A Copa do Mundo de 2026, organizada por FIFA nos Estados Unidos, Canadá e México, deveria ser apenas espetáculo esportivo. Mas a escalada militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã mostra que, no capitalismo em crise, nem o futebol escapa à lógica da guerra imperialista.
Os EUA destinam mais de 800 bilhões de dólares anuais ao orçamento militar, segundo dados oficiais recentes. Israel recebe bilhões em ajuda militar norte americana todos os anos. O Irã, por sua vez, responde com alianças regionais e fortalecimento bélico. Esse tabuleiro geopolítico amplia tensões globais e produz instabilidade econômica.
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O turismo é um dos primeiros setores a sentir os efeitos. Em 2023, o turismo internacional movimentou cerca de 1,4 trilhão de dólares, de acordo com a Organização Mundial do Turismo. Conflitos armados elevam o preço do petróleo, pressionam o custo das passagens aéreas e encarecem seguros de viagem. O torcedor trabalhador sente no bolso.
A Copa de 2026 deve receber milhões de visitantes. Em 2022, no Catar, foram cerca de 1,4 milhão de turistas estrangeiros. Nos EUA, a expectativa é ainda maior. Qualquer agravamento militar que envolva diretamente Washington pode gerar alertas diplomáticos, restrições de visto e clima de insegurança.
Há também o fator político. A seleção iraniana pode enfrentar pressões diplomáticas ou dificuldades logísticas caso as tensões se aprofundem. Torcedores do Oriente Médio podem hesitar em viajar para solo norte americano em meio a um conflito aberto ou a ameaças de retaliação.
Não se trata apenas de segurança. Se trata da contradição entre o espetáculo globalizado do capital e sua base material violenta. O mesmo sistema que vende a Copa como mercadