27 de dezembro de 2018

Só a greve geral pode barrar a reforma da previdência e a retirada de direitos

© foto: Simone Rego

Os funcionários públicos do município de São Paulo sofreram uma grande derrota com a aprovação pela Câmara Municipal de São Paulo a “Reforma da Previdência”, ontem dia 26 de dezembro de 2018, que eleva a alíquota de 11% para 14% para a contribuição dos servidores e estabelece um sistema complementar para quem ganha acima do teto de aposentadoria (R$ 5.645,80) do INSS.

Apesar da enorme disposição de luta dos funcionários públicos do município de São Paulo, que sofreram brutal repressão da Guarda Civil Municipal e da Polícia Militar do Estado de São Paulo, a burguesia paulistana golpista impôs o seu interesse de explorar ainda mais aos servidores e jogar o ônus da crise capitalista sobre os ombros dos mesmos.

Essa derrota deve servir de lição para a classe trabalhadora. Ficou claro que há necessidade de unificar as lutas e preparar a greve geral por tempo indeterminado.

A união das lutas deve ser generalizada, pois apenas uma categoria em um município não terá condições de derrotar aos golpistas, como ficou claro a derrota no município de São Paulo. Assim, a luta deverá ser travada em nível nacional, contra a burguesia e o imperialismo de conjunto, contra todos os golpistas, para podermos derrotar a “Reforma da Previdência” nas esferas federal, estaduais e municipais.

Portanto, há necessidade de preparação de uma verdadeira greve geral por tempo indeterminado. Não serve a paralisação de um dia sempre defendida pelos pelegos, apenas para enrolação e “descompressão” da insatisfação da classe trabalhadora.

A greve geral deverá ter uma preparação, com comandos de greve eleitos pela base, nas fábricas, empresas, bancos, repartições públicas, universidades, escolas, campos, fazendas, latifúndios, quartéis e regimentos das forças armadas, etc.

Na preparação da greve geral, devemos agitar uma plataforma de lutas contra os golpistas, colocando a necessidade de organizar a resistência ao avanço dos militares golpistas, ao desemprego com a criação de um Fundo de desemprego, a escala móvel de salários de acordo com os índices do DIEESE, a redução da jornada de trabalho sem redução de salário, contra ataques ao programas sociais, a anulação da “Reforma Trabalhista”, e contra a “Reforma da Previdência”, formação de comitês de autodefesa, milícias operárias e populares, sindicalização da tropa, formação de uma frente operária entre os partidos operários PT, PCdoB, PSOL, PCO, PCB, PSTU e as centrais sindicais, como CUT, CTB, CSP-Conlutas, Intersindical, contra o golpe e os fascistas.

- Abaixo o fascismo!

- Fora Bolsonaro e todos os golpistas!

- Greve geral por tempo indeterminado! 

21 de dezembro de 2018

Do Groupe Marxiste Internationaliste: Abaixo Macron! Demonstração nacional Unidos no palácio presidencial!



Por que um movimento apareceu a margem dos partidos operários? E dos sindicatos?

O capitalismo, que por muito tempo tem sido administrado por grandes grupos empresariais, deteriorou o meio ambiente por mais de um século, porque se baseia na obtenção do privilégio e na competição, não no interesse da humanidade. Desde a crise capitalista mundial de 1974, a classe trabalhadora francesa sofre com o desemprego em massa. Desde a crise capitalista global de 2008, a classe trabalhadora tem sido empobrecida e precarizada para que a burguesia francesa possa manter seus privilégios. A habitação dos trabalhadores pobres nas cidades deteriora-se, a SNCF [empresa de ferrovias] fecha as pequenas linhas de trem, saúde pública e educação são estranguladas. Os mais pobres dos pobres, os migrantes, são alvo de repressão policial e de fronteiras. A polícia e o exército aumentam seus efetivos e se equipam mais do que nunca.

Hollande e o governo do PS-PRG-EELV governaram pela burguesia e desapontaram as massas de trabalhadores que votaram nele e no PS. Isso facilitou o acesso à presidência de Macron, um antigo banqueiro de investimento e ex-ministro da economia de Hollande. Por dois anos, Macron, em nome da burguesia, redobrou os ataques contra os trabalhadores e reforçou o exploração e a flexibilidade do emprego e dos salários. Em nome da "transição ecológica",  transferiu uma grande parte dos impostos dos capitalistas e ricos para as costas dos trabalhadores. Mas o PS, a La France Insoumise (LFI), o PCF ou Générations explicam que há que se esperar pelas próximas eleições. A LFI defende o protecionismo e faz crer que os problemas vêm do exterior (da UE, da Alemanha ...) e não do capitalismo.

Os dirigentes sindicais da CGT, CFDT, FO, Solidaires ... não conseguiram impedir os ataquesdos governos de Sarkozy, Hollande e Macron, porque eles sempre concordaram em negociá-los e porque eles impediram a Greve Geral. Atualmente, os líderes sindicais concordaram em discutir projetos contra os desempregados, aposentados e funcionários públicos. O PCF, LFI, LO, o NPA... eles sempre o apoiaram. Como surpreender-se, então, com o crescente descontentamento popular finalmente explodisse à margem dos partidos "reformistas" e os sindicatos de trabalhadores?

Um movimento confuso com ações desordenadas

Em 17 de novembro, após as chamadas lançadas nas redes sociais, surgiu uma mobilização visivelmente espontânea contra o aumento dos preços dos combustíveis, "coletes amarelos" como sinal de adesão. Não é enorme, mas dura. Aglomera trabalhadores independentes (especialmente artesãos, alguns agricultores ...), gestores de baixo escalão das empresas, trabalhadores e empregados que precisam do carro para trabalhar, desempregados, vítimas aposentadas do aumento do CSG [contribuição para a Previdência Social] e do bloqueio pensões. Este movimento atravessa várias classes sociais, sem uma organização estruturada, sem assembleias democráticas. Os próprios patrões não apoiam, a federação de transportadores se recusou especialmente a se juntar a ele. Os capitalistas desse setor têm sua recompensa: são sempre isentos de parte dos impostos sobre os combustíveis e as renúncias do governo ao  "imposto sobre veículos pesados".

Atualmente o movimento tem objetivos diferentes e, por vezes, opostos: rejeição do imposto ou da recriação do ISF [Imposto sobre o Patrimônio], renúncia de Macron ou exigência para que acate suas reivindicações. Para expressar que eles representam as pessoas, os manifestantes mostram bandeiras de três cores, sem ver que desde 1848 estas bandeiras são símbolos da submissão dos trabalhadores aos exploradores e poderosos.

As ações, no momento, não são greves, mas bloqueios de travessias e centros comerciais que incomodam os funcionários e jogam os comerciantes contra o movimento. Desorganizado, o "coletes amarelos" sofrem a repressão policial. As manifestações na Champs Élysée também são impotentes e se prestam às manipulações de provocadores e fascistas. Várias vezes alguns deles caíram em racismo e xenofobia. Mesmo no Somme [departamento de norte, perto de Pas de Calais], em 20 de novembro, alguns migrantes sem documentados foram entregues à polícia.

Eleição de delegados de trabalhadores em luta

Macron está desestabilizado. Confiando na confusão dos coletes amarelos, as jogadas políticas da burguesia que competem com a LREM (LR de Wauquiez, DlF de Dupont-Aignan, FN-RN de Le Pen ...) tentam recuperar o movimento enquanto serve aos mesmos interesses que  Macron, o da burguesia francesa.

A responsabilidade das organizações de trabalhadores é imensa. Não têm que fazer como o chefe do CFDT, que correu em socorro de Macron. Nós devemos evitar que eles caiam em desespero e reação. O protesto deve ser dirigido para a unidade dos trabalhadores e para a eficácia. Os sindicatos devem romper com o governo, mobilizar e unir-se a:

• A eliminação de todos os impostos sobre o consumo corrente (IVA, TIPP, TICPE ...)! Imposto Ecológico sobre o grande capital e os ricos! Impostos progressivos sobre renda e riqueza! Fim das isenções fiscais oferecidas aos empregadores e aumento das contribuições dos empregadores! Eliminação das contribuições sociais pagas pelo trabalhador!

• Expropriação de empresas de autoestradas! Expropriação dos bancos que organizam a evasão fiscal dos ricos! Expropriação dos principais grupos petroleiros e automobilísticos! Transporte público gratuito nas áreas metropolitanas e rodovias.

• Proibição de demissões e redução do tempo de trabalho! Aumento do salário mínimo e de todos os salários, ajuste automático de salários e pensões com o CPI! Moradias baratas e de qualidade nas cidades!

• Assembleias gerais em empresas, locais de estudo e bairros! Eleição de representantes! Serviço de Ordem (autodefesa defesa dos trabalhadores – Nota da TML) decidido pelas assembleias para defender greves e manifestações! Coordenação em cada cidade, em cada departamento, em todo o país!

• Abaixo Macron! Manifestação nacional unida na Champs Élysée! Governo dos trabalhadores!

30 de novembro de 2018

Groupe Marxiste Internationaliste (GMI). França

https://groupemarxiste.info/

Nota da TML: A tradução do artigo é de responsabilidade nossa, tendo sido feita a partir da versão espanhola.

20 de dezembro de 2018

Lula livre e Fora Bolsonaro!

© foto: Francisco Proner

*Por Leonardo Silva

A decisão do ministro do STF, Marco Aurélio de Melo, que atendendo hoje recurso imputado pelo PC do B determinou a soltura de todos os presos cuja condenação ainda cabe recurso, o Transito em julgado, beneficia Lula que se encontra preso político desde 7 de Abril nas masmorras da PF em Curitiba-PR. Lula que tem sido vítima de perseguição implacável acentuada pelo golpe de estado de 2016 resultando em sua prisão, foi impedido de concorrer às eleições de 2018 depois de uma manobra ilegal por parte do TSE, sob pressão da burguesia em peso e ameaças dos militares, consumando a operação de fraude que resultou na eleição de Bolsonaro.  Diante desse quadro, com a nova decisão do STF que indica a cisão interna que ainda assola as instituições após o golpe e expõe a divisão das alas do judiciário golpista entre "garantistas'' e lavajateiros, abre-se um impasse e fica claro que Lula é a figura central da resistência popular ao golpe não só pela sua liberdade, mas pela derrota do governo Bolsonaro e pela sua derrubada.

Os setores da burocracia do PT tentaram esconder a figura do ex-presidente para emplacar Haddad como "liderança de resistência" em uma mera oposição parlamentar com uma figura tolerável pelo regime golpista, o que configura uma conciliação escandalosa e ultra-oportunista com a extrema-direita que forma neste momento um governo de expropriação em massa das mínimas condições de vida do povo. Reconhecer o governo Bolsonaro, eleito por menos de 30% da população que em sua grande parte se absteve por não contar com Lula na urna, é reconhecer a fraude e levar as organizações de esquerda ao matadouro do fascismo! 

Porém não se pode ter nenhuma ilusão de que as instituições estão "voltando a normalidade" e que Lula vai ser solto sem resistência por parte dos golpistas, que neste momento já se atropelam em recursos para derrubar a decisão de Mello, ainda que seja por meio de mais arbitrariedades e decisões de caráter anti-constitucional típicas que se aprofundaram desde a derrubada da presidenta Dilma Russeff. É preciso mais que nunca se mobilizar através das organizações operárias e intervir na crise que a decisão de hoje abre, e colocar em cheque a própria legitimidade do governo golpista antes mesmo de sua posse. 

Tendo Lula sido impedido de participar das eleições sem que tivesse sido julgado em última instância, a decisão do STF deve apoiar não só a liberdade do ex-presidente, mas a anulação do pleito de 2018 e por meio da força popular empunhar a bandeira da palavra de ordem pela saída de Bolsonaro e o não reconhecimento de sua eleição. Às ruas companheiros pela imediata liberdade do presidente Lula, por Fora Bolsonaro e por eleições gerais e limpas já!

19 de dezembro de 2018

TML segue simpatizante do COREP

A Tendência Marxista-Leninista, tendo em vista a Carta encaminhada recentemente pelo Coletivo Revolução Permanente (CoReP) aos seus militantes e simpatizantes, decidiu rever sua posição anterior de afastamento como simpatizante do Coletivo, acatar todos os termos da referida missiva, e restabelecer seu vínculo com o mesmo, com o intuito de seguir fraternalmente a cooperação operária, revolucionária e internacionalista, porque a divergência surgida com a postergação de nosso ingresso no CoReP, como membro com plenos direitos, é meramente administrativa e secundária, sendo a luta pela construção de uma Internacional Operária e Revolucionária muito mais importante.

Outrossim, concluiremos em breve a tradução do artigo do Groupe Marxiste Internationaliste (GMI), da França, sobre o movimento dos Coletes amarelos para publicar no nosso blog, assim como a tradução da Resolução do CoReP sobre a conjuntura política do Brasil, que será publicada numa edição especial de nosso Boletim Luta de Classes.

Coordenação da TML

14 de dezembro de 2018

Fascista Temer assina decreto de extradição de Cesare Battisti

© foto: Agência Reuters

O presidente golpista e fascista Michel Temer assinou o decreto de extradição do ex-ativista italiano Cesare Battisti, em colaboração com o fascista ministro Luiz Fux do Supremo Tribunal Federal, o qual sugeriu a extradição.

O Supremo Tribunal Federal, juntamente com o Poder Judiciário, que atuam como de ponta de lança do golpe patrocinado pelos Estados Unidos, o Departamento de Estado e CIA, golpistas esses que fraudaram as eleições presidenciais passadas, colocando no poder o fascista Jair Bolsonaro, repetem o que fizeram com Olga Benário, quando a entregaram para que fosse assassinada por Hitler.

Agora os fascistas brasileiros pretendem entregar Cesare Battisti aos nazifascistas da Polícia Federal brasileira e da Interpol e aos fascistas italianos.

O ataque a Cesar Battisti faz parte da estratégia fascista dos golpistas militares brasileiros, que pretendem suprimir qualquer vestígio de liberdade democrática e de direitos civis, para atacar o movimento operário e popular, visando instituir uma Ditadura Militar como a de 1964/1985 para benefício dos banqueiros, empresários e latifundiários.

A TML segue na luta contra a extradição de Cesare Battisti, para que seja mantido o asilo político do ex-ativista, bem como impulsionará e participará de manifestações contra o governo golpista e suas instituições, pela liberdade do ex-ativista.

Abaixo o fascismo! Fora golpistas! Liberdade para Cesare Battisti!

4 de dezembro de 2018

Juventude do PT do ABC Paulista realiza plenária de organização

Na próxima semana, a Juventude Petista do ABC Paulista realiza um debate sobre o atual cenário político depois da vitória de Jair Bolsonaro para Presidência da República em um pleito marcado por várias irregularidades e fraudes eleitorais.

Com objetivo de organizar ações de resistência ao novo governo eleito, a jovem militância petista irá se reunir no diretório do Partido dos Trabalhadores de Santo André no próximo dia 15, sábado, a partir das 14h.

Confira abaixo a convocatória da Macro PT ABC:

"A Macro JPT ABC convida a todas e todos para um debate sobre a conjuntura política e a organização da resistência a partir da juventude trabalhadora. O evento irá acontecer a partir das 14h no sábado, dia 15, na sede do PT Santo André, que fica localizado na rua Antônio Cardoso Franco, nº 501, bairro Casa Branca. Após as 18h, teremos uma confraternização com bebidas a preços camaradas e música boa. Contamos com a sua presença!

Confirme presença no evento e compartilhe."

23 de novembro de 2018

Judiciário golpista e nazifascista ataca o Partido dos Trabalhadores

O Judiciário golpista ataca o Partido dos Trabalhadores aceitando  nova ação judicial contra Lula, Dilma e outros dirigentes do PT nesta sexta (23), na 10ª Vara Federal de Brasília.

O objetivo dos golpistas é proscrever o PT, os demais partidos operários, as centrais sindicais, os sindicatos e o conjunto do movimento operário e popular, em conformidade com a politica fascista dos militares golpistas. Já conhecemos esse filme, quando em 1946 o Partido Comunista foi cassado.

 A TML se solidariza de forma incondicional com o PT, colocando a necessidade de uma frente dos partidos operários, em aliança  com as  organizações camponesas, o MST, e entidades estudantis, com o objetivo de tomar as ruas das cidades e preparar a greve geral contra os golpistas do Judiciário e das Forças Armadas.

- Abaixo o fascismo!

- Fora golpistas!

19 de novembro de 2018

Trabalhadores da educação: unir forças e expulsar os fascistas da escola!


*Por Leonado Araújo

Desde a eleição fraudulenta de Bolsonaro, que só teve êxito com a proscrição da candidatura de Lula os fascistas estão, embora lenta mas constantemente, tentando tomar conta de todas as organizações sociais e os primeiros alvos são as escolas e universidades. Deputados bolsonaristas eleitos no curral da fraude, convocam alunos a monitorar o conteúdo ministrados pelos professores num claro objetivo de criar um clima de intimidação nas escolas. Alguns pais de alunos estão envolvidos nessa iniciativa e incitando os filhos a filmar e denunciar os professores, deixando claro que a articulação da extrema-direita e de tomar, cada vez mais, o controle da comunidade escolar.


O primeiro passo para a orientação política das organizações de trabalhadores da educação no combate ao golpe e ao fascismo,  é a consciência de que Bolsonaro foi eleito em uma fraude e é a continuação do golpe de estado de 2016. Por tanto, como afirmou o próprio presidente da CUT, Wagner Freitas, não devemos reconhecer como legítimo o governo Bolsonaro, eleito por menos de 30% da população, em uma manobra que impediu a candidatura de Lula e promoveu a maior fraude eleitoral de todos os tempos, lamentavelmente com a colaboração de boa parte das direções da esquerda.

A ofensiva fascista contra os professores deve ser respondida dura e enérgicamente, jamais de forma a rebatida com lamúrias pacifistas ou campanhas de rede social.  É preciso diante de cada ataque dos fascistas, uma ação concreta a altura, não permitir nem dar espaço sequer de debate às concepções educacionais nazistas da extrema-direita tampouco tolerar qualquer iniciativa de intimidação. Hoje eles estão com fogo aberto contra os professores, amanhã já estarão contra todo o movimento operário e camponês.

Trotsky já dizia que com o fascismo não existe debate, só se combate pela força. E é através de uma ampla campanha, com assembléias e debates seguidos de planos de ação em cada escola e universidade, que os trabalhadores da educação em conjunto com pais de alunos das comunidades carentes, o movimento estudantil universitário e secundarista e o setor administrativo, devem se unir e expulsar os fascistas da escola!

28 de outubro de 2018

Nem rir, nem chorar, compreender e organizar a autodefesa

O candidato fascista à presidência da República venceu a eleição antidemocrática, fraudulenta e violenta.  

Como nos ensinou o filósofo holandês Baruch Spinoza, agora não é hora de rir, nem chorar, mas compreender, e, complementamos nós, organizar a autodefesa.

A classe trabalhadora e a maioria oprimida nacional poderá agora ser mais atacada ainda. Já perdeu os direitos da CLT, sofre com terceirização, a PEC da morte, o desemprego de quase 30 milhões  de trabalhadores. Sofre com o encarceramento em massa, com genocídio da população pobre e negra das periferias das cidades, com os assassinatos de camponeses pobres no campo, com o extermínio dos povos indígenas, com as prisões dos lutadores do movimento operário e popular, etc. Também os direitos previdenciários e a aposentadoria poderão ser suprimidos.

