33% nas vendas nacionais e, do setor automotivo, 14%, em relação ao ano passado” (Idem) não titubeará em jogar os prejuízos nas costas do trabalhadores.

Assim, tendo em vista essa notícia, é fundamental que os companheiros metalúrgicos de todas as fábricas do ABC exijam da diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC a convocação imediata de uma Assembleia Geral da categoria para discutir um plano de lutas e para nos preparar contra possíveis ataques às nossas conquistas.

24 de setembro de 2018

Tendência Marxista-Leninista apoia a coligação do PT-PCdoB

A TML decidiu apoiar criticamente a coligação PT-PCdoB, com Fernando Haddad, presidente, e Manuela D´Ávila, vice, à presidência da República. A curtíssima eleição presidencial do regime golpista nem bem começou e já está marcada pela fraude e pela violência, as quais tendem a se agravar e bater o recorde das eleições municipais de 2016, onde ocorreram 45 atentados e 26 mortes.

No Rio de Janeiro, que com a intervenção militar somente aumentou a violência, no dia 28 de julho, no Festival Lula Livre, nos Arcos da Lapa, militantes do Partido da Causa Operária (PCO) foram agredidos por “fiscais” do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), verdadeiro bando fascista, organizados pelos golpistas do judiciário, os quais arrancaram as bandeiras do PCO, partido com o qual a TML manifesta total e incondicional apoio contra a violência perpetrada pelo bando fascista do TRE carioca. Na quinta-feira, dia 6 de setembro, o candidato fascista à presidência da República, Jair Bolsonaro, foi esfaqueado, na cidade de Juiz de Fora.

Os marxistas revolucionários são contra o terrorismo e ações individuais “exemplares”, porque somente acreditam na ação direta das massas, como nos ensinou Karl Marx: “A emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores.” Mas, por outro lado, combatem o fascismo, por que este é um instrumento do capital financeiro (basta observar que o avanço da candidatura do fascista faz a Bolsa subir e o dólar cair, pois o o “mercado” aposta na superexploracão e opressão dos trabalhadores), bem  como advertem que os fascistas costumam assumir o poder de forma pacífica, como demonstram vários exemplos históricos. Isso aconteceu com Adolf Hiltler na Alemanha, em 1933, quando foi nomeado chanceler, primeiro ministro, pelo presidente alemão Paul von Hindenburg, sendo que depois Hitler provocou incêndio no Reichstag (Parlamento alemão). Outro caso bem próximo, ocorreu no Chile, em 1973, quando o general fascista Augusto Pinochet foi nomeado comandante do Exército por Salvador Allende. Ou seja, eles vão assumindo “pacificamente”, como quem não quer nada, e depois passam a promover a barbárie, como a História tem demonstrado.

A principal violência das eleições é o impedimento pelos golpistas da candidatura de Lula do Partido dos Trabalhadores (PT), que liderava em todas as pesquisas, preso político, vítima da farsa da Lava Jato, operação concebida pelo Departamento de Estado, pela CIA, e executada pela embaixadora golpista profissional dos Estados Unidos que ronda os países sul-americanos, juntamente com o judiciário e o Supremo e tudo (Câmara dos Deputados e Senado Federal). A burguesia tenta por meio das eleições uma saída para a crise econômica e política do regime golpista. 

Reproduzimos mais uma vez o panorama da crise econômica nos dá Paulo Feldmann em seu artigo na Folha de S. Paulo de 18/8/2018, intitulado “A tributação de dividendos pode contribuir para reduzir o déficit público”, onde afirma que “Aqui, o grupo mais rico constituído por 2 milhões de pessoas – ou seja, 1% da população – recebe 28% de toda a renda do país.” E “neste ano, os números do governo devem fechar, se formos otimistas, com um déficit de R$ 150 bilhões.”  Concluindo: “Esta semana o IBGE divulgou que existem 27,6 milhões de brasileiros que não encontram trabalho.”

Novamente completamos o quadro acima com os dados fornecidos pelo preocupado analista burguês Bruno Madruga em seu artigo no Diário do Grande ABC, também de 18/8/2018, no qual diz que:

“Esse cenário culminou em queda de -4,76% no Ibovespa até o último pregão de junho, eliminando o crescimento dos primeiros meses do ano. No Exterior, três grandes fatores foram os responsáveis por esse declínio: o aumento da taxa de juros norte-americana; a tensão comercial entre Estados Unidos e China; e o enfraquecimento da economia chinesa. Isso trouxe uma percepção de maior risco para os mercados emergentes e impactou negativamente o mercado brasileiro.

Já no campo doméstico, dados de atividade econômica mais fracos, que desapontaram os investidores, e a recente greve dos caminhoneiros trouxeram incerteza ainda maior. Assim, a expectativa de um PIB (Produto Interno Bruto) de 3% de alta neste ano, caiu para 1,5%.  No cenário político, a incerteza é ainda maior, visto que as candidaturas que estão à frente das pesquisas se mostram menos comprometidas com as reformas necessárias ao Brasil. Esses fatores ocasionaram queda de 20% na Bolsa de Valores desde meados de maio até o fim de junho. A incerteza também afetou os fundos multimercados, os fundos imobiliários e até mesmo títulos de renda fixa de maior prazo, pois vimos as taxas de juros longas, com vencimentos em 2023 e 2025, subirem forte no momento de estresse, assim como o dólar, que chegou a atingir patamares próximos a R$ 4.

Para o próximo semestre, a percepção de risco não deve diminuir.  (...) Desta forma, o mercado deve continuar volátil e desafiador neste semestre. Trabalhamos com a taxa Selic em 6,5% ao ano até o fim de 2018, e cenário do Ibovespa na casa de 90 mil pontos (...).”

O Brasil chegou a essa enorme crise econômica a partir de 2013, com a chegada de forma retardatária da crise econômica no coração do imperialismo americano com a quebra do Banco Lehman Brothers e o estouro da bolha imobiliária, em 2008.

A partir daí a burguesia nacional e o imperialismo não mais admitiram a política minimamente reformista do PT (Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Fies, etc), que se apoiava no “boom” das "commodities" (petróleo, minério de ferro, soja, carne, etc.) e impulsionaram o golpe de Estado para a derrubada do poder da presidenta do PT, Dilma Rousseff.

Assim, a crise econômica potencializou e potencializa a crise política do regime golpista. Lula liderava a corrida eleitoral, sendo que as candidaturas burguesas não decolaram, principalmente a de Geraldo Alckmin, o candidato ungido pelo imperialismo e a burguesia brasileira, com o acordo com o denominado Centrão.

Por outro lado, o PT manteve a candidatura de Lula no limite (embora tenha sido forçado a substitui-lo por Fernando Haddad), o que foi mais um fator a desestabilizar o regime golpista.

O regime golpista se apoia no Poder Judiciário que tem sido a ponta de lança do golpe até aqui, inclusive impede a candidatura mais popular, a de Lula, com a prisão política deste, produto da farsa judicial denominada Operação Lava Jato, concebida pela CIA.  Por outro, apoia-se nos militares, os quais vêm gradativamente assumindo postos importantes, ministérios, e aumentando a violência do regime golpista, como demonstra a intervenção no Rio de Janeiro e a escalada do encarceramento e o genocídio em massa da população pobre e negra das periferias das cidades, a matança de camponeses pobres e índios,  e as prisões políticas de lutadores do movimento popular.

Recentemente recebemos a notícia de que a Comissão de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) recomendou ao governo golpista brasileiro que garantisse a participação de Lula nas eleições presidenciais. Em primeiro lugar, a TML enfatiza que a ONU não passa de um covil de bandidos, como disse Lênin de sua antecessora, a Sociedade das Nações. Quem duvida, ou acha que isso é um exagero, é só lembrar que a ONU é formada e dirigida pelos Estados imperialistas, tendo à frente os Estados Unidos, a Inglaterra, a França, a Alemanha, Rússia, China e Japão, além do que em 1948 criou o Estado sionista e terrorista de Israel, o qual ocupa a Palestina e cotidianamente massacra seu povo. Em segundo lugar, tal recomendação demonstra a preocupação, a insegurança e a divisão do imperialismo com relação à situação da conjuntura brasileira que tende a fugir do controle, com a entrada em cena e o protagonismo da classe operária e do movimento de massas, ao mesmo tempo que escancara o tamanho da fraude eleitoral.

Anteriormente a esta proposta, o nosso camarada Leonardo Silva, manifestou, inclusive em artigo em nosso Blog, que eleição sem Lula é fraude (“Haddad é um bife passado na chapa para os Golpistas”, Blog da TML, 28/08/2018).

Além disso, em 11/09/2018, um camarada sul-americano,  manifestou uma posição contrária à nossa, conforme segue:

“Estou lendo na Web dos camaradas brasileiros da TML e a situação política no Brasil, mas além das vias que os camaradas propõe para organizar a classe na sua ruptura com os aparatos da CUT e do PT e para frear a ofensiva reacionária, há um fato ausente na situação, a possibilidade de milhões ante a proibição de Lula como candidato votem em branco ou anulem o voto.

E outro fato ausente é a possibilidade que o aparato central do PT com o mesmo Lula, apresentem um candidato “alternativo” para implicar a milhões sustentação do regime, legitimando assim as eleições de outubro.

Não vejo outra consigna central para esta situação mais que convocar a votar em branco ou anular o voto, rechaçando as eleições fraudulentas e antidemocráticas que se preparam.”

A Coordenação da TML respeita as posições acima mencionadas, mas diverge das mesmas.

Por outro lado, a TML pondera fraternalmente com o Partido da Causa Operária (PCO), o qual disse que eventual governo de Jair Bolsonaro, o candidato fascista brasileiro, seria fraco. Será que os camaradas não estão cometendo o mesmo erro do Partido Comunista alemão, em 1933, quando dizia que "a vitória de Hitler era apenas um passo em direção à vitória de Thaelmann [principal dirigente comunista]." ? "Thaelmann está nas prisões de Hitler há mais de cinco anos.", a citação é do Programa de Transição, de Leon Trotsky, 3 de setembro de 1938. Isso não quer dizer que sejamos favoráveis a uma frente com Geraldo Alckmin e Ciro Gomes, mas sim somos favoráveis a uma frente dos partidos operários, como PT/PCdoB/PCB/PSOL/PSTU/PCO, ou seja, uma frente operária, camponesa e estudantil, que nesta eleição pode apoiar a coligação PT/PCdoB, de Fernando Haddad e Manuela D´Ávila, exigindo a saída do inexpressivo e burguês PROS (a sombra da burguesia). Essa frente operária deve ser não apenas eleitoral, mas sobretudo com o objetivo de impulsionar a ação direta das massas contra o fascismo.

Os marxistas revolucionários não semeamos ilusões em pleitos burgueses, ao contrário denunciamos seu caráter antidemocrático, fraudulento e violento, ao mesmo tempo que aproveitamos para propagandear o nosso programa operário, marxista e revolucionário, por meio de candidaturas operárias e socialistas revolucionárias, buscando elevar o nível de conscientização da classe operária para torná-la de classe em si em classe para si, porque sabemos que somente a ação direta e revolucionária das massas, através da revolução proletária poderá destruir o Estado burguês e suas instituições reacionárias que exploram o povo, rumo a um nova sociedade sem exploração do homem pelo homem, uma sociedade de associação de trabalhadores, uma sociedade socialista.

Nestas eleições, fraudulentas e antidemocráticas como todas as eleições no Estado burguês, pois a democracia burguesa mais avançada não passa da ditadura do capital, entendemos que, embora o PT e o PCdoB tenham programa limitado, pequeno-burguês democratizante e reformista, isto é, de democratização e reformas do Estado burguês (não somos contra as reformas, mas elas não resolvem a questão da emancipação da classe trabalhadora  não rompendo os marcos do capitalismo, porque este não tem como ser reformado; o capitalismo é crise em cima de crise, é a perda total, somente comportando um novo sistema, o socialismo),  votar na coligação PT-PCdoB significa apoiar a luta contra o golpe de Estado que segue em andamento e ajudar as massas a realizarem uma importante e completa experiência (não podemos levar apenas em consideração o nível de conscientização da vanguarda operária e revolucionária) no sentido de superar essa direção democratizante e reformista, que desenvolve um política de conciliação e colaboração de classes, apontando o caminho para a formação de um partido operário e revolucionário e para a ação direta das massas no sentido da revolução proletária e socialista.

A TML defende, ainda, a saída do inexpressivo partido burguês PROS da coligação, assim como de um eventual governo.

Nessa perspectiva, a TML defende o voto na coligação do PT-PCdoB, encabeçada por Haddad e Manuela, e em candidatos operários e socialistas revolucionários, acompanhado de um programa de transição para a revolução socialista, pela realização de um Congresso da classe trabalhadora, em São Paulo, com delegados de base eleitos nos Estados da Federação brasileira, para a discussão de um programa de lutas pela liberdade imediata de todos os presos políticos, como Lula, João Vaccari e Delúbio Soares; pela escala móvel de salario, com reajustes e aumentos de acordo com os índices do DIEESE; redução da jornada de trabalho para 35 horas, sem redução de salários; contra o congelamento dos gastos públicos por 20 anos (resultado da aprovação da PEC do fim do mundo); anulação da “Reforma Trabalhista”; contra a “Reforma da Previdência”, contra o fim da aposentadoria e dos direitos previdenciários; Fundo Desemprego, com os trabalhadores empregados doando 0,5% do salário mensal; ampliação dos comitês de luta contra o golpe; formação de comitês de autodefesa, isto é, de milícias operárias e populares a partir dos sindicatos;  expropriação dos meios de produção: fábricas, bancos; universidades e escolas para implantação do ensino público e gratuito; reforma e revolução agrária,  expropriação dos latifúndios; expulsão do imperialismo;  monopólio do comércio exterior e economia planificada, instaurando um governo revolucionário operário e camponês, rumo ao socialismo.

Coordenação da TML

8 de setembro de 2018

Eleições presidenciais no Brasil: fraude e violência

© foto: Francisco Aragão

A curtíssima eleição presidencial do regime golpista nem bem começou e já está marcada pela fraude e pela violência, as quais tendem a se agravar e bater o recorde das eleições municipais de 2016, onde ocorreram 45 atentados e 26 mortes.

No Rio de Janeiro, que com a intervenção militar somente aumentou a violência, sendo que no dia 28 de julho, no Festival Lula Livre, nos Arcos da Lapa, militantes do Partido da Causa Operária (PCO) foram agredidos por “fiscais” do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), verdadeiro bando fascista, organizados pelos golpistas do judiciário, os quais arrancaram as bandeiras do PCO, partido com o qual a TML manifesta total e incondicional apoio e solidariedade contra a violência perpetrada pelo TRE carioca.

Na quinta-feira, dia 6 de setembro, o candidato fascista à presidência da República, Jair Bolsonaro, foi esfaqueado, na cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais.

Os marxistas revolucionários são contra o terrorismo e ações individuais “exemplares”, porque somente acreditam na ação direta das massas, como nos ensinou Karl Marx: “A emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores.” Mas, por outro lado, combatem o fascismo porque este é um instrumento do capital financeiro, bem  como advertem que os fascistas costumam assumir o poder de forma pacífica, como demonstram vários exemplos históricos. Isso aconteceu com Adolf Hiltler na Alemanha, em 1933, quando foi nomeado chanceler, primeiro-ministro, pelo presidente alemão Paul von Hindenburg, sendo que depois Hitler provocou incêndio no Reichstag (Parlamento alemão). Outro caso bem próximo a nós brasileiros, ocorreu no Chile, em 1973, quando o general fascista Augusto Pinochet foi nomeado comandante do Exército por Salvador Allende. Ou seja, eles vão assumindo "pacificamente", como quem não quer nada, e depois passam a promover a barbárie, como a História tem demonstrado.

Outra violência bastante significativa é o impedimento pelos golpistas da candidatura de Lula do Partido dos Trabalhadores (PT), líder em todas as pesquisas, preso político, vítima da farsa da Lava Jato, operação concebida pelo Departamento de Estado, pela CIA, e executada pela embaixadora golpista profissional dos Estados Unidos que ronda os países latino-americanos, juntamente com o judiciário e o Supremo e tudo (Câmara dos Deputados e Senado Federal, o Congresso Nacional).

A burguesia tenta por meio das eleições uma saída para a crise econômica e política do regime golpista. 

Um panorama da crise econômica nos dá Paulo Feldmann em seu artigo na Folha de S. Paulo de 18/8/2018, intitulado “A tributação de dividendos pode contribuir para reduzir o déficit público”, onde afirma que “Aqui, o grupo mais rico constituído por 2 milhões de pessoas – ou seja, 1% da população – recebe 28% de toda a renda do país.” E “neste ano, os números do governo devem fechar, se formos otimistas, com um déficit de R$ 150 bilhões.”  Concluindo: “Esta semana o IBGE divulgou que existem 27,6 milhões de brasileiros que não encontram trabalho.”

Tal quadro pode ser completado com os dados fornecidos pelo preocupado analista burguês Bruno Madruga em seu artigo no Diário do Grande ABC, também de 18/8/2018, no qual diz que:

“Esse cenário culminou em queda de -4,76% no Ibovespa até o último pregão de junho, eliminando o crescimento dos primeiros meses do ano. No Exterior, três grandes fatores foram os responsáveis por esse declínio: o aumento da taxa de juros norte-americana; a tensão comercial entre Estados Unidos e China; e o enfraquecimento da economia chinesa. Isso trouxe uma percepção de maior risco para os mercados emergentes e impactou negativamente o mercado brasileiro.

Já no campo doméstico, dados de atividade econômica mais fracos, que desapontaram os investidores, e a recente greve dos caminhoneiros trouxeram incerteza ainda maior. Assim, a expectativa de um PIB (Produto Interno Bruto) de 3% de alta neste ano, caiu para 1,5%.  No cenário político, a incerteza é ainda maior, visto que as candidaturas que estão à frente das pesquisas se mostram menos comprometidas com as reformas necessárias ao Brasil. Esses fatores ocasionaram queda de 20% na Bolsa de Valores desde meados de maio até o fim de junho. A incerteza também afetou os fundos multimercados, os fundos imobiliários e até mesmo títulos de renda fixa de maior prazo, pois vimos as taxas de juros longas, com vencimentos em 2023 e 2025, subirem forte no momento de estresse, assim como o dólar, que chegou a atingir patamares próximos a R$ 4.

Para o próximo semestre, a percepção de risco não deve diminuir.  (...) Desta forma, o mercado deve continuar volátil e desafiador neste semestre. Trabalhamos com a taxa Selic em 6,5% ao ano até o fim de 2018, e cenário do Ibovespa na casa de 90 mil pontos (...).”

A crise econômica potencializa a crise política do regime golpista. Lula lidera a corrida eleitoral, sendo que as candidaturas burguesas não decolam, principalmente a de Geraldo Alckmin, o candidato ungido pelo imperialismo e a burguesia brasileira, com o acordo com o denominado Centrão.

Por outro lado, o PT mantém a candidatura de Lula, o que é mais um fator de desestabilização do regime golpista.

O regime golpista se apoia no Poder Judiciário que tem sido a ponta-de-lança do golpe até aqui, inclusive impede a candidatura mais popular, a de Lula, com a prisão política deste, produto da farsa judicial denominada Operação Lava Jato, concebida pela CIA.  Por outro, apoia-se nos militares, os quais vem gradativamente assumindo postos importantes, ministérios, e aumentando a violência do regime golpista, como demonstra a intervenção no Rio de Janeiro e a escalada do encarceramento em massa da população pobre e negra das periferias das cidades e as prisões políticas de lutadores do movimento popular.