Os marxistas-revolucionários seguem combatendo o fascismo, por que este é um instrumento do capital financeiro (basta observar que o avanço da candidatura do fascista fez a Bolsa subir e o dólar cair, pois o “mercado” aposta na superexploracão e opressão dos trabalhadores), bem  como advertem que os fascistas costumam assumir o poder de forma pacífica, como demonstram vários exemplos históricos. Isso aconteceu com Adolf Hiltler na Alemanha, em 1933, quando foi nomeado chanceler, primeiro ministro, pelo presidente alemão Paul von Hindenburg, sendo que depois aconteceu outras vezes, como aqui perto, do nosso lado, no Chile, em 1973, quando o general fascista Augusto Pinochet foi nomeado comandante do Exército por Salvador Allende. Ou seja, eles vão assumindo “pacificamente”, como quem não quer nada, e depois passam a promover a barbárie, como a História tem demonstrado, como poderá acontecer com o Brasil.

Mas nem tudo está perdido, como nos ensinou Leon Trotsky  “As classes nunca consentem em perder sua riqueza, seu poder e sua honra para o jogo do parlamentarismo democrático. Elas sempre resolvem a questão seriamente.” (Leon Trotsky, “Entre o Imperialismo e a Revolução”, 1922).

Temos de aprender a lição: a política reformista de conciliação e colaboração de classes das direções atuais do movimento operário e popular somente aplaina o terreno para a reação.  O capitalismo não dá para ser reformado. As mínimas reformas conseguidas, logo poderão ser retiradas. A época imperialista é a da reação em toda linha. A emancipação dos trabalhadores somente se dará através da revolução proletária com a instauração de um governo operário e camponês, rumo ao socialismo.

Assim sendo, nós marxistas-revolucionários acreditamos que, antes, durante e depois das eleições, para enfrentar de maneira realista a situação, há que centrar as massas em si mesmas, em sua auto-organização (chamar à criação e centralização em comitês de autodefesa nas fábricas, nas empresas, bairros, favelas, no campo, nas escolas, nas universidades...), porém sem esquecer nunca das organizações operárias que já existem como a CUT, a CTB, a CSP-Conlutas, e as demais centrais e sindicatos, o PT, PSOL, PSTU, PCdoB, PCB e PCO que devem ser obrigados a preparar – em frente única de classe – essa autodefesa, que é de vida ou morte.

27 de outubro de 2018

Sindicalista colaboradora da TML recebe homenagem na Câmara de São Bernardo

A nossa camarada, Dra. Simone Bazilevski, cirurgiã-dentista aposentada, foi homenageada no Dia do Funcionário Público, em razão de sua trajetória de lutas no sentido da independência de nossa classe, juntamente com outros companheiros, em sessão solene na Câmara Municipal de São Bernardo do Campo, por iniciativa da atual gestão do Sindicato dos Servidores e Empregados Públicos de São Bernardo do Campo, presidido por José Rubem, sendo que a referida sessão foi presidida pelo vereador Antônio Carlos da Silva, o Toninho da Lanchonete, do Partido dos Trabalhadores.

Simone é cirurgiã-dentista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC de Campinas), tendo trabalhado a partir do início da década de 80 do Século passado no Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil e do Mobiliário de São Bernardo do Campo, no Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários do Grande ABC, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e durante aproximadamente 30 anos na Prefeitura Municipal de São Bernardo do Campo, onde se aposentou em 2016.

Além disso, a camarada foi dirigente do Sindicato dos Servidores Municipais de São Bernardo do Campo,  na gestão 95/97, exercendo o cargo de Diretora de Saúde. Depois, em razão de vacância na diretoria do SINDSERV, foi eleita pelos servidores, em Assembleia Geral Extraordinária, em 14 de outubro de 2016, para a presidência da Junta Governativa com o encargo de organizar as novas eleições da entidade sindical, conduzindo os trabalhos de forma exemplar, assegurando a manutenção da independência política do SINDSERV.

Em 1996, foi candidata ao cargo de vereadora da cidade, pelo PT. Atualmente, está afastada da Odontologia por problemas de saúde devido ao longo período em que exerceu a profissão, todavia tornou-se artesã e segue sua atividade política, colaborando com a TML, da qual é simpatizante.

13 de outubro de 2018

Saiu a segunda edição do jornal Revolução Permanente, publicação da TML

No dia 10 de outubro foi publicado o Jornal da TML, formato 23 X 38 cm, com tiragem de 6.000 exemplares, com a manchete de ABAIXO O FASCISMO E FORA GOLPISTAS e AGORA É HADDAD E MANU! LULA LIVRE!

O Editorial do Jornal aborda a questão da luta pela Internacional, sendo que os demais artigos abordam: o apoio crítico da TML à coligação de do PT/PCdoB, a necessidade de trabalho nos sindicatos, um artigo sobre o incêndio no Museu Nacional, um artigo teórico contra as frentes de colaboração de classes com a burguesia, outro internacional sobre a condenação do militante trotskista turco Kadir Çinar por “delito” de opinião e outro sobre “A crise argentina atinge a Volks em São Bernardo do Campo”.

Os exemplares podem ser adquiridos junto aos militantes da TML ou solicitados tml.revolucaopermanente@gmail.com para serem entregues pelo correio.

30 de setembro de 2018

Crise argentina atinge a Volks em S. Bernardo

© foto: Adonis Guerra/ SMABC

A Volkswagen de São Bernardo do Campo dará férias coletivas a 1.800 operários metalúrgicos, a partir do dia 8 de outubro de 2018, por 30 dias, alegando “adequação da produção por conta da redução de exportações para a Argentina, principal parceira comercial da região, que passa por crise econômica e desvalorização da moeda local.” (Diário do Grande ABC, 29/09/2018).

Essa notícia foi objeto do Editorial do jornal e da página de Economia.

O Editorial assinalou que:

“Em momento tão delicado como o que atravessa a economia brasileira, com elevado número de desempregados, esse é o tipo de notícia que gera preocupação imediata. Não apenas aos trabalhadores da Volks, mas à região como um todo e ao País.

É inegável pensar que se não houver reação imediata, os 30 dias iniciais das férias coletivas podem ser ampliados e, em caso extremo, resultar em cortes. Sem contar a possibilidade de que se espalhe para outras multinacionais, que, assim como a Volks, vendem seus produtos para a Argentina.

As perspectivas para o país vizinho, entretanto, não são das melhores. Nesta semana foi paralisado por greve geral, motivada pela desvalorização da moeda, pelo desemprego e a elevação da pobreza.

No mundo globalizado, não há fronteiras nem para a crise.”

Ainda, segundo o referido jornal, “O contingente que sai de folga representa cerca de 20% do total de trabalhadores da fábrica da Anchieta, que atualmente é de 9.163 profissionais. Em agosto, a montadora deixou 1.000 em casa por 30 dias.” (Idem).

“Por conta dos problemas no país vizinho, que consumiu  47,08% (US$ 1,05 bilhão) do total exportado pelo setor automotivo da região neste ano, as demais empresas também sentiram queda nas exportações, conforme reportagem publicada pelo  Diário no dia 22.

Questionadas, Mercedes, Ford e Toyota afirmaram que, por enquanto, não possuem previsão da utilização das férias  coletivas. GM também não.” (Idem)

“Ainda no ano passado, 1.337 funcionários aderiram ao PDV (Programa de Demissão Voluntária) em 2016.” (Idem)

A crise econômica da Argentina é o resultado da política do Presidente Maurício Macri, agente do imperialismo, da burguesia e da política de conciliação e colaboração de classes das direções dos partidos operários e das centrais sindicais, que praticamente levaram ao desmonte da economia e à recolonização do país.

De certa forma, é a mesma política que está sendo aplicada pelos golpistas liderados por Michel Temer, no Brasil. É uma política de gigantesco ataque às conquistas da classe trabalhadora.

É preciso estarmos alerta, pois a Volks, mesmo tendo um crescimento de “33% nas vendas nacionais e, do setor automotivo, 14%, em relação ao ano passado” (Idem) não titubeará em jogar os prejuízos nas costas do trabalhadores.

Assim, tendo em vista essa notícia, é fundamental que os companheiros metalúrgicos de todas as fábricas do ABC exijam da diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC a convocação imediata de uma Assembleia Geral da categoria para discutir um plano de lutas e para nos preparar contra possíveis ataques às nossas conquistas.

24 de setembro de 2018

Tendência Marxista-Leninista apoia a coligação do PT-PCdoB

A TML decidiu apoiar criticamente a coligação PT-PCdoB, com Fernando Haddad, presidente, e Manuela D´Ávila, vice, à presidência da República. A curtíssima eleição presidencial do regime golpista nem bem começou e já está marcada pela fraude e pela violência, as quais tendem a se agravar e bater o recorde das eleições municipais de 2016, onde ocorreram 45 atentados e 26 mortes.

No Rio de Janeiro, que com a intervenção militar somente aumentou a violência, no dia 28 de julho, no Festival Lula Livre, nos Arcos da Lapa, militantes do Partido da Causa Operária (PCO) foram agredidos por “fiscais” do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), verdadeiro bando fascista, organizados pelos golpistas do judiciário, os quais arrancaram as bandeiras do PCO, partido com o qual a TML manifesta total e incondicional apoio contra a violência perpetrada pelo bando fascista do TRE carioca. Na quinta-feira, dia 6 de setembro, o candidato fascista à presidência da República, Jair Bolsonaro, foi esfaqueado, na cidade de Juiz de Fora.

Os marxistas revolucionários são contra o terrorismo e ações individuais “exemplares”, porque somente acreditam na ação direta das massas, como nos ensinou Karl Marx: “A emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores.” Mas, por outro lado, combatem o fascismo, por que este é um instrumento do capital financeiro (basta observar que o avanço da candidatura do fascista faz a Bolsa subir e o dólar cair, pois o o “mercado” aposta na superexploracão e opressão dos trabalhadores), bem  como advertem que os fascistas costumam assumir o poder de forma pacífica, como demonstram vários exemplos históricos. Isso aconteceu com Adolf Hiltler na Alemanha, em 1933, quando foi nomeado chanceler, primeiro ministro, pelo presidente alemão Paul von Hindenburg, sendo que depois Hitler provocou incêndio no Reichstag (Parlamento alemão). Outro caso bem próximo, ocorreu no Chile, em 1973, quando o general fascista Augusto Pinochet foi nomeado comandante do Exército por Salvador Allende. Ou seja, eles vão assumindo “pacificamente”, como quem não quer nada, e depois passam a promover a barbárie, como a História tem demonstrado.

A principal violência das eleições é o impedimento pelos golpistas da candidatura de Lula do Partido dos Trabalhadores (PT), que liderava em todas as pesquisas, preso político, vítima da farsa da Lava Jato, operação concebida pelo Departamento de Estado, pela CIA, e executada pela embaixadora golpista profissional dos Estados Unidos que ronda os países sul-americanos, juntamente com o judiciário e o Supremo e tudo (Câmara dos Deputados e Senado Federal). A burguesia tenta por meio das eleições uma saída para a crise econômica e política do regime golpista. 

Reproduzimos mais uma vez o panorama da crise econômica nos dá Paulo Feldmann em seu artigo na Folha de S. Paulo de 18/8/2018, intitulado “A tributação de dividendos pode contribuir para reduzir o déficit público”, onde afirma que “Aqui, o grupo mais rico constituído por 2 milhões de pessoas – ou seja, 1% da população – recebe 28% de toda a renda do país.” E “neste ano, os números do governo devem fechar, se formos otimistas, com um déficit de R$ 150 bilhões.”  Concluindo: “Esta semana o IBGE divulgou que existem 27,6 milhões de brasileiros que não encontram trabalho.”

Novamente completamos o quadro acima com os dados fornecidos pelo preocupado analista burguês Bruno Madruga em seu artigo no Diário do Grande ABC, também de 18/8/2018, no qual diz que:

“Esse cenário culminou em queda de -4,76% no Ibovespa até o último pregão de junho, eliminando o crescimento dos primeiros meses do ano. No Exterior, três grandes fatores foram os responsáveis por esse declínio: o aumento da taxa de juros norte-americana; a tensão comercial entre Estados Unidos e China; e o enfraquecimento da economia chinesa. Isso trouxe uma percepção de maior risco para os mercados emergentes e impactou negativamente o mercado brasileiro.

Já no campo doméstico, dados de atividade econômica mais fracos, que desapontaram os investidores, e a recente greve dos caminhoneiros trouxeram incerteza ainda maior. Assim, a expectativa de um PIB (Produto Interno Bruto) de 3% de alta neste ano, caiu para 1,5%.  No cenário político, a incerteza é ainda maior, visto que as candidaturas que estão à frente das pesquisas se mostram menos comprometidas com as reformas necessárias ao Brasil. Esses fatores ocasionaram queda de 20% na Bolsa de Valores desde meados de maio até o fim de junho. A incerteza também afetou os fundos multimercados, os fundos imobiliários e até mesmo títulos de renda fixa de maior prazo, pois vimos as taxas de juros longas, com vencimentos em 2023 e 2025, subirem forte no momento de estresse, assim como o dólar, que chegou a atingir patamares próximos a R$ 4.

Para o próximo semestre, a percepção de risco não deve diminuir.  (...) Desta forma, o mercado deve continuar volátil e desafiador neste semestre. Trabalhamos com a taxa Selic em 6,5% ao ano até o fim de 2018, e cenário do Ibovespa na casa de 90 mil pontos (...).”

O Brasil chegou a essa enorme crise econômica a partir de 2013, com a chegada de forma retardatária da crise econômica no coração do imperialismo americano com a quebra do Banco Lehman Brothers e o estouro da bolha imobiliária, em 2008.

A partir daí a burguesia nacional e o imperialismo não mais admitiram a política minimamente reformista do PT (Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Fies, etc), que se apoiava no “boom” das "commodities" (petróleo, minério de ferro, soja, carne, etc.) e impulsionaram o golpe de Estado para a derrubada do poder da presidenta do PT, Dilma Rousseff.

Assim, a crise econômica potencializou e potencializa a crise política do regime golpista. Lula liderava a corrida eleitoral, sendo que as candidaturas burguesas não decolaram, principalmente a de Geraldo Alckmin, o candidato ungido pelo imperialismo e a burguesia brasileira, com o acordo com o denominado Centrão.

Por outro lado, o PT manteve a candidatura de Lula no limite (embora tenha sido forçado a substitui-lo por Fernando Haddad), o que foi mais um fator a desestabilizar o regime golpista.

O regime golpista se apoia no Poder Judiciário que tem sido a ponta de lança do golpe até aqui, inclusive impede a candidatura mais popular, a de Lula, com a prisão política deste, produto da farsa judicial denominada Operação Lava Jato, concebida pela CIA.  Por outro, apoia-se nos militares, os quais vêm gradativamente assumindo postos importantes, ministérios, e aumentando a violência do regime golpista, como demonstra a intervenção no Rio de Janeiro e a escalada do encarceramento e o genocídio em massa da população pobre e negra das periferias das cidades, a matança de camponeses pobres e índios,  e as prisões políticas de lutadores do movimento popular.

Recentemente recebemos a notícia de que a Comissão de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) recomendou ao governo golpista brasileiro que garantisse a participação de Lula nas eleições presidenciais. Em primeiro lugar, a TML enfatiza que a ONU não passa de um covil de bandidos, como disse Lênin de sua antecessora, a Sociedade das Nações. Quem duvida, ou acha que isso é um exagero, é só lembrar que a ONU é formada e dirigida pelos Estados imperialistas, tendo à frente os Estados Unidos, a Inglaterra, a França, a Alemanha, Rússia, China e Japão, além do que em 1948 criou o Estado sionista e terrorista de Israel, o qual ocupa a Palestina e cotidianamente massacra seu povo. Em segundo lugar, tal recomendação demonstra a preocupação, a insegurança e a divisão do imperialismo com relação à situação da conjuntura brasileira que tende a fugir do controle, com a entrada em cena e o protagonismo da classe operária e do movimento de massas, ao mesmo tempo que escancara o tamanho da fraude eleitoral.

Anteriormente a esta proposta, o nosso camarada Leonardo Silva, manifestou, inclusive em artigo em nosso Blog, que eleição sem Lula é fraude (“Haddad é um bife passado na chapa para os Golpistas”, Blog da TML, 28/08/2018).

Além disso, em 11/09/2018, um camarada sul-americano,  manifestou uma posição contrária à nossa, conforme segue:

“Estou lendo na Web dos camaradas brasileiros da TML e a situação política no Brasil, mas além das vias que os camaradas propõe para organizar a classe na sua ruptura com os aparatos da CUT e do PT e para frear a ofensiva reacionária, há um fato ausente na situação, a possibilidade de milhões ante a proibição de Lula como candidato votem em branco ou anulem o voto.

E outro fato ausente é a possibilidade que o aparato central do PT com o mesmo Lula, apresentem um candidato “alternativo” para implicar a milhões sustentação do regime, legitimando assim as eleições de outubro.

Não vejo outra consigna central para esta situação mais que convocar a votar em branco ou anular o voto, rechaçando as eleições fraudulentas e antidemocráticas que se preparam.”

A Coordenação da TML respeita as posições acima mencionadas, mas diverge das mesmas.

Por outro lado, a TML pondera fraternalmente com o Partido da Causa Operária (PCO), o qual disse que eventual governo de Jair Bolsonaro, o candidato fascista brasileiro, seria fraco. Será que os camaradas não estão cometendo o mesmo erro do Partido Comunista alemão, em 1933, quando dizia que "a vitória de Hitler era apenas um passo em direção à vitória de Thaelmann [principal dirigente comunista]." ? "Thaelmann está nas prisões de Hitler há mais de cinco anos.", a citação é do Programa de Transição, de Leon Trotsky, 3 de setembro de 1938. Isso não quer dizer que sejamos favoráveis a uma frente com Geraldo Alckmin e Ciro Gomes, mas sim somos favoráveis a uma frente dos partidos operários, como PT/PCdoB/PCB/PSOL/PSTU/PCO, ou seja, uma frente operária, camponesa e estudantil, que nesta eleição pode apoiar a coligação PT/PCdoB, de Fernando Haddad e Manuela D´Ávila, exigindo a saída do inexpressivo e burguês PROS (a sombra da burguesia). Essa frente operária deve ser não apenas eleitoral, mas sobretudo com o objetivo de impulsionar a ação direta das massas contra o fascismo.

Os marxistas revolucionários não semeamos ilusões em pleitos burgueses, ao contrário denunciamos seu caráter antidemocrático, fraudulento e violento, ao mesmo tempo que aproveitamos para propagandear o nosso programa operário, marxista e revolucionário, por meio de candidaturas operárias e socialistas revolucionárias, buscando elevar o nível de conscientização da classe operária para torná-la de classe em si em classe para si, porque sabemos que somente a ação direta e revolucionária das massas, através da revolução proletária poderá destruir o Estado burguês e suas instituições reacionárias que exploram o povo, rumo a um nova sociedade sem exploração do homem pelo homem, uma sociedade de associação de trabalhadores, uma sociedade socialista.

Nestas eleições, fraudulentas e antidemocráticas como todas as eleições no Estado burguês, pois a democracia burguesa mais avançada não passa da ditadura do capital, entendemos que, embora o PT e o PCdoB tenham programa limitado, pequeno-burguês democratizante e reformista, isto é, de democratização e reformas do Estado burguês (não somos contra as reformas, mas elas não resolvem a questão da emancipação da classe trabalhadora  não rompendo os marcos do capitalismo, porque este não tem como ser reformado; o capitalismo é crise em cima de crise, é a perda total, somente comportando um novo sistema, o socialismo),  votar na coligação PT-PCdoB significa apoiar a luta contra o golpe de Estado que segue em andamento e ajudar as massas a realizarem uma importante e completa experiência (não podemos levar apenas em consideração o nível de conscientização da vanguarda operária e revolucionária) no sentido de superar essa direção democratizante e reformista, que desenvolve um política de conciliação e colaboração de classes, apontando o caminho para a formação de um partido operário e revolucionário e para a ação direta das massas no sentido da revolução proletária e socialista.