Recentemente recebemos a notícia de que a Comissão de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) recomendou ao governo golpista brasileiro que garantisse a participação de Lula nas eleições presidenciais. Em primeiro lugar, a TML enfatiza que a ONU não passa de um covil de bandidos, como disse Lênin de sua antecessora, a Sociedade das Nações. Quem duvida, ou acha que isso é um exagero, é só lembrar que a ONU é formada e dirigida pelos Estados imperialistas, tendo à frente os Estados Unidos, a Inglaterra, a França, a Alemanha, a Rússia, a China e o Japão, além do que, em 1948, criou o Estado sionista e terrorista de Israel,  o qual ocupa a Palestina e cotidianamente massacra seu povo. Em segundo lugar, tal recomendação demonstra a preocupação, a insegurança e a divisão do imperialismo com relação à situação da conjuntura brasileira que tende a fugir do controle, com a entrada em cena e o protagonismo da classe operária e do movimento de massas, ao mesmo tempo que escancara o tamanho da fraude eleitoral.

Os marxistas revolucionários não semeiam ilusões em pleitos burgueses, ao contrário denunciam seu caráter antidemocrático, fraudulento e violento, ao mesmo tempo que aproveitam para propagandear seu programa operário, marxista e revolucionário, por meio de candidaturas operárias e socialistas revolucionárias, porque sabem que somente a ação direta e revolucionária das massas, através da revolução proletária poderá destruir o Estado burguês e suas instituições reacionárias que exploram o povo.

Nessa perspectiva, a TML defende a realização de um Congresso da classe trabalhadora, em São Paulo, com delegados de base eleitos nos Estados da Federação brasileira, para a discussão de um programa de lutas pela liberdade imediata de todos os presos políticos, como Lula, João Vaccari e Delúbio Soares; formar comitês de autodefesa, milícias operárias e populares a partir dos sindicatos e ampliar os comitês de luta contra o golpe; defesa das bandeiras da escala móvel de salário, com reajustes e aumentos de acordo com os índices do DIEESE; redução da jornada de trabalho para 35 horas, sem redução de salários; contra o congelamento dos gastos públicos por 20 anos (resultado da aprovação da PEC do fim do mundo); anulação da “Reforma Trabalhista”; contra a “Reforma da Previdência”, contra o fim da aposentadoria e dos direitos previdenciários; Fundo Desemprego, com os trabalhadores empregados doando 0,5% do salário mensal; Fora Temer! Abaixo o Golpe!; expropriação dos meios de produção: fábricas,  empresas, bancos para o controle operário, direção e livre associação dos trabalhadores; universidades e escolas para implantação do ensino público e gratuito com direção da comunidade universitária (professores, estudantes e funcionários); reforma e revolução agrária,  expropriação dos latifúndios, terra para quem trabalha; expulsão do imperialismo; monopólio do comércio exterior e economia planificada, instaurando um governo revolucionário operário e camponês, rumo ao socialismo e da construção da Internacional Operária e Revolucionária.

4 de setembro de 2018

Atear fogo no Golpe antes que ele queime nossa história!

* por Leonardo Silva

Hoje, dia 03/09 de 2018 é um dia fatídico para a história nacional, e um dia que podemos dizer que fomos duramente atacados pelo imperialismo e pelo regime golpista de conjunto. O Incêndio no Museu Nacional, a nossa mais antiga instituição científica, foi mais um atentado criminoso e de lesa-pátria que não poderá ficar impune diante da luta por justiça popular, bem como todo o repertório de ataques dos golpistas até este momento. A burguesia pró-imperialista, decadente e sedenta do sangue do povo, nunca deu e nunca dará a mínima importância para o patrimônio histórico, natural e cultural de nosso país.

Soma-se este último acontecimento a decisão ilegal e conspirativa do TSE para impedir Lula de ser candidato, usando descaradamente como papel higiênico a liminar da ONU que determina que sejam respeitados os direitos políticos do ex-presidente. Diante disso tudo tem que ficar claro,  de vez por todas, que o regime não comporta nenhum tipo de acordo, e que a defesa de Lula e a luta pela sua liberdade é um fator inarredável para a derrota da ditadura jurídica que se instaurou em nosso país. 

Nada de plano B, nada de legitimar farsa eleitoral, nada de ter ilusão no processo eleitoral controlado pela direita golpista como se fosse a volta de uma "normalidade democrática" que o golpe descortinou expondo ser não mais que aparências.

A luta pela Liberdade do companheiro Lula, e a persistência de sua candidatura até a última trincheira, é a chama de onde se alastra verdadeira rebelião popular, organizada e compacta, para derrubar o regime golpista que dia a dia deteriora as condições de vida do país e de onde sairá a luta contra o imperialismo. Ou ateamos fogo ao regime golpista, ou ele queimará toda a nossa historia!

28 de agosto de 2018

Haddad é um bife passado na chapa para os Golpistas

*por  Leonardo Silva

A TML publica abaixo a apresentação e a contribuição do camarada recém-ingresso nas nossas fileiras, o professor  Leonardo Silva, de Goiânia, Goiás, o qual passa a ser nosso colunista.

Sou professor da rede pública de ensino médio e fundamental. Venho das fileiras operárias da periferia de Goiânia, Goiás, onde nasci e cresci. Militante petista há 15 anos, atuei no movimento estudantil de ocupação das universidades, na UFG (Universidade Federal de Goiás) após o golpe de estado de 2016 e me filiei ao Partido dos Trabalhadores pela corrente O Trabalho. Rompi com a corrente após divergências com relação à aliança de luta do PT com o Partido da Causa Operária PCO, partido oriundo da antiga corrente trotskista expulsa do PT em 1990. Entro para as fileiras da TML, Tendência Marxista-leninista, após a Conferência Nacional de Luta contra o Golpe ocorrida em Júlio de 2018, para colaborar com os companheiros que lutam para derrotar o golpe de estado imperialista imposto no Brasil e na América Latina.  


A ilusão no processo eleitoral e a pressão pelo plano B por parte de vários setores da esquerda aumenta à medida em que Lula, que se manteve irresoluto na sua posição como candidato do PT, representando um problema para o Golpe e para a burguesia de modo geral.  

Mal se apontou como candidato a vice, Fernando Haddad PT-SP se encontra debaixo de campanha de desmoralização da imprensa golpista, e que se soma agora ao questionamento do MPF à suas visitas a Lula como seu advogado porta-voz de campanha. Isso só vem a reforçar a nossa tese de que a eleição não pode de forma alguma ser legitimada sem a participação do candidato mais popular do país.  A alegação de que Lula transferiria todos os seus votos para Haddad não é factível à medida em que a direita controla todo o processo eleitoral, desde as comunicações, o financiamento e à própria rede de relações íntimas com a raiz do golpe, o imperialismo.   Supor que Haddad, cuja a base é a classe média, sendo indicado por Lula ganhe um processo eleitoral totalmente fraudado e anti-democrático é acreditar por exemplo que Lula perdeu para Collor em 89 por seus próprios deméritos e não por uma intensa campanha manipulatória e terrorista da direita capitaneada pela Rede Globo. 

A Mensagem ao Partido, que dirige a campanha pela capitulação através do "Plano B", só não explica à militância os motivos pelos quais a destruição de reputações, devastação moral e proscrição promovida pela direita contra os principais dirigentes do PT, neutralizaram os aspirantes a serem os continuadores dos governos petistas, e não responde como com Haddad poderia ser diferente. Lula debaixo de fogo cruzado há anos só aumenta sua popularidade, por ser o fenômeno que agrupa em torno de si as massas e a oposição à devastação neoliberal da economia nacional, as condições de vida dos trabalhadores e expressa a luta de classes no país desde o fim da ditadura militar. Haddad, perto do poder popular real que representa Lula, é um bife passado na chapa pronto para ser engolido, enquanto Lula está entalado na garganta da burguesia. Portanto não vamos aceitar a pressão para o plano B, que é claramente um acordo de capitulação ante ao golpe, e colaboração para  que eles legitimem nas urnas, num processo totalmente fraudulento, o Golpe de Estado de 2016.

11 de agosto de 2018

Chapa 1 'Audálio Dantas - Por direitos e democracia', da CUT, é eleita no Sindicato dos Jornalistas, em SP

Os jornalistas do Estado de São Paulo elegeram a nova diretoria do Sindicato para os próximos três anos (2018/2021). A chapa cutista , única inscrita, obteve 91% do total de votos, isto é, 537 de 592 votos. Liderada por Paulo Zocchi, jornalista da Editora Abril, e membro da corrente interna do PT “O Trabalho”, que segue como presidente do Sindicato, apresenta como plataforma a luta pela preservação dos direitos dos jornalistas, pela anulação da “Reforma Trabalhista”, contra a “Reforma da Previdência”, pelas liberdades democráticas, contra o arbítrio, a violência institucional, defendendo a importância da sindicalização dos jornalistas, com o objetivo de fortalecer o Sindicato como instrumento de luta.

Cumpre destacar que a diretoria eleita é composta por mais de 50% de mulheres jornalistas. Além disso, no pleito realizado, foi eleita a nova Comissão de Ética do Sindicato. O nosso companheiro Cadu Bazilevski, assessor do Deputado Federal Vicentinho, foi eleito Diretor Regional do ABC.

A TML que ao longo dos anos tem apoiado a luta dos jornalistas do Estado de São Paulo, sobretudo neste momento de retrocesso político, saúda a diretoria eleita, o seu esforço e a sua luta, desejando sucesso no enfrentamento do golpe de estado, contra os ataques à classe trabalhadora, contra o desemprego, precarização, terceirização, pela anulação da “Reforma Trabalhista” e contra a “Reforma da Previdência”.

4 de agosto de 2018

Greve na Refinaria de Capuava no ABC já dura mais de uma semana

220 trabalhadores terceirizados da manutenção da Refinaria de Capuava (Recap), em Mauá, no ABC paulista, que trabalham para a contratada Manserv, encontram-se em greve há mais de uma semana, pleiteando reajuste de 2,5% de vale-alimentação e mudança no plano de saúde, para que a rede credenciada na região seja ampliada.

A mobilização dos operários demonstra enorme disposição de luta contra a superexploração a que são submetidos pelo governo golpista de Michel Temer e seus prepostos da Manserv, que acabaram com a CLT e pretendem acabar com a Previdência Social, com aposentadoria e os direitos previdenciários, visando recolonizar e escravizar a classe trabalhadora. 