A TML defende, ainda, a saída do inexpressivo partido burguês PROS da coligação, assim como de um eventual governo.

Nessa perspectiva, a TML defende o voto na coligação do PT-PCdoB, encabeçada por Haddad e Manuela, e em candidatos operários e socialistas revolucionários, acompanhado de um programa de transição para a revolução socialista, pela realização de um Congresso da classe trabalhadora, em São Paulo, com delegados de base eleitos nos Estados da Federação brasileira, para a discussão de um programa de lutas pela liberdade imediata de todos os presos políticos, como Lula, João Vaccari e Delúbio Soares; pela escala móvel de salario, com reajustes e aumentos de acordo com os índices do DIEESE; redução da jornada de trabalho para 35 horas, sem redução de salários; contra o congelamento dos gastos públicos por 20 anos (resultado da aprovação da PEC do fim do mundo); anulação da “Reforma Trabalhista”; contra a “Reforma da Previdência”, contra o fim da aposentadoria e dos direitos previdenciários; Fundo Desemprego, com os trabalhadores empregados doando 0,5% do salário mensal; ampliação dos comitês de luta contra o golpe; formação de comitês de autodefesa, isto é, de milícias operárias e populares a partir dos sindicatos;  expropriação dos meios de produção: fábricas, bancos; universidades e escolas para implantação do ensino público e gratuito; reforma e revolução agrária,  expropriação dos latifúndios; expulsão do imperialismo;  monopólio do comércio exterior e economia planificada, instaurando um governo revolucionário operário e camponês, rumo ao socialismo.

Coordenação da TML

8 de setembro de 2018

Eleições presidenciais no Brasil: fraude e violência

© foto: Francisco Aragão

A curtíssima eleição presidencial do regime golpista nem bem começou e já está marcada pela fraude e pela violência, as quais tendem a se agravar e bater o recorde das eleições municipais de 2016, onde ocorreram 45 atentados e 26 mortes.

No Rio de Janeiro, que com a intervenção militar somente aumentou a violência, sendo que no dia 28 de julho, no Festival Lula Livre, nos Arcos da Lapa, militantes do Partido da Causa Operária (PCO) foram agredidos por “fiscais” do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), verdadeiro bando fascista, organizados pelos golpistas do judiciário, os quais arrancaram as bandeiras do PCO, partido com o qual a TML manifesta total e incondicional apoio e solidariedade contra a violência perpetrada pelo TRE carioca.

Na quinta-feira, dia 6 de setembro, o candidato fascista à presidência da República, Jair Bolsonaro, foi esfaqueado, na cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais.

Os marxistas revolucionários são contra o terrorismo e ações individuais “exemplares”, porque somente acreditam na ação direta das massas, como nos ensinou Karl Marx: “A emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores.” Mas, por outro lado, combatem o fascismo porque este é um instrumento do capital financeiro, bem  como advertem que os fascistas costumam assumir o poder de forma pacífica, como demonstram vários exemplos históricos. Isso aconteceu com Adolf Hiltler na Alemanha, em 1933, quando foi nomeado chanceler, primeiro-ministro, pelo presidente alemão Paul von Hindenburg, sendo que depois Hitler provocou incêndio no Reichstag (Parlamento alemão). Outro caso bem próximo a nós brasileiros, ocorreu no Chile, em 1973, quando o general fascista Augusto Pinochet foi nomeado comandante do Exército por Salvador Allende. Ou seja, eles vão assumindo "pacificamente", como quem não quer nada, e depois passam a promover a barbárie, como a História tem demonstrado.

Outra violência bastante significativa é o impedimento pelos golpistas da candidatura de Lula do Partido dos Trabalhadores (PT), líder em todas as pesquisas, preso político, vítima da farsa da Lava Jato, operação concebida pelo Departamento de Estado, pela CIA, e executada pela embaixadora golpista profissional dos Estados Unidos que ronda os países latino-americanos, juntamente com o judiciário e o Supremo e tudo (Câmara dos Deputados e Senado Federal, o Congresso Nacional).

A burguesia tenta por meio das eleições uma saída para a crise econômica e política do regime golpista. 

Um panorama da crise econômica nos dá Paulo Feldmann em seu artigo na Folha de S. Paulo de 18/8/2018, intitulado “A tributação de dividendos pode contribuir para reduzir o déficit público”, onde afirma que “Aqui, o grupo mais rico constituído por 2 milhões de pessoas – ou seja, 1% da população – recebe 28% de toda a renda do país.” E “neste ano, os números do governo devem fechar, se formos otimistas, com um déficit de R$ 150 bilhões.”  Concluindo: “Esta semana o IBGE divulgou que existem 27,6 milhões de brasileiros que não encontram trabalho.”

Tal quadro pode ser completado com os dados fornecidos pelo preocupado analista burguês Bruno Madruga em seu artigo no Diário do Grande ABC, também de 18/8/2018, no qual diz que:

“Esse cenário culminou em queda de -4,76% no Ibovespa até o último pregão de junho, eliminando o crescimento dos primeiros meses do ano. No Exterior, três grandes fatores foram os responsáveis por esse declínio: o aumento da taxa de juros norte-americana; a tensão comercial entre Estados Unidos e China; e o enfraquecimento da economia chinesa. Isso trouxe uma percepção de maior risco para os mercados emergentes e impactou negativamente o mercado brasileiro.

Já no campo doméstico, dados de atividade econômica mais fracos, que desapontaram os investidores, e a recente greve dos caminhoneiros trouxeram incerteza ainda maior. Assim, a expectativa de um PIB (Produto Interno Bruto) de 3% de alta neste ano, caiu para 1,5%.  No cenário político, a incerteza é ainda maior, visto que as candidaturas que estão à frente das pesquisas se mostram menos comprometidas com as reformas necessárias ao Brasil. Esses fatores ocasionaram queda de 20% na Bolsa de Valores desde meados de maio até o fim de junho. A incerteza também afetou os fundos multimercados, os fundos imobiliários e até mesmo títulos de renda fixa de maior prazo, pois vimos as taxas de juros longas, com vencimentos em 2023 e 2025, subirem forte no momento de estresse, assim como o dólar, que chegou a atingir patamares próximos a R$ 4.

Para o próximo semestre, a percepção de risco não deve diminuir.  (...) Desta forma, o mercado deve continuar volátil e desafiador neste semestre. Trabalhamos com a taxa Selic em 6,5% ao ano até o fim de 2018, e cenário do Ibovespa na casa de 90 mil pontos (...).”

A crise econômica potencializa a crise política do regime golpista. Lula lidera a corrida eleitoral, sendo que as candidaturas burguesas não decolam, principalmente a de Geraldo Alckmin, o candidato ungido pelo imperialismo e a burguesia brasileira, com o acordo com o denominado Centrão.

Por outro lado, o PT mantém a candidatura de Lula, o que é mais um fator de desestabilização do regime golpista.

O regime golpista se apoia no Poder Judiciário que tem sido a ponta-de-lança do golpe até aqui, inclusive impede a candidatura mais popular, a de Lula, com a prisão política deste, produto da farsa judicial denominada Operação Lava Jato, concebida pela CIA.  Por outro, apoia-se nos militares, os quais vem gradativamente assumindo postos importantes, ministérios, e aumentando a violência do regime golpista, como demonstra a intervenção no Rio de Janeiro e a escalada do encarceramento em massa da população pobre e negra das periferias das cidades e as prisões políticas de lutadores do movimento popular.

Recentemente recebemos a notícia de que a Comissão de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) recomendou ao governo golpista brasileiro que garantisse a participação de Lula nas eleições presidenciais. Em primeiro lugar, a TML enfatiza que a ONU não passa de um covil de bandidos, como disse Lênin de sua antecessora, a Sociedade das Nações. Quem duvida, ou acha que isso é um exagero, é só lembrar que a ONU é formada e dirigida pelos Estados imperialistas, tendo à frente os Estados Unidos, a Inglaterra, a França, a Alemanha, a Rússia, a China e o Japão, além do que, em 1948, criou o Estado sionista e terrorista de Israel,  o qual ocupa a Palestina e cotidianamente massacra seu povo. Em segundo lugar, tal recomendação demonstra a preocupação, a insegurança e a divisão do imperialismo com relação à situação da conjuntura brasileira que tende a fugir do controle, com a entrada em cena e o protagonismo da classe operária e do movimento de massas, ao mesmo tempo que escancara o tamanho da fraude eleitoral.

Os marxistas revolucionários não semeiam ilusões em pleitos burgueses, ao contrário denunciam seu caráter antidemocrático, fraudulento e violento, ao mesmo tempo que aproveitam para propagandear seu programa operário, marxista e revolucionário, por meio de candidaturas operárias e socialistas revolucionárias, porque sabem que somente a ação direta e revolucionária das massas, através da revolução proletária poderá destruir o Estado burguês e suas instituições reacionárias que exploram o povo.