Percebe-se que os operários estão fazendo greve  sobretudo em razão do descontentamento com a exploração a que estão sendo submetidos, porque a pauta apresentada pela diretoria do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário em Santo André, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra é  muito rebaixada, não incluindo a fundamental reivindicação de que os trabalhadores terceirizados sejam contratados pela Refinaria de Capuava, para por fim à superexploração por meio da empresa terceirizada, a Manserv. 

Há necessidade de que os trabalhadores da Refinaria e os terceirizados se unam e formem uma oposição sindical classista contra as diretorias burocráticas tanto do Federação dos Petroleiros, como do Sindicato da Construção de Santo André.

- Todo apoio à greve dos trabalhadores terceirizados da Refinaria de Capuava!

- Atendimento de todas as reivindicações dos operários! Reajuste de 2,5% no vale-alimentação! Ampliação da rede credenciada do plano de saúde!

- Fim da terceirização! Contratação dos operários pela Refinaria de Capuava!

26 de julho de 2018

Cuba: Revolução Política e luta pela Internacional Operária

A Tendência Marxista-Leninista manifestou, no aniversário dos 90 anos de Fidel, sua apreensão com relação ao curso restauracionista na Cuba, sendo que agora, neste 26 de julho, data comemorativa do ataque ao Quartel de Moncada, em 1953, dando origem ao movimento que posteriormente, em 1959, realizou a Revolução Cubana, sendo que agora renovamos a nossa advertência da necessidade da Revolução Política.

Na Ilha, a vitória do Movimento 26 de julho, comandado por Fidel, fez com que ocorresse a hipótese pouco provável para Trotsky, conforme seu prognóstico no Programa de Transição da IV Internacional sobre a instauração de um governo operário e camponês:

“É possível a criação de tal governo pelas organizações operárias tradicionais. A experiência anterior nos mostra, como já vimos, que isto é pelo menos pouco provável. Entretanto, é impossível de negar categórica e antecipadamente a possibilidade teórica de que, sob a influência de uma combinação de circunstâncias excepcionais (guerra, derrota, quebra financeira, ofensiva revolucionária das massas etc.), os partidos pequeno-burgueses, inclusive os estalinistas, possam ir mais longe do que queiram, no caminho da ruptura com a burguesia. Em todo caso, uma coisa está fora de dúvida: se mesmo  esta variante pouco provável se realizasse um dia, em algum lugar, e um “governo operário e camponês” no sentido acima indicado se estabelecesse de fato, ele representará somente um curto episódio em direção à ditadura do proletariado.”

Essa hipótese aconteceu realmente como exceção, porque na maioria dos casos, as revoluções que ocorreram, acabaram sendo derrotadas, como, apenas para exemplificar, a Revolução Francesa de Maio de 1968, em razão da crise de direção revolucionária, conforme detectado pelo Programa de Transição da IV Internacional. 

O castrismo, pois, acabou expropriando a burguesia e edificou o Estado operário cubano.

Todavia, o imperialismo norte-americano, que significa os monopólios e a decadência terminal do capitalismo, a reação em toda linha, há mais de 5 décadas impõe o boicote, embargo, à economia cubana. 

Todavia, a direção castrista aderiu ao stalinismo, à “Teoria do socialismo em um só país”, à “política de coexistência pacífica” com o imperialismo, ditada pela burocracia da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), abandonando a luta pela Revolução socialista internacional, o que levou à restauração do capitalismo.

No último período, a atuação da burocracia cubana, agora liderada por Raul Castro, irmão mais novo de Fidel, tomou um curso restauracionista, colocando em risco a existência do Estado Operário Cubano, como aconteceu com a URSS, o Leste Europeu, a China e o Vietnã.

Raul Castro recentemente, apenas para exemplificar, empreendeu duas negociações francamente contrarrevolucionárias: a aproximação com os Estados Unidos e o patrocínio, juntamente com o Papa, das negociações do governo colombiano, do facínora Juan Manuel Santos, com das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farcs).

Não negamos ao Estado operário que negocie, inclusive com países imperialistas. A Rússia soviética, de Lênin e Trotsky, celebrou a paz de Brest-Litovski, com a Alemanha imperialista, dos Hohenzollern.

Todavia, as negociações com de Cuba com os americanos vão no sentido de abolir o monopólio do comércio exterior na Ilha, sendo claramente restauracionista.

Além disso, o patrocínio das negociações do governo colombiano com as Farcs é uma atuação contrarrevolucionária, que deixará os militantes das Farcs totalmente desarmados perante o facínora Juan Manuel Santos e agora perante seu sucessor Iván Duque. Aliás, isso já está acontecendo com os militantes das Farcs sendo perseguidos pelo Estado burguês colombiano.

Anteriormente, a burguesia colombiana já havia feito um “acordo” com a guerrilha, desarmando-a, apenas para melhor reprimir aos seus membros.

No último período, Raul Castro começou a preparar Miguel Diaz-Canel, professor universitário,  para ser seu sucessor e vem aumentando as medidas restauracionistas,  porque “abre espaço para o mercado e ao investimento privado.” (Folha de S. Paulo – digital, 23/7). Ou seja, “reconhecerá o mercado, a propriedade privada.” (Idem).

“Raul Castro vem promovendo as mudanças desde 2008, que permitiram o surgimento dos negócios privados, denominados por ‘conta própria.´” (Idem).

“Desde essa data até maio de 2018, os empreendimentos privados englobam 591.000 pessoas, o que equivale a 13% da força de trabalho do país. Em muitos casos, trata-se de pequenas e microempresas.” (Idem).

Agora, Raul Castro vai alterar a Constituição de 1976, promovendo “consulta popular entre 13 de agosto e 15 de novembro, e, depois, submetido a referendo.” (Idem). Esses fatos avançam no sentido da completa restauração capitalista na Ilha.

Em 1921, Lênin e os bolcheviques promoveram a NEP (Nova Política Econômica), quando fizeram algumas concessões restritas ao mercado, à iniciativa privada, por causa da Guerra Civil que praticamente paralisou a economia soviética (que fora obrigada a adotar a política do comunismo de guerra, quando o Exército Vermelho derrotou 14 Exércitos imperialistas da Alemanha, Grã-Bretanha, França, Tchecoslováquia, etc,), concessões essas que forma feitas numa tentativa de estimular a economia, mas sem perder de vista a luta pela Revolução Internacional, depositando esperanças sobretudo na Revolução Alemã que ocorreu em 1923, mas infelizmente não se tornou vitoriosa, o que acabou agravando as condições do Estado operário soviético, propiciando a reação termidoriana representada pelo stalinismo.

A Tendência Marxista-Leninista defende a necessidade da formação de um partido operário marxista revolucionário em Cuba, que lute por uma revolução política, sob a bandeira da luta contra a desigualdade social e a opressão política, por abaixo os privilégios da burocracia, maior igualdade no salário, em todas as formas de trabalho, liberdade dos comitês de fábrica e dos sindicatos, pela liberdade reunião e de imprensa, no sentido do renascimento e do desenvolvimento da democracia dos conselhos operários, legalização de todos os partidos operários, revisão da economia planificada, de alto a baixo, de acordo com o interesse dos produtores e dos consumidores, os comitês de fábrica devem retomar o direito de controle da produção, as cooperativas de consumo, democraticamente organizadas, devem controlar a qualidade dos produtos, e seus preços, reorganização das fazendas coletivas, de acordo com a vontade e interesses dos trabalhadores deste setor, a política internacional reacionária da burocracia deve ceder lugar à política do internacionalismo proletário, toda correspondência diplomática deve ser publicada, abaixo a diplomacia secreta! 

Além disso, todos os processos políticos montados pela burocracia cubana devem ser revistos mediante ampla publicidade e livre-exame. Os organizadores das falsificações devem sofrer o merecido castigo. 

Nessa perspectiva, urge a construção da Internacional Operária e Revolucionária, para impulsionar a Revolução Internacional, a qual fomentará a Revolução Política que apeará do poder a burocracia restauracionista.

Viva a democracia dos conselhos operários (sovietes)!

Viva a Revolução Socialista Internacional! 

Macarthismo na Universidade Federal do ABC

A reitoria da Universidade Federal do ABC instaurou sindicância contra os professores Valter Pomar, Gilberto Maringoni e Giorgio Romano em razão do lançamento do livro “A Verdade Vencerá”, que traz entrevista do ex-presidente Lula no campus da Universidade.

A ADUFABC (Associação dos docentes da Universidade Federal do ABC) solicitou “ reunião, com urgência, para tratar das implicações decorrentes de sindicância investigativa.” (Diário do Grande ABC – Diário virtual, 26/7).

Na verdade, a atuação da reitoria concretamente é macarthista, de perseguição aos professores. É uma perseguição de cunho nazi-fascista que precisa ser rechaçada pela comunidade universitária (professores, estudantes e funcionários), por meio de uma luta implacável, visando instaurar uma verdadeira autonomia universitária, ou seja, para que a comunidade universitária venha a deter o poder dentro da Universidade. Para tanto, há necessidade de que seja convocada uma Assembleia Geral da comunidade universitária para discutir e deliberar os encaminhamentos da luta contra os macarthistas.

A TLM se solidariza com professores atacados de forma incondicional!

- Fascistas não passarão!

23 de julho de 2018

Conferência Nacional Aberta contra o golpe reúne militantes de todo o Brasil

A Conferência Nacional contra o golpe reuniu aproximadamente 1.000 delegados de todo o Brasil, representando centenas de Comitês de Luta Contra o Golpe, na Quadra do Sindicato dos Bancários de São Paulo e Osasco, no final de semana, dias 21 e 22, com a participação de militantes do Partido da Causa Operária (PCO), o qual teve a iniciativa de convocar a Conferência, de militantes do Partido dos Trabalhadores, contando com a presença, logo pela manhã do primeiro dia, no sábado, do Deputado Federal e pré-candidato Vicentinho, do pré-candidato a deputado estadual, Adriano Diogo, ativista dos Direitos Humanos, da pré-candidata a deputado estadual, a professora Maria Izabel Noronha, a Bebel, e, no dia 22, no domingo, no início da tarde, da presidenta nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, a qual discursou incentivando a luta contra o golpe.