Nessa perspectiva, a TML defende a realização de um Congresso da classe trabalhadora, em São Paulo, com delegados de base eleitos nos Estados da Federação brasileira, para a discussão de um programa de lutas pela liberdade imediata de todos os presos políticos, como Lula, João Vaccari e Delúbio Soares; formar comitês de autodefesa, milícias operárias e populares a partir dos sindicatos e ampliar os comitês de luta contra o golpe; defesa das bandeiras da escala móvel de salário, com reajustes e aumentos de acordo com os índices do DIEESE; redução da jornada de trabalho para 35 horas, sem redução de salários; contra o congelamento dos gastos públicos por 20 anos (resultado da aprovação da PEC do fim do mundo); anulação da “Reforma Trabalhista”; contra a “Reforma da Previdência”, contra o fim da aposentadoria e dos direitos previdenciários; Fundo Desemprego, com os trabalhadores empregados doando 0,5% do salário mensal; Fora Temer! Abaixo o Golpe!; expropriação dos meios de produção: fábricas,  empresas, bancos para o controle operário, direção e livre associação dos trabalhadores; universidades e escolas para implantação do ensino público e gratuito com direção da comunidade universitária (professores, estudantes e funcionários); reforma e revolução agrária,  expropriação dos latifúndios, terra para quem trabalha; expulsão do imperialismo; monopólio do comércio exterior e economia planificada, instaurando um governo revolucionário operário e camponês, rumo ao socialismo e da construção da Internacional Operária e Revolucionária.

4 de setembro de 2018

Atear fogo no Golpe antes que ele queime nossa história!

* por Leonardo Silva

Hoje, dia 03/09 de 2018 é um dia fatídico para a história nacional, e um dia que podemos dizer que fomos duramente atacados pelo imperialismo e pelo regime golpista de conjunto. O Incêndio no Museu Nacional, a nossa mais antiga instituição científica, foi mais um atentado criminoso e de lesa-pátria que não poderá ficar impune diante da luta por justiça popular, bem como todo o repertório de ataques dos golpistas até este momento. A burguesia pró-imperialista, decadente e sedenta do sangue do povo, nunca deu e nunca dará a mínima importância para o patrimônio histórico, natural e cultural de nosso país.

Soma-se este último acontecimento a decisão ilegal e conspirativa do TSE para impedir Lula de ser candidato, usando descaradamente como papel higiênico a liminar da ONU que determina que sejam respeitados os direitos políticos do ex-presidente. Diante disso tudo tem que ficar claro,  de vez por todas, que o regime não comporta nenhum tipo de acordo, e que a defesa de Lula e a luta pela sua liberdade é um fator inarredável para a derrota da ditadura jurídica que se instaurou em nosso país. 

Nada de plano B, nada de legitimar farsa eleitoral, nada de ter ilusão no processo eleitoral controlado pela direita golpista como se fosse a volta de uma "normalidade democrática" que o golpe descortinou expondo ser não mais que aparências.

A luta pela Liberdade do companheiro Lula, e a persistência de sua candidatura até a última trincheira, é a chama de onde se alastra verdadeira rebelião popular, organizada e compacta, para derrubar o regime golpista que dia a dia deteriora as condições de vida do país e de onde sairá a luta contra o imperialismo. Ou ateamos fogo ao regime golpista, ou ele queimará toda a nossa historia!

28 de agosto de 2018

Haddad é um bife passado na chapa para os Golpistas

*por  Leonardo Silva

A TML publica abaixo a apresentação e a contribuição do camarada recém-ingresso nas nossas fileiras, o professor  Leonardo Silva, de Goiânia, Goiás, o qual passa a ser nosso colunista.

Sou professor da rede pública de ensino médio e fundamental. Venho das fileiras operárias da periferia de Goiânia, Goiás, onde nasci e cresci. Militante petista há 15 anos, atuei no movimento estudantil de ocupação das universidades, na UFG (Universidade Federal de Goiás) após o golpe de estado de 2016 e me filiei ao Partido dos Trabalhadores pela corrente O Trabalho. Rompi com a corrente após divergências com relação à aliança de luta do PT com o Partido da Causa Operária PCO, partido oriundo da antiga corrente trotskista expulsa do PT em 1990. Entro para as fileiras da TML, Tendência Marxista-leninista, após a Conferência Nacional de Luta contra o Golpe ocorrida em Júlio de 2018, para colaborar com os companheiros que lutam para derrotar o golpe de estado imperialista imposto no Brasil e na América Latina.  


A ilusão no processo eleitoral e a pressão pelo plano B por parte de vários setores da esquerda aumenta à medida em que Lula, que se manteve irresoluto na sua posição como candidato do PT, representando um problema para o Golpe e para a burguesia de modo geral.  

Mal se apontou como candidato a vice, Fernando Haddad PT-SP se encontra debaixo de campanha de desmoralização da imprensa golpista, e que se soma agora ao questionamento do MPF à suas visitas a Lula como seu advogado porta-voz de campanha. Isso só vem a reforçar a nossa tese de que a eleição não pode de forma alguma ser legitimada sem a participação do candidato mais popular do país.  A alegação de que Lula transferiria todos os seus votos para Haddad não é factível à medida em que a direita controla todo o processo eleitoral, desde as comunicações, o financiamento e à própria rede de relações íntimas com a raiz do golpe, o imperialismo.   Supor que Haddad, cuja a base é a classe média, sendo indicado por Lula ganhe um processo eleitoral totalmente fraudado e anti-democrático é acreditar por exemplo que Lula perdeu para Collor em 89 por seus próprios deméritos e não por uma intensa campanha manipulatória e terrorista da direita capitaneada pela Rede Globo. 

A Mensagem ao Partido, que dirige a campanha pela capitulação através do "Plano B", só não explica à militância os motivos pelos quais a destruição de reputações, devastação moral e proscrição promovida pela direita contra os principais dirigentes do PT, neutralizaram os aspirantes a serem os continuadores dos governos petistas, e não responde como com Haddad poderia ser diferente. Lula debaixo de fogo cruzado há anos só aumenta sua popularidade, por ser o fenômeno que agrupa em torno de si as massas e a oposição à devastação neoliberal da economia nacional, as condições de vida dos trabalhadores e expressa a luta de classes no país desde o fim da ditadura militar. Haddad, perto do poder popular real que representa Lula, é um bife passado na chapa pronto para ser engolido, enquanto Lula está entalado na garganta da burguesia. Portanto não vamos aceitar a pressão para o plano B, que é claramente um acordo de capitulação ante ao golpe, e colaboração para  que eles legitimem nas urnas, num processo totalmente fraudulento, o Golpe de Estado de 2016.

11 de agosto de 2018

Chapa 1 'Audálio Dantas - Por direitos e democracia', da CUT, é eleita no Sindicato dos Jornalistas, em SP

Os jornalistas do Estado de São Paulo elegeram a nova diretoria do Sindicato para os próximos três anos (2018/2021). A chapa cutista , única inscrita, obteve 91% do total de votos, isto é, 537 de 592 votos. Liderada por Paulo Zocchi, jornalista da Editora Abril, e membro da corrente interna do PT “O Trabalho”, que segue como presidente do Sindicato, apresenta como plataforma a luta pela preservação dos direitos dos jornalistas, pela anulação da “Reforma Trabalhista”, contra a “Reforma da Previdência”, pelas liberdades democráticas, contra o arbítrio, a violência institucional, defendendo a importância da sindicalização dos jornalistas, com o objetivo de fortalecer o Sindicato como instrumento de luta.

Cumpre destacar que a diretoria eleita é composta por mais de 50% de mulheres jornalistas. Além disso, no pleito realizado, foi eleita a nova Comissão de Ética do Sindicato. O nosso companheiro Cadu Bazilevski, assessor do Deputado Federal Vicentinho, foi eleito Diretor Regional do ABC.

A TML que ao longo dos anos tem apoiado a luta dos jornalistas do Estado de São Paulo, sobretudo neste momento de retrocesso político, saúda a diretoria eleita, o seu esforço e a sua luta, desejando sucesso no enfrentamento do golpe de estado, contra os ataques à classe trabalhadora, contra o desemprego, precarização, terceirização, pela anulação da “Reforma Trabalhista” e contra a “Reforma da Previdência”.

4 de agosto de 2018

Greve na Refinaria de Capuava no ABC já dura mais de uma semana

220 trabalhadores terceirizados da manutenção da Refinaria de Capuava (Recap), em Mauá, no ABC paulista, que trabalham para a contratada Manserv, encontram-se em greve há mais de uma semana, pleiteando reajuste de 2,5% de vale-alimentação e mudança no plano de saúde, para que a rede credenciada na região seja ampliada.

A mobilização dos operários demonstra enorme disposição de luta contra a superexploração a que são submetidos pelo governo golpista de Michel Temer e seus prepostos da Manserv, que acabaram com a CLT e pretendem acabar com a Previdência Social, com aposentadoria e os direitos previdenciários, visando recolonizar e escravizar a classe trabalhadora. 

Percebe-se que os operários estão fazendo greve  sobretudo em razão do descontentamento com a exploração a que estão sendo submetidos, porque a pauta apresentada pela diretoria do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário em Santo André, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra é  muito rebaixada, não incluindo a fundamental reivindicação de que os trabalhadores terceirizados sejam contratados pela Refinaria de Capuava, para por fim à superexploração por meio da empresa terceirizada, a Manserv. 

Há necessidade de que os trabalhadores da Refinaria e os terceirizados se unam e formem uma oposição sindical classista contra as diretorias burocráticas tanto do Federação dos Petroleiros, como do Sindicato da Construção de Santo André.

- Todo apoio à greve dos trabalhadores terceirizados da Refinaria de Capuava!

- Atendimento de todas as reivindicações dos operários! Reajuste de 2,5% no vale-alimentação! Ampliação da rede credenciada do plano de saúde!

- Fim da terceirização! Contratação dos operários pela Refinaria de Capuava!

26 de julho de 2018

Cuba: Revolução Política e luta pela Internacional Operária

A Tendência Marxista-Leninista manifestou, no aniversário dos 90 anos de Fidel, sua apreensão com relação ao curso restauracionista na Cuba, sendo que agora, neste 26 de julho, data comemorativa do ataque ao Quartel de Moncada, em 1953, dando origem ao movimento que posteriormente, em 1959, realizou a Revolução Cubana, sendo que agora renovamos a nossa advertência da necessidade da Revolução Política.