Estiveram presentes além dos militantes do PT e do PCO, militantes da Corrente Comunista Revolucionária (CCR), da Liga Proletária Marxista (LPM), da Frente Comunista dos Trabalhadores (FCT), da corrente O Trabalho do PT, dentre outras organizações. Assinale-se, ainda, a presença de uma representante do Comitê de Luta Contra o Golpe de Berlim, na Alemanha.

A Conferência foi muito importante em razão do debate realizado, que permitiu que fossem esclarecidas questões relevantes, para que o conjunto dos ativistas obtivessem uma melhor compreensão da conjuntura política, das táticas e da estratégia do movimento de luta contra o golpe. Além disso, foi meritória por organizar as lutas e as tarefas práticas para o próximo período,  impulsionando a frente única dos trabalhadores por meio dos Comitês de Luta Contra o Golpe.

Para a nossa tendência, a TML, foi importante também, porque tivemos uma compreensão melhor da conjuntura, fato esse que propiciou reformular as nossas posições, porque detectamos um sectarismo nosso em relação ao PT e ao PCO, resultado do debate do Plenário da Conferência e da discussão fraterna em grupo, principalmente devido  a um companheiro do PT da Vila Buarque.

A Conferência deliberou a participação na Greve Geral marcada para o dia 10 de agosto contra o governo golpista e pela liberdade de Lula, assim como a participação na mobilização em Brasília, no dia 15, também em agosto, para garantir o registro da candidatura de Lula, com o objetivo de que os Comitês de Luta Contra o Golpe levem à Capital Federal 5.000 pessoas. Acrescente-se, ainda, que foram definidas sugestões de atividades para os Comitês de Luta Contra o Golpe no exterior. 

13 de junho de 2018

A crise de junho de 2013 e seus desdobramentos até os dias atuais


A chamada “jornada de junho de 2013” iniciou-se a partir do movimento dos estudantes, por meio do Movimento Passe Livre, o qual mobilizava todos os anos, por volta de mil a dois mil jovens.

Todavia, no ano de 2013, houve uma grande repressão do governo estadual tucano do PSDB de Geraldo Alckmin, que contou com o apoio do governo municipal petista do prefeito Fernando Haddad. 

O movimento foi duramente atacado pela mídia burguesa, sendo que os estudantes foram chamados de baderneiros e vândalos, principalmente os black blocs.

A partir da repressão, o movimento tomou uma grande proporção, com milhares de manifestantes saindo às ruas contra os governos estadual e municipal, e depois contra o governo federal da presidente Dilma Rousseff do Partido dos Trabalhadores.

A burguesia e a grande mídia, que atacavam o movimento, mudou a sua orientação, e passou a flertar com o mesmo até conseguir dirigi-lo, mobilizando a classe média, a pequena-burguesia, sobretudo contra o PT.

Assim, iniciou-se a trajetória reacionária do movimento, por ter sido capturado pela direção burguesa e pró-imperialista, que acabou se transformando no movimento do “impeachment”, do golpe contra a presidente Dilma do PT.

A burguesia e o imperialismo levantaram as velhas bandeiras da época da UDN (União Democrática Nacional) de Carlos Lacerda contra Getúlio e contra João Goulart, como se fossem novas: luta contra corrupção, macarthismo, liberalismo, punitivismo, etc.

Aí acusaram de superfaturamento as obras dos estádios da Copa do Mundo e das Olimpíadas no Brasil, em 2014 e 2016, respectivamente, passando a atacar também as empreiteiras brasileiras.

O marcarthismo deu origem, inicialmente, ao “Processo do Mensalão” no Supremo Tribunal Federal golpista, e seu desdobramento, isto é, à Operação Lava Jato, ambos concebidos pela CIA,  para atacar o PT e o conjunto do movimento operário e popular.

O que estava por trás da crise política era a crise econômica que chegava de forma retardatária ao Brasil. O País vivia do boom das commodities (minério de ferro, soja, petróleo, carne, etc.) quando a crise de 2008 nos países imperialistas, sobretudo os Estados Unidos, chegou com tudo e percebeu-se que não era uma marolinha.

O desenvolvimento do movimento golpista pegou o PT completamente desarmado politicamente, em razão de sua trajetória oportunista, acentuada com a expulsão da esquerda do partido no início dos anos 90 do Século passado, para possibilitar as alianças com os partidos burgueses como PDT, PSB e mesmo os partidos da ditadura militar como PMDB, PSDB e DEM, participando do chamado “presidencialismo de coalizão”; e coroada com a “Carta aos brasileiros”, de 2002, para acalmar e permitir uma acordo com “o mercado”, isto é, a burguesia pró-imperialista, para que Lula pudesse assumir a presidência da República.

O PT passa a desdenhar da formação política da militância e juntamente com Lula passa a adotar um discurso despolitizado, defendendo claramente uma política de conciliação e colaboração de classes, para que “todos ganhem”, “governar para todos os brasileiros”, etc.  

No governo, o PT passa a tentar administrar o Estado burguês, dando prosseguimento aos limitados programas sociais implementados desde Fernando Henrique Cardoso, fazendo apenas mudanças cosméticas e propagandísticas, e adotando novos, com caráter essencialmente reformista.

Com a adoção dos programas sociais, Lula passou a repetir sempre que agora no Brasil  “pobre passou a andar de avião”, “que pobre passou a frequentar a universidade”, e que “os ricos e os bancos nunca ganharam tanto dinheiro como em seu governo.”

Com esse discurso Lula consegue eleger Dilma Rousseff duas vezes. Porém, no segundo mandato de Dilma, com a chegada da crise econômica de forma retardatária ao  Brasil, a burguesia e o imperialismo, aproveitando a crise de junho de 2013, passou a adotar uma política golpista, visando substituir o governo do PT, pois com a queda da taxa de lucros, do ponto de vista da burguesia, não era mais suportável a manutenção de um governo petista, por ser muito caro em razão das suas reformas, mesmo estas sendo bastante limitadas, apesar da política de conciliação e colaboração de classes do PT, que aprovou até a reacionária “Lei Antiterrorismo”.

Assim, do ponto de vista da burguesia e do imperialismo era necessária a recolonização do Brasil, com a retirada dos direitos trabalhistas e previdenciários dos trabalhadores, visando escravizá-los com a “Reforma Trabalhista”, “Reforma Previdenciária”, a PEC (Projeto de Emenda Complementar) do fim do mundo (proibição de aumento de gastos públicos por 20 anos), precarização, terceirização, desemprego, combinada com bastante repressão, aumento do encarceramento em massa, assassinato dos camponeses pobres,  extermínio da população pobre e negra das periferias das cidades, e extermínio dos povos indígenas.

Então, com a atuação do judiciário como ponta-de-lança e do Congresso Nacional, a burguesia e o imperialismo conseguiram destituir a presidenta Dilma Rousseff do poder, sendo que a direção do PT não esboçou nenhuma reação, a não ser por meio de discursos no parlamento, ou seja, restringiu a luta basicamente ao campo parlamentar.  O que houve de concreto, de ação direta, foi apenas a resistência espontânea e empírica das massas, como demonstra a rejeição ao regime golpista. Sem falar que parte da esquerda pequeno- burguesa alinhou-se aos golpistas, com o “Fora todos”, como o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU) morenista, que depois do golpe rachou em 3 pedaços.

O golpe avançou depois do “impeachment” com a aprovação da “Reforma Trabalhista” e a PEC do fim do mundo, mas no momento patina, não tendo conseguido aprovar a “Reforma Previdenciária”, sendo que hoje os militares, assumiram vários postos importantes no governo golpista, inclusive ministérios. O Rio de Janeiro sofre intervenção militar desde as Olimpíadas de 2016, provocando a explosão da violência no Estado, com milhares de mortes.

Todavia, embora não haja um partido operário revolucionário, não haja direção revolucionária, as massas seguem resistindo de forma espontânea e empírica, reflexo disso é a rejeição aos golpistas, como demonstram as pesquisas de opinião. Essa resistência se dá inclusive contra as direções burocráticas, pelegas e traidoras atuais do movimento operário e popular, das centrais sindicais, que sabotam a preparação e organização da greve geral por tempo indeterminado, pois sabem que ela poderá adquirir um caráter insurrecional contra o governo golpista.

Por outro lado, aproximam-se as eleições presidenciais de outubro, sendo que os candidatos da burguesia não conseguem “decolar”, o que coloca em xeque o processo eleitoral como saída para a crise do sistema capitalista e do regime golpista. A burguesia está desesperada, mas não encontra uma saída, a não ser apoiar-se nos militares.

As eleições, se forem realizadas, poderão ser mais antidemocráticas, fraudulentas e sangrentas que as eleições municipais de 2016, onde ocorreram 45 atentados e 26 mortes. 

O Poder Judiciário tem sido a ponta-de-lança do golpe até aqui, inclusive impede a candidatura mais popular, a de Lula, com a prisão política deste, produto da farsa judicial denominada Operação Lava Jato, concebida pela CIA.

O PT mantém a candidatura de Lula, o que é mais um fator de desestabilização do regime golpista, porém há setores no partido que defendem o apoio ao candidato burguês, ex-membro do Conselho de Administração da Companhia Siderúrgica Nacional, o coronel Ciro Gomes, oportunista que já passou por todos os partidos, inclusive o PSDB. Tal fato prenuncia um racha no PT para breve. 

Por outro lado,  não dá para descartar que, em caso de radicalização do movimento de massas, motivada pela crise política e econômica, a possibilidade do PT readquirir certa influência de massas, pois estas poderão utilizar-se dos instrumentos que tenham à mão. Como se diz no Brasil: não tem tu, vai tu mesmo!

Voltando ao papel cumprido pelo judiciário atualmente, não é possível este ser mantido por muito tempo.  A crise política e econômica vai se agravando dia a dia. O dólar dispara, atingindo em torno de R$ 4,00, a Bolsa derrete (- 3%) e a inflação acelera (+ 0,4% em maio). Cedo ou tarde o atual regime golpista deverá ser substituído por um novo governo, provavelmente tipo uma ditadura bonapartista, que buscará arbitrar entre as classes sociais. Ou ainda, ser substituído por meio de uma revolução proletária, por um governo revolucionário operário e camponês.