Na Ilha, a vitória do Movimento 26 de julho, comandado por Fidel, fez com que ocorresse a hipótese pouco provável para Trotsky, conforme seu prognóstico no Programa de Transição da IV Internacional sobre a instauração de um governo operário e camponês:

“É possível a criação de tal governo pelas organizações operárias tradicionais. A experiência anterior nos mostra, como já vimos, que isto é pelo menos pouco provável. Entretanto, é impossível de negar categórica e antecipadamente a possibilidade teórica de que, sob a influência de uma combinação de circunstâncias excepcionais (guerra, derrota, quebra financeira, ofensiva revolucionária das massas etc.), os partidos pequeno-burgueses, inclusive os estalinistas, possam ir mais longe do que queiram, no caminho da ruptura com a burguesia. Em todo caso, uma coisa está fora de dúvida: se mesmo  esta variante pouco provável se realizasse um dia, em algum lugar, e um “governo operário e camponês” no sentido acima indicado se estabelecesse de fato, ele representará somente um curto episódio em direção à ditadura do proletariado.”

Essa hipótese aconteceu realmente como exceção, porque na maioria dos casos, as revoluções que ocorreram, acabaram sendo derrotadas, como, apenas para exemplificar, a Revolução Francesa de Maio de 1968, em razão da crise de direção revolucionária, conforme detectado pelo Programa de Transição da IV Internacional. 

O castrismo, pois, acabou expropriando a burguesia e edificou o Estado operário cubano.

Todavia, o imperialismo norte-americano, que significa os monopólios e a decadência terminal do capitalismo, a reação em toda linha, há mais de 5 décadas impõe o boicote, embargo, à economia cubana. 

Todavia, a direção castrista aderiu ao stalinismo, à “Teoria do socialismo em um só país”, à “política de coexistência pacífica” com o imperialismo, ditada pela burocracia da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), abandonando a luta pela Revolução socialista internacional, o que levou à restauração do capitalismo.

No último período, a atuação da burocracia cubana, agora liderada por Raul Castro, irmão mais novo de Fidel, tomou um curso restauracionista, colocando em risco a existência do Estado Operário Cubano, como aconteceu com a URSS, o Leste Europeu, a China e o Vietnã.

Raul Castro recentemente, apenas para exemplificar, empreendeu duas negociações francamente contrarrevolucionárias: a aproximação com os Estados Unidos e o patrocínio, juntamente com o Papa, das negociações do governo colombiano, do facínora Juan Manuel Santos, com das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farcs).

Não negamos ao Estado operário que negocie, inclusive com países imperialistas. A Rússia soviética, de Lênin e Trotsky, celebrou a paz de Brest-Litovski, com a Alemanha imperialista, dos Hohenzollern.

Todavia, as negociações com de Cuba com os americanos vão no sentido de abolir o monopólio do comércio exterior na Ilha, sendo claramente restauracionista.

Além disso, o patrocínio das negociações do governo colombiano com as Farcs é uma atuação contrarrevolucionária, que deixará os militantes das Farcs totalmente desarmados perante o facínora Juan Manuel Santos e agora perante seu sucessor Iván Duque. Aliás, isso já está acontecendo com os militantes das Farcs sendo perseguidos pelo Estado burguês colombiano.

Anteriormente, a burguesia colombiana já havia feito um “acordo” com a guerrilha, desarmando-a, apenas para melhor reprimir aos seus membros.

No último período, Raul Castro começou a preparar Miguel Diaz-Canel, professor universitário,  para ser seu sucessor e vem aumentando as medidas restauracionistas,  porque “abre espaço para o mercado e ao investimento privado.” (Folha de S. Paulo – digital, 23/7). Ou seja, “reconhecerá o mercado, a propriedade privada.” (Idem).

“Raul Castro vem promovendo as mudanças desde 2008, que permitiram o surgimento dos negócios privados, denominados por ‘conta própria.´” (Idem).

“Desde essa data até maio de 2018, os empreendimentos privados englobam 591.000 pessoas, o que equivale a 13% da força de trabalho do país. Em muitos casos, trata-se de pequenas e microempresas.” (Idem).

Agora, Raul Castro vai alterar a Constituição de 1976, promovendo “consulta popular entre 13 de agosto e 15 de novembro, e, depois, submetido a referendo.” (Idem). Esses fatos avançam no sentido da completa restauração capitalista na Ilha.

Em 1921, Lênin e os bolcheviques promoveram a NEP (Nova Política Econômica), quando fizeram algumas concessões restritas ao mercado, à iniciativa privada, por causa da Guerra Civil que praticamente paralisou a economia soviética (que fora obrigada a adotar a política do comunismo de guerra, quando o Exército Vermelho derrotou 14 Exércitos imperialistas da Alemanha, Grã-Bretanha, França, Tchecoslováquia, etc,), concessões essas que forma feitas numa tentativa de estimular a economia, mas sem perder de vista a luta pela Revolução Internacional, depositando esperanças sobretudo na Revolução Alemã que ocorreu em 1923, mas infelizmente não se tornou vitoriosa, o que acabou agravando as condições do Estado operário soviético, propiciando a reação termidoriana representada pelo stalinismo.

A Tendência Marxista-Leninista defende a necessidade da formação de um partido operário marxista revolucionário em Cuba, que lute por uma revolução política, sob a bandeira da luta contra a desigualdade social e a opressão política, por abaixo os privilégios da burocracia, maior igualdade no salário, em todas as formas de trabalho, liberdade dos comitês de fábrica e dos sindicatos, pela liberdade reunião e de imprensa, no sentido do renascimento e do desenvolvimento da democracia dos conselhos operários, legalização de todos os partidos operários, revisão da economia planificada, de alto a baixo, de acordo com o interesse dos produtores e dos consumidores, os comitês de fábrica devem retomar o direito de controle da produção, as cooperativas de consumo, democraticamente organizadas, devem controlar a qualidade dos produtos, e seus preços, reorganização das fazendas coletivas, de acordo com a vontade e interesses dos trabalhadores deste setor, a política internacional reacionária da burocracia deve ceder lugar à política do internacionalismo proletário, toda correspondência diplomática deve ser publicada, abaixo a diplomacia secreta! 

Além disso, todos os processos políticos montados pela burocracia cubana devem ser revistos mediante ampla publicidade e livre-exame. Os organizadores das falsificações devem sofrer o merecido castigo. 

Nessa perspectiva, urge a construção da Internacional Operária e Revolucionária, para impulsionar a Revolução Internacional, a qual fomentará a Revolução Política que apeará do poder a burocracia restauracionista.

Viva a democracia dos conselhos operários (sovietes)!

Viva a Revolução Socialista Internacional! 

Macarthismo na Universidade Federal do ABC

A reitoria da Universidade Federal do ABC instaurou sindicância contra os professores Valter Pomar, Gilberto Maringoni e Giorgio Romano em razão do lançamento do livro “A Verdade Vencerá”, que traz entrevista do ex-presidente Lula no campus da Universidade.

A ADUFABC (Associação dos docentes da Universidade Federal do ABC) solicitou “ reunião, com urgência, para tratar das implicações decorrentes de sindicância investigativa.” (Diário do Grande ABC – Diário virtual, 26/7).

Na verdade, a atuação da reitoria concretamente é macarthista, de perseguição aos professores. É uma perseguição de cunho nazi-fascista que precisa ser rechaçada pela comunidade universitária (professores, estudantes e funcionários), por meio de uma luta implacável, visando instaurar uma verdadeira autonomia universitária, ou seja, para que a comunidade universitária venha a deter o poder dentro da Universidade. Para tanto, há necessidade de que seja convocada uma Assembleia Geral da comunidade universitária para discutir e deliberar os encaminhamentos da luta contra os macarthistas.

A TLM se solidariza com professores atacados de forma incondicional!

- Fascistas não passarão!

23 de julho de 2018

Conferência Nacional Aberta contra o golpe reúne militantes de todo o Brasil

A Conferência Nacional contra o golpe reuniu aproximadamente 1.000 delegados de todo o Brasil, representando centenas de Comitês de Luta Contra o Golpe, na Quadra do Sindicato dos Bancários de São Paulo e Osasco, no final de semana, dias 21 e 22, com a participação de militantes do Partido da Causa Operária (PCO), o qual teve a iniciativa de convocar a Conferência, de militantes do Partido dos Trabalhadores, contando com a presença, logo pela manhã do primeiro dia, no sábado, do Deputado Federal e pré-candidato Vicentinho, do pré-candidato a deputado estadual, Adriano Diogo, ativista dos Direitos Humanos, da pré-candidata a deputado estadual, a professora Maria Izabel Noronha, a Bebel, e, no dia 22, no domingo, no início da tarde, da presidenta nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, a qual discursou incentivando a luta contra o golpe.

Estiveram presentes além dos militantes do PT e do PCO, militantes da Corrente Comunista Revolucionária (CCR), da Liga Proletária Marxista (LPM), da Frente Comunista dos Trabalhadores (FCT), da corrente O Trabalho do PT, dentre outras organizações. Assinale-se, ainda, a presença de uma representante do Comitê de Luta Contra o Golpe de Berlim, na Alemanha.

A Conferência foi muito importante em razão do debate realizado, que permitiu que fossem esclarecidas questões relevantes, para que o conjunto dos ativistas obtivessem uma melhor compreensão da conjuntura política, das táticas e da estratégia do movimento de luta contra o golpe. Além disso, foi meritória por organizar as lutas e as tarefas práticas para o próximo período,  impulsionando a frente única dos trabalhadores por meio dos Comitês de Luta Contra o Golpe.

Para a nossa tendência, a TML, foi importante também, porque tivemos uma compreensão melhor da conjuntura, fato esse que propiciou reformular as nossas posições, porque detectamos um sectarismo nosso em relação ao PT e ao PCO, resultado do debate do Plenário da Conferência e da discussão fraterna em grupo, principalmente devido  a um companheiro do PT da Vila Buarque.