Nessa perspectiva, a TML defende a realização de um Congresso da classe trabalhadora, em São Paulo, com delegados de base eleitos nos Estados da Federação brasileira, para a discussão de um programa de lutas pela liberdade imediata de todos os presos políticos, como Lula, Zé Dirceu, João Vaccari, Delúbio Soares; pela escala móvel de salario, com reajustes e aumentos de acordo com os índices do DIEESE; redução da jornada de trabalho para 35 horas, sem redução de salários; anulação da “Reforma Trabalhista”; contra a “Reforma da Previdência”, contra o fim da aposentadoria e dos direitos previdenciários; revogação da PEC do fim do mundo, agora lei; Fundo Desemprego, com os trabalhadores empregados doando 0,5% do salário mensal; expropriação dos meios de produção: fábricas, bancos, universidades, escolas; reforma e revolução agrária,  expropriação dos latifúndios; expulsão do imperialismo; monopólio do comércio exterior e economia planificada, rumo a um governo revolucionário operário e camponês. 

10 de junho de 2018

Dólar dispara, a bolsa derrete e a inflação acelara

A crise política e econômica do regime golpista aprofundou-se com a greve dos caminhoneiros e o locaute do setor dos transportes, que redundou na queda do pró-imperialista presidente da Petrobras, Pedro Parente, agravando ainda mais a crise do regime golpista, com a disparada do dólar (R$ 3,92), o derretimento da bolsa (-3%) e a inflação acelerando (0,4% em maio).

Isso tudo tem inviabilizado as candidaturas dos partidos golpistas, as quais não conseguem decolar e o governo golpista, cada vez mais se apoia nos generais que estão assumindo os ministérios, mas fracassam fragorosamente na intervenção no Rio de Janeiro, com a explosão da violência.

Some-se a isso a capitulação e integração dos partidos eleitoreiros da esquerda pequeno-burguesa, como PT, PSOL, PSOL, PCdoB etc. ao regime golpista, o que prenuncia a possibilidade de desintegração do mesmo antes mesmo das eleições. 

A Tendência Marxista-Leninista está elaborando um balanço da paralisação dos transportes e uma análise da conjuntura atual, os quais serão apresentados em breve. Por ora apresenta os textos abaixo do Professor Sergio Lessa, que já o consideramos nosso colunista, e outro do nosso camarada Roberto Bergoci, operário do setor químico de Guarulhos, ambos sobre a paralisação dos transportes, os quais, dentre outros, estão servindo de subsídios da discussão na TML.



De operários, patrões e caminhoneiros

Sergio Lessa

A greve dos caminhoneiros e o locaute das empresas de transporte devem ou não ser apoiados pelos revolucionários? Se sim, qual o critério desse apoio? Há várias questões e aspectos a serem considerados, tanto táticos quanto estratégicos, e o que se segue não é mais do que uma contribuição na análise de um desses aspectos: o caráter de classe dos caminhoneiros. Não que esse seja um aspecto secundário da questão, longe disso. Mas ele apenas não basta para uma “análise concreta da situação concreta”, como dizia Lenin.

Lá nos anos de 1980, com a crise estrutural do capital passando por sua primeira década, o capital passou a implementar uma nova modalidade de extração da mais-valia. Seu polo pioneiro tinha lugar, desde a década anterior, na “Terceira Itália”. Não se tratava de uma nova relação de produção, portanto de um novo tipo de capitalismo ou mesmo de uma superação do capitalismo. Muito pelo contrário, era apenas de um aprofundamento da velha e surrada relação de produção que produz o capital pela expropriação da mais-valia produzida pelos operários. Típico dessa nova modalidade foi a Benetton, fabricante de roupas.



Operários proprietários dos meios de produção?

Conta a história que a Benetton, pressionada pela crise, decidiu reestruturar sua produção. A finalidade era não apenas aumentar a extração da mais-valia pela redução dos custos, como também ganhar vantagem no mercado oferecendo mercadorias mais de acordo com os desejos dos consumidores e mais rapidamente que seus concorrentes. Para isso montou uma rede informatizada pela qual a produção recebia informações “ao vivo” das vendas e, então, se ajustava mais rapidamente que seus concorrentes à mudança de humores dos consumidores.

A flexibilidade era a marca da nova forma de organização da produção: não apenas as máquinas deveriam ser adequadas à produção de peças de roupas as mais variadas sem demoradas e custosas adaptações, como ainda a força de trabalho deveria estar disposta a produzir no ritmo que fosse necessário a atender o mercado. Isto é, trabalhar pouco e receber correspondentemente pouco quando não houvesse demanda – e trabalhar até a exaustão, quando o inverso fosse o caso. De preferência, sem uma cadeia de controle e supervisão da produção que fosse onerosa ao capital.

Em poucas palavras, alguma adaptação e desenvolvimento técnico eram necessários, mas imprescindível mesmo era quebrar as relações trabalhistas regulamentadas pelo Estado de tal modo a que o operário (no caso da Benetton) não mais fosse juridicamente caracterizado como um empregado da fábrica.

A solução implementada pela Benetton não era completamente original. Sergio Mallet, em um texto do início da década de 1960, já citava o exemplo da refinaria da Texaco em Bordeaux (França) na qual já estavam presentes vários aspectos importantes da nova modalidade de expropriação da mais-valia. A novidade é que, ao contrário da década de 1960, a crise estrutural tornava viável uma generalização antes impossível da nova modalidade para outros setores econômicos. O que era antes um caso isolado, tornou-se um exemplo.

Em poucas palavras, a Benetton fechou as suas fábricas e demitiu seus operários e trabalhadores.

Propôs, então, uma nova “parceria”. Aqueles que assim quisessem (pois o capitalismo é sinônimo de liberdade, sabemos!) poderiam comprar, com a indenização da demissão, as máquinas da Benetton e passar a trabalhar em casa para a mesma Benetton. Então, uma residência passou a produzir a manga de uma camiseta, outra a parte frontal, uma terceira a parte dorsal, uma quarta residência passou a costurar as três peças que compõem a camiseta e assim por diante.

O decisivo é que há, no mercado, apenas um comprador para essas peças: a própria Benetton. Ela, assim, impõe aos novos proprietários dos meios de produção uma condição: teriam que comprar o tecido, a linha etc. da própria Benetton, o que garantiria a homogeneidade necessária das partes componentes do produto final. Mas não apenas isso – e nem sequer isso era o mais importante. O decisivo era que, como a Benetton era a única fornecedora da matéria-prima e a única compradora do que se produzia nas residências de seus antigos operários, ela podia impor o preço tanto da matéria-prima quanto do produto final. Ao final das contas, a Benetton, com a produção sendo nas casas, passou a ter um maior poder de extração da mais-valia do que em suas fábricas anteriores.

Isso tem, para o capital, três vantagens: 1) o operário passa, agora, a fornecer ao menos uma parte importante do capital fixo, isto é, aquele capital investido nos meios de produção; 2) o operário não é mais um empregado da Benetton, portanto a legislação trabalhista não se aplica mais; 3) como o operário passa a receber por peça (a forma mais dura de salário ), ele tem interesse em produzir o máximo possível e, com isso, a cadeia de controle e supervisão sobre o trabalhador pode ser diminuída e simplificada. Mas, por outro lado, tem uma desvantagem que não é pequena e que terminaria inviabilizando que o modelo se generalizasse para todos os setores produtivos: a produção em larga escala na fábrica é substituída por uma produção doméstica, com o que se perde a vantagem da escala na produção e o controle de qualidade se torna mais problemático -- com o que se perde uma segunda importante vantagem da produção fabril: a extrema igualdade entre os exemplares produzidos.

Do ponto de vista do operário, esta transformação possui ao menos duas consequências imediatas.

Como ele se torna proprietário da máquina em que trabalha, como ele produz em sua própria residência e como está em concorrência imediata com todos os outros operários que adentraram à nova relação de exploração, o fato de receber por peça o faz produzir insanamente. Cada um quer tirar do outro operário uma “fatia do mercado” que é integralmente composto pela demanda da Benetton. Esta tira vantagem dessa situação, joga um operário contra o outro, uma residência contra a outra, e maximiza a extração da mais-valia. A jornada de trabalho passa a ter por limite a capacidade física da pessoa, os membros da família entram também no processo produtivo e a vida vai se tornando ainda mais exaustiva que na antiga fábrica. A tendência é essa situação se agravar ainda mais na medida em que a Benetton tende a vender a matéria-prima cada vez mais cara e a comprar o produzido a um preço cada vez mais baixo: a única resposta possível ao operário é aumentar a intensidade do seu trabalho, aumentando diretamente a mais-valia ab
soluta expropriada pela Benetton.



Essa a primeira consequência para o operário. A segunda consequência diz respeito à consciência.

Com a nova modalidade de produção, os operários que realizam a mesma atividade produtiva deixam de se relacionar como companheiros de classe e se assumem como concorrentes. Se na fábrica o velho sindicato e as velhas formas de organização ainda tinham uma razão de ser, agora elas se tornaram não apenas desnecessárias mas, pior ainda, impossíveis. O próprio operário as rejeita e se recusa a se organizar coletivamente. Ele não tem nem mais tempo, nem energias, para se dedicar à luta coletiva.



Esta alteração na consciência do operário é o resultado da alteração de sua vida cotidiana. Convertido em um “pequeno empresário”, como agora ele é proprietário de parte dos meios de produção, em sua imaginação ele se converteu em seu próprio patrão quando, na verdade, não deixou a sua condição objetiva de ser um operário que, agora, é também seu próprio supervisor. Sua atividade produtiva continua sendo a do operário antigo, não raramente trabalha na mesma máquina e produz o mesmo produto que fazia antes, no interior da fábrica. Agora, contudo, deixa de ser juridicamente um assalariado para se converter em um pequeno empresário. Pode, se prosperar, contratar um outro operário para trabalhar para ele em uma segunda máquina; mas mesmo quando não tem a sorte da minoria que conhece essa mísera prosperidade, coloca seus filhos e esposa para comporem a força de trabalho a ser explorada pela Benetton. Se, antes, a fábrica o explorava diretamente, agora ele obriga (tal como antes a cadeia de controle do trabalho na 
fábrica o obrigava) não apenas filhos e esposa, mas também a si próprio, a produzir a mais-valia da Benetton.