A Conferência deliberou a participação na Greve Geral marcada para o dia 10 de agosto contra o governo golpista e pela liberdade de Lula, assim como a participação na mobilização em Brasília, no dia 15, também em agosto, para garantir o registro da candidatura de Lula, com o objetivo de que os Comitês de Luta Contra o Golpe levem à Capital Federal 5.000 pessoas. Acrescente-se, ainda, que foram definidas sugestões de atividades para os Comitês de Luta Contra o Golpe no exterior. 

13 de junho de 2018

A crise de junho de 2013 e seus desdobramentos até os dias atuais


A chamada “jornada de junho de 2013” iniciou-se a partir do movimento dos estudantes, por meio do Movimento Passe Livre, o qual mobilizava todos os anos, por volta de mil a dois mil jovens.

Todavia, no ano de 2013, houve uma grande repressão do governo estadual tucano do PSDB de Geraldo Alckmin, que contou com o apoio do governo municipal petista do prefeito Fernando Haddad. 

O movimento foi duramente atacado pela mídia burguesa, sendo que os estudantes foram chamados de baderneiros e vândalos, principalmente os black blocs.

A partir da repressão, o movimento tomou uma grande proporção, com milhares de manifestantes saindo às ruas contra os governos estadual e municipal, e depois contra o governo federal da presidente Dilma Rousseff do Partido dos Trabalhadores.

A burguesia e a grande mídia, que atacavam o movimento, mudou a sua orientação, e passou a flertar com o mesmo até conseguir dirigi-lo, mobilizando a classe média, a pequena-burguesia, sobretudo contra o PT.

Assim, iniciou-se a trajetória reacionária do movimento, por ter sido capturado pela direção burguesa e pró-imperialista, que acabou se transformando no movimento do “impeachment”, do golpe contra a presidente Dilma do PT.

A burguesia e o imperialismo levantaram as velhas bandeiras da época da UDN (União Democrática Nacional) de Carlos Lacerda contra Getúlio e contra João Goulart, como se fossem novas: luta contra corrupção, macarthismo, liberalismo, punitivismo, etc.

Aí acusaram de superfaturamento as obras dos estádios da Copa do Mundo e das Olimpíadas no Brasil, em 2014 e 2016, respectivamente, passando a atacar também as empreiteiras brasileiras.

O marcarthismo deu origem, inicialmente, ao “Processo do Mensalão” no Supremo Tribunal Federal golpista, e seu desdobramento, isto é, à Operação Lava Jato, ambos concebidos pela CIA,  para atacar o PT e o conjunto do movimento operário e popular.

O que estava por trás da crise política era a crise econômica que chegava de forma retardatária ao Brasil. O País vivia do boom das commodities (minério de ferro, soja, petróleo, carne, etc.) quando a crise de 2008 nos países imperialistas, sobretudo os Estados Unidos, chegou com tudo e percebeu-se que não era uma marolinha.

O desenvolvimento do movimento golpista pegou o PT completamente desarmado politicamente, em razão de sua trajetória oportunista, acentuada com a expulsão da esquerda do partido no início dos anos 90 do Século passado, para possibilitar as alianças com os partidos burgueses como PDT, PSB e mesmo os partidos da ditadura militar como PMDB, PSDB e DEM, participando do chamado “presidencialismo de coalizão”; e coroada com a “Carta aos brasileiros”, de 2002, para acalmar e permitir uma acordo com “o mercado”, isto é, a burguesia pró-imperialista, para que Lula pudesse assumir a presidência da República.

O PT passa a desdenhar da formação política da militância e juntamente com Lula passa a adotar um discurso despolitizado, defendendo claramente uma política de conciliação e colaboração de classes, para que “todos ganhem”, “governar para todos os brasileiros”, etc.  

No governo, o PT passa a tentar administrar o Estado burguês, dando prosseguimento aos limitados programas sociais implementados desde Fernando Henrique Cardoso, fazendo apenas mudanças cosméticas e propagandísticas, e adotando novos, com caráter essencialmente reformista.

Com a adoção dos programas sociais, Lula passou a repetir sempre que agora no Brasil  “pobre passou a andar de avião”, “que pobre passou a frequentar a universidade”, e que “os ricos e os bancos nunca ganharam tanto dinheiro como em seu governo.”

Com esse discurso Lula consegue eleger Dilma Rousseff duas vezes. Porém, no segundo mandato de Dilma, com a chegada da crise econômica de forma retardatária ao  Brasil, a burguesia e o imperialismo, aproveitando a crise de junho de 2013, passou a adotar uma política golpista, visando substituir o governo do PT, pois com a queda da taxa de lucros, do ponto de vista da burguesia, não era mais suportável a manutenção de um governo petista, por ser muito caro em razão das suas reformas, mesmo estas sendo bastante limitadas, apesar da política de conciliação e colaboração de classes do PT, que aprovou até a reacionária “Lei Antiterrorismo”.

Assim, do ponto de vista da burguesia e do imperialismo era necessária a recolonização do Brasil, com a retirada dos direitos trabalhistas e previdenciários dos trabalhadores, visando escravizá-los com a “Reforma Trabalhista”, “Reforma Previdenciária”, a PEC (Projeto de Emenda Complementar) do fim do mundo (proibição de aumento de gastos públicos por 20 anos), precarização, terceirização, desemprego, combinada com bastante repressão, aumento do encarceramento em massa, assassinato dos camponeses pobres,  extermínio da população pobre e negra das periferias das cidades, e extermínio dos povos indígenas.

Então, com a atuação do judiciário como ponta-de-lança e do Congresso Nacional, a burguesia e o imperialismo conseguiram destituir a presidenta Dilma Rousseff do poder, sendo que a direção do PT não esboçou nenhuma reação, a não ser por meio de discursos no parlamento, ou seja, restringiu a luta basicamente ao campo parlamentar.  O que houve de concreto, de ação direta, foi apenas a resistência espontânea e empírica das massas, como demonstra a rejeição ao regime golpista. Sem falar que parte da esquerda pequeno- burguesa alinhou-se aos golpistas, com o “Fora todos”, como o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU) morenista, que depois do golpe rachou em 3 pedaços.

O golpe avançou depois do “impeachment” com a aprovação da “Reforma Trabalhista” e a PEC do fim do mundo, mas no momento patina, não tendo conseguido aprovar a “Reforma Previdenciária”, sendo que hoje os militares, assumiram vários postos importantes no governo golpista, inclusive ministérios. O Rio de Janeiro sofre intervenção militar desde as Olimpíadas de 2016, provocando a explosão da violência no Estado, com milhares de mortes.

Todavia, embora não haja um partido operário revolucionário, não haja direção revolucionária, as massas seguem resistindo de forma espontânea e empírica, reflexo disso é a rejeição aos golpistas, como demonstram as pesquisas de opinião. Essa resistência se dá inclusive contra as direções burocráticas, pelegas e traidoras atuais do movimento operário e popular, das centrais sindicais, que sabotam a preparação e organização da greve geral por tempo indeterminado, pois sabem que ela poderá adquirir um caráter insurrecional contra o governo golpista.

Por outro lado, aproximam-se as eleições presidenciais de outubro, sendo que os candidatos da burguesia não conseguem “decolar”, o que coloca em xeque o processo eleitoral como saída para a crise do sistema capitalista e do regime golpista. A burguesia está desesperada, mas não encontra uma saída, a não ser apoiar-se nos militares.

As eleições, se forem realizadas, poderão ser mais antidemocráticas, fraudulentas e sangrentas que as eleições municipais de 2016, onde ocorreram 45 atentados e 26 mortes. 

O Poder Judiciário tem sido a ponta-de-lança do golpe até aqui, inclusive impede a candidatura mais popular, a de Lula, com a prisão política deste, produto da farsa judicial denominada Operação Lava Jato, concebida pela CIA.

O PT mantém a candidatura de Lula, o que é mais um fator de desestabilização do regime golpista, porém há setores no partido que defendem o apoio ao candidato burguês, ex-membro do Conselho de Administração da Companhia Siderúrgica Nacional, o coronel Ciro Gomes, oportunista que já passou por todos os partidos, inclusive o PSDB. Tal fato prenuncia um racha no PT para breve. 

Por outro lado,  não dá para descartar que, em caso de radicalização do movimento de massas, motivada pela crise política e econômica, a possibilidade do PT readquirir certa influência de massas, pois estas poderão utilizar-se dos instrumentos que tenham à mão. Como se diz no Brasil: não tem tu, vai tu mesmo!

Voltando ao papel cumprido pelo judiciário atualmente, não é possível este ser mantido por muito tempo.  A crise política e econômica vai se agravando dia a dia. O dólar dispara, atingindo em torno de R$ 4,00, a Bolsa derrete (- 3%) e a inflação acelera (+ 0,4% em maio). Cedo ou tarde o atual regime golpista deverá ser substituído por um novo governo, provavelmente tipo uma ditadura bonapartista, que buscará arbitrar entre as classes sociais. Ou ainda, ser substituído por meio de uma revolução proletária, por um governo revolucionário operário e camponês.

Nessa perspectiva, a TML defende a realização de um Congresso da classe trabalhadora, em São Paulo, com delegados de base eleitos nos Estados da Federação brasileira, para a discussão de um programa de lutas pela liberdade imediata de todos os presos políticos, como Lula, Zé Dirceu, João Vaccari, Delúbio Soares; pela escala móvel de salario, com reajustes e aumentos de acordo com os índices do DIEESE; redução da jornada de trabalho para 35 horas, sem redução de salários; anulação da “Reforma Trabalhista”; contra a “Reforma da Previdência”, contra o fim da aposentadoria e dos direitos previdenciários; revogação da PEC do fim do mundo, agora lei; Fundo Desemprego, com os trabalhadores empregados doando 0,5% do salário mensal; expropriação dos meios de produção: fábricas, bancos, universidades, escolas; reforma e revolução agrária,  expropriação dos latifúndios; expulsão do imperialismo; monopólio do comércio exterior e economia planificada, rumo a um governo revolucionário operário e camponês.