Seu lugar na estrutura produtiva continua a mesma: transforma a natureza em bens de subsistência (no caso da Benetton); contudo, do ponto de vista jurídico, deixa de ser um assalariado para ser um pequeno proprietário; do ponto de vista social, a antiga solidariedade de classe que nascia do chão da fábrica é substituída pela concorrência de todos contra todos do mercado, do ponto de vista de sua consciência, o individualismo do espírito do empreendedorismo passa a predominar.

Quando a Terceira Itália se converteu em exemplo, alguns defenderam a nova modalidade de exploração do trabalhador como se fosse o fim do capitalismo, pois agora os operários, sendo proprietários dos meios de produção, passariam a controlar a produção e, com isso, estaríamos “transitando para o comunismo nos interstícios do capital” (lembremos de Antonio Negri, Lazzarato e Hardt, por exemplo). Outros defenderam que a nova modalidade de exploração seria, na verdade, o fim das classes sociais e o surgimento da sociedade sem classes (Adam Schaff, _____, para ficarmos só com autores “da esquerda”). Outros, ainda, defenderam a novidade divisando nela o fim do capitalismo monopolista e o início de um capitalismo democrático, com uma produção dominada por pequenos produtores e não mais pelas gigantescas corporações, o que ampliaria a igualdade social (Piore e Sabel, p. ex.).

Poucos anos de história demonstraram que estavam todos errados: fazer o operário entrar na produção financiando uma parte do capital constante (aquele investido nos meios de produção) não é mais que uma forma ainda mais brutal de exploração do operário; uma alienação ainda mais profunda não apenas porque intensifica a jornada de trabalho a limites antes impensáveis, não apenas porque subordina a pessoa do operário ainda mais intensamente à sanha do mercado, não apenas porque subordina agora diretamente as relações do operário com seus filhos e esposa ao processo produtivo que ocorre em sua residência – mas, ainda mais, porque faz desaparecer a antiga solidariedade de classe fabril que é substituída por uma intensa concorrência entre operários que agora produzem não um com o outro, mas um contra o outro.

Essa intensificação da alienação desse setor do operariado tem, até agora (já se vão lá várias décadas), tido um profundo impacto em sua consciência, mais especificamente, na perda de sua consciência de classe. Passa a se comportar como um pequeno-burguês: seu desejo é acumular capital para poder “crescer” e passar a subempregar outros trabalhadores (imediatamente, seus filhos e esposa, aos quais não pagará qualquer salário!). O individualismo típico do “homem burguês” ganha nesta sua nova vida cotidiana um solo social todo propício para seu desdobramento. Na Terceira Itália, bem como nos diversos clusters produtivos que essa tendência deu origem, até o momento – até o momento, sublinhe-se – não se noticia nenhuma forma de resistência coletiva que se assemelhe a uma consciência de classe, mesmo que no patamar estritamente economicista (Lenin).

Repetimos: essa forma de produção doméstica não pode ser estendida a todos os setores econômicos (produção de vidro, papel e celulose, siderurgia, petroquímica, automobilística etc.) mas, sempre e onde foi possível, se tornou uma das opções mais vantajosas ao capital no período de crise estrutural. Com modificações e com adaptações, foi sendo adotada em vários setores produtivos. Um deles o do transporte no Brasil.



Caminhoneiros: operários ou empresários?

O caráter de classe dos caminhoneiros hoje no Brasil é um belo exemplo para compreendermos e nos aprofundarmos em como Marx tratou as classes sociais. O fato de elas serem determinadas pelo local que ocupam no processo produtivo tem por consequência que nem sempre os limites entre elas sejam cristalinamente claros. O limite existe e é real, atua não apenas na objetividade da reprodução econômica, mas também na subjetividade, na consciência dos envolvidos. Contudo, dependendo da maneira como se organiza a produção, a existência imediata torna-se confusa do ponto de vista do pertencimento de classe e a consciência tende a ser determinada por esta situação.

É muito conhecido o caso da aristocracia operária. Sem deixar de ser operária, se converteu no século 20 e nos dias de hoje em um importante fator de manutenção da ordem do capital, tendo inclusive seus representantes assumido por vezes a chefia de governos liberais ou neo-liberais (caso Lula no Brasil etc.).

A situação social imediata de um setor de uma classe pode fazer com que ele se volte contra os interesses históricos de sua própria classe. O caso clássico é o da aristocracia operária, mas está longe de ser o único. E também não ocorre apenas entre os operários: não raramente, como no caso agora das empresas de transporte, um setor da burguesia se volta contra os interesses globais e gerais do capital.

No caso brasileiro, não tivemos uma fábrica como a Benetton tomando a iniciativa de reestruturar as relações de emprego no setor de transporte. Foi o próprio crescimento da produção e do consumo, o próprio aumento da necessidade de transporte, que gerou a racionalização capitalista do setor. Não era mais viável econômica e administrativamente que as próprias empresas contratassem seus próprios fretes de acordo com a oferta diária do mercado. A adoção das práticas do just-in-time, da lean production etc. implicou que as fábricas passassem a necessitar de um fluxo constante de matérias-primas e componentes e, correspondentemente, de uma saída constante dos seus produtos para os mercados consumidores. Os centros de abastecimento necessitam de um fluxo constante de entrada e saída de mercadorias. Nada disso pode ser “racionalmente” ordenado se se mantém a dependência de caminhoneiros individuais que fluem de um ponto a outro do mercado em busca de melhores fretes.

A racionalização foi obtida pelo surgimento de empresas de transporte que contratam os fretes em larga escala e os sublocam aos caminhoneiros proprietários de seus próprios veículos. Os dados que eu tenho à mão não são seguros, indicam que algo próximo à metade do transporte terrestre é realizado sob essa modalidade, a outra parte sendo realizada por operários das próprias empresas de transporte. Os caminhoneiros, para entrarem no processo produtivo, precisam oferecer uma parte do capital fixo necessário: na Terceira Itália, entram com as máquinas de confecção de roupas; nos transportes, com seus próprios veículos.



Ainda que por mecanismos e processos muito distintos aos da Terceira Itália, a essência é similar: para se empregarem, precisam entrar com a propriedade de seus caminhões, isto é, com uma parcela importante do capital fixo. Os impactos nas condições de vida e trabalho são também análogos: aumenta a intensidade do trabalho, diminui o tempo de repouso e lazer, as doenças profissionais se intensificam e se multiplicam etc.

Os impactos na consciência não são menores. Ainda que por mecanismos muito diversos, por processos muito distintos daqueles que deram origem à aristocracia operária, algo similar ocorre com os caminhoneiros. São um elo da cadeia produtiva que opera o intercâmbio material com a natureza (Marx), contudo sua inserção imediata na sociedade faz com que sua luta por melhores condições de vida e salário se confunda com a sua luta pela sua propriedade privada, pelo seu direito de acumulação capitalista:

comportam-se como empresários embora não passem de operários. Com um agravante: como sua origem, no passado, não está em uma fábrica (como a Benetton no caso italiano) mas em um enorme conjunto de pequenos proprietários de veículos, herdam do passado o individualismo do empreendedorismo de seus “ancestrais” nas estradas.

Seu futuro não poderia ser menos promissor: os caminhoneiros tendem a se aliar com seu inimigo de classe na defesa da propriedade privada na esperança, absolutamente vã, de se tornar um dia burgueses.

Sem compreender seu real papel na sociedade, não apenas se comportam como burgueses que não são, como ainda deixam de se comportar como os operários que, de fato, são. Seu futuro não poderia ser menos promissor, dizíamos: a tendência é sua exploração se tornar cada vez mais intensa, no futuro sua vida e condições de trabalho tenderão sempre a piorar. Não possuem condições de defender seus interesses históricos até às últimas consequências; curto e grosso: têm sido sempre joguetes nas mãos dos capitalistas.

Portanto, enquanto classe social, os caminhoneiros são operários, sem lugar a nenhuma dúvida. Tal como os operários da Benetton que se convenceram terem se tornado empresários ao adquirirem a propriedade da máquina em que produzem a mais-valia, os caminhoneiros proprietários de seus caminhões imaginam terem deixado sua condição proletária e se convertido em capitalistas. Ledo engano:

o lugar que ocupam na estrutura produtiva (transporte) faz parte do metabolismo da sociedade com a natureza que é o trabalho. Marx, no Volume I de O Capital, o expõe com clareza e nada indica que, neste particular, a evolução do mundo tenha revogado a validade de suas considerações a esse respeito: são operários. Quando são proprietários de seus caminhões não passam de assalariados disfarçados ao subcontratarem um frete de uma empresa de transporte; quando são assalariados de uma empresa de transporte, são operários imediata e diretamente.

Por essa razão, sua participação na luta de classe tem sido, até o presente momento, marcada pela defesa da propriedade privada, mais especificamente, pela defesa do seu direito de acumulação do capital, a defesa do sonho de se converter, de sublocatário de fretes de uma empresa, em empresário com vários sublocatários de frete sendo por ele explorados. Não passa do sonho pequeno-burguês de se tornar, finalmente, um burguês no futuro. A contradição esgarçante de suas vidas é que esse sonho se passa na cabeça de um proletário, não na de um pequeno-burguês.

É por isso que, ao longo do tempo, tem sido esse setor da classe operária tão facilmente manipulável pelo capital. Mas é também por isso que a atual greve dos caminhoneiros é politicamente ainda mais expressiva da crise em que se encontra a dominação burguesa em nosso país.



Caminhoneiros versus Temer

As informações de que disponho indicam que está havendo alguma mudança significativa no setor de transporte em duas direções principais. A primeira é a concentração dos fretes mais lucrativos, os de longo percursos e feitos com carretas, na maiores empresas do setor. Para os caminhoneiros tendem a caber os fretes menos lucrativos, de menor percurso e que podem ser realizados com caminhões mais baratos. A evolução dessa tendência, pela simples concorrência, resulta em que os caminhoneiros precisam trabalhar com uma margem de lucro cada vez menor. A segunda direção é a generalização da prática de sublocação e sub-sublocação de fretes por empresas que, muitas vezes, atuam apenas como intermediárias entre os caminhoneiros e as empresas que necessitam de transporte. À tendência à queda da margem de lucro dos caminhoneiros, associada à tendência das empresas que atuam como intermediárias se apoderarem de uma fatia crescente desse lucro, faz com que os caminhoneiros tenham que trabalhar cada vez mais intensamente, com todas as consequências negativas deste fato.

A tendência a piora das condições de vida e trabalho dos caminhoneiros que resulta dessas duas direções principais não é algo que atinge apenas os caminhoneiros. Para não falar dos trabalhadores em geral, mesmo a aristocracia operária vem sendo atingida por ela. É crescente e cada vez mais frequente os casos de aristocratas operários que perdem seus empregos entre os 35 e 40 anos de idade para operários mais jovens, que aceitam condições de trabalho e de assalariamento significativamente piores.

Em poucas palavras, com o aprofundamento da crise estrutural do sistema do capital, as condições de vida e trabalho mesmo dos aristocratas operários e – no nosso caso – dos caminhoneiros tendem a piorar.

O que, em tese ao menos, deve intensificar a contradição deles com o capital no seu todo – ainda que como isso virá a se refletir nas suas consciências é algo que não possa ser conhecido de antemão.

É importante assinalar o acima, porque, até o momento, não se nota na greve uma disposição dos caminhoneiros de se voltarem contra os capitalistas do transporte. Entre as empresas de transporte e os caminhoneiros há uma confluência de objetivos e finalidades: alterar a política de preços da Petrobrás. De fato, na greve dos caminhoneiros, há uma homogeneirdade entre os empresários do setor e os caminhoneiros: a política de aumento de preços dos combustíveis tornou inviável a produção da mais-valia nesse setor da economia. Os caminhoneiros estacionam nas rodovias e as empresas de transporte os apoiam. A opinião pública sabe que suas reivindicações são capitalisticamente justas: não é possível transportar as mercadorias com esse preço do diesel.

Nenhum conflito entre as empresas de transporte que sublocam os fretes e os caminhoneiros que sublocam esses fretes: não há, ainda, um conflito pelo aumento do valor dos fretes. Essa luta dividiria os caminhoneiros dos burgueses do setor de transporte; o foco da luta é contra a política de preços da Petrobras, uma bandeira de luta que unifica patrões e operários, burgueses e caminhoneiros! O inimigo passa a ser o governo Temer, e inimigo de burgueses e operários unidos! O que de fato poderia melhorar as condições de vida e trabalho dos caminhoneiros, uma luta coletiva contra o capital que os explora, está a anos luz de distância de sua consciência e de sua prática. Quando se unificam, é em defesa do que imaginam serem seus verdadeiros interesses mas que, de fato, não passam dos interesses do capital.

Nisso, de algum modo, lembram os camponeses franceses do século 19: eram uma classe incapaz de ser algo mais do que massa de manobra da burguesia.

Não é mero acaso que, quando há algum sinal de politização, ocorra pelo seu viés mais à direita, mais conservadora: pedidos de intervenção militar ou apoio à candidatura Bolsonaro. Quase nenhuma palavra de retorno ao período petista, parcos sinais de apoio ao PT ou ao PSOL-PCB-PCdoB.



Fora Temer!

A greve nos transportes, contudo, não se limita a esse aspecto. Ocorre em um momento em que parece poder servir de catalisadora das insatisfações generalizadas com o governo Temer e com o Estado burguês no seu todo. A exaustão da sociedade para com o estamento político-burocrático, para com a corrupção e a bandalheira generalizada, para com a dissolução dos centros urbanos em campos de batalha, para o descalabro dos serviços públicos etc. parece ter encontrado na manifestação do setor de transporte um canal para sua expressão que há tempos carecia. Apesar do desconforto que provoca, a greve conta com a simpatia e apoio generalizados da população a ponto de o sindicado nacional dos policiais federais manifestar seu apoio ao movimento. A greve dos petroleiros deve agravar a situação e intensificar a pressão sobre o estamento político-burocrático, com consequências difíceis de serem previstas no momento. Não falta muito para assistirmos manifestações de massa... e o cenário atual pode se alterar rapidamente.

A greve dos transportes, além disso, é o primeiro momento em que uma parte da burguesia, os empresários do transporte, tomam uma ação prática e contundente contra as políticas ultra-neo-liberais (se é que há um “ultra” possível ao neoliberalismo) de Temer e Meirelles. Isso é uma novidade no cenário político: as divergências no interior da burguesia e desta com o estamento político-burocrático, até agora, não haviam levado a essa forma de confronto de uma parte do capital com o governo.

É impossível, no momento em que escrevo, divisar a evolução da crise. O governo aposta na divisão do movimento (daí a proposta de aprovação de uma tabela de preço mínimo do frete, que contempla os caminhoneiros, mas contraria os capitalistas do setor, daí a negociação com os sindicatos pelegos e não com os caminhoneiros, daí a pressão sobre os capitalistas do setor pela abertura de investigação sobre a prática de locaute por eles...) e numa repressão que parece não contar com o apoio nem da polícia nem do exército. Uma parte da burguesia prejudicada pela paralisação pressiona o governo para resolver “já” o problema e tenta virar a opinião pública contra a greve através dos órgãos de imprensa. Por outro lado, a pulverização do movimento e a condição a que foram levados os caminhoneiros pela política dos preços dos derivados do petróleo parece indicar que o movimento tem fôlego para chegar à quarta-feira e passar a contar com o apoio da greve dos petroleiros... também contra a política de Temer para os combustíveis.

Portanto, com uma vasta plataforma comum.

Como dizíamos no início: o caráter de classe dos caminhoneiros, sua aliança com o patronato do setor de transportes, são limites claros e objetivos do movimento. Contudo, sua importância na atual conjuntura e o papel catalisador que pode desempenhar na desestabilização do governo são fatores que precisam ser considerados em uma “análise concreta da situação concreta”. Na situação em que pessoalmente me encontro, sem nenhuma vinculação direta com o movimento, careço das informações básicas necessárias para propor uma direção política de atuação: essa é miséria de se ser professor universitário!







Roberto Bergoci

Sobre a necessidade da participação ativa do conjunto do movimento operário à greve dos caminhoneiros

Os momentos que se seguem é crucial acerca do futuro da greve dos caminhoneiros. Setores da esquerda, não tem compreendido a importância de tal movimento que já é histórico. O ceticismo contemplativo que tem colocado esse setor da militância em cima do muro, é na verdade, uma postura covarde que só tem beneficiado a ultra direita, pois equivale a abstenção e renuncia a dar o combate político-programático no sentido de influir sobre o movimento levando-o à esquerda, com as palavras de ordem revolucionárias, minando dessa forma a influência patronal e pequeno burguesa muito forte nesse importante movimento. As contradições e heterogeinidades no interior desse movimento grevista, podem e devem ser aproveitadas revolucionariamente pelo movimento operário e sua vanguarda. Para além de setores patronais que apoiam este movimento, temos como sua base e grande potencial, ex operários que diante do avanço neoliberal que tem precarizado o mercado de trabalho, tornaram-se pequenos (e precários) proprietários de caminhões utilitários, trabalhando na prática sem os mínimos direitos laborais, arcando praticamente sozinhos com os custos operacionais do transporte de mercadorias, como manutenção do veiculo, combustível e etc. Esse "precariado" de fato antecipou a famosa "uberização" do trabalho, além de serem vitimas de extorsões por parte de policiais rodoviários e outras covardias mais. Dessa forma, esse setor de trabalhadores pequeno burgueses, são na pratica, muito sensíveis a atual política privatista de Temer-Parente para a Petrobras, pois as seguidas altas galopantes do diesel tem tornado de fato inviável as condições mesmo de sobrevivência desse setor. Para além de seu atraso ideológico, reflexo (direto ou indireto) de sua situação material e da sua forma de ganhar a vida, sua situação econômica sem perspectivas e desesperadora tem empurrado esses trabalhadores a ação política progressista independente de tais trabalhadores ter consciência disso ou não. Dessa forma, o sentido da luta dos caminhoneiros é sim, contra a política entreguista de Temer-Parente. O resultado disso na pratica, é o enfrentamento mesmo que semi-consciente, contra os especuladores de Wall Street e do cartel das Sete Irmãs do petróleo. O dever da esquerda que tenha alguma coisa na cabeça é intervir nessa luta e leva-la à esquerda, dando o conteúdo anti-capitalista; aproveitar as contradições que existem no interior do movimento em beneficio dos trabalhadores, visto que a pauta dos caminhoneiros em essência converge com os interesses imediatos da população pobre, deve ser obrigação de quem se reivindica de esquerda ou marxista. O simplismo alienado e insuportável de uma parcela da classe média "esquerdista" e de parte da burocracia sindical, taxando a greve de locaut se negando a dar o combate ideológico na mesma, não passa de justificativa para sua covardia política. Como em política não existe vácuo, a abstenção de parcela do movimento operário e sua suposta vanguarda em dar o combate para influir em tal movimento contraditório pode abrir uma verdadeira estrada para a direita o fazer. 

É mais do que necessário que as centrais sindicais, sobretudo a CUT saia de sua paralisia e convoque uma greve geral, apresente um conjunto de pautas nacionalistas e de estatização completa sobre direção dos trabalhadores em relação a Petrobras e exija o cancelamento de todas as medidas do governo golpista de Temer, sobretudo a reforma trabalhista. Existe condições objetivas para isso, os trabalhadores no país tem de entrar em ação, a burguesia está acuada e sua crise de direção pode tornar-se crise de dominação, se setores de peso do movimento operário entrar em ação já.

Pela derrubada imediata de Temer-Parente!

Pela convocação de um Congresso Nacional da Classe Trabalhadora, para discutirmos uma saída operária e revolucionária!

As margens de manobra do capital se estreitam e grandes possibilidades nos abrem. Mãos a obra trabalhadores brasileiro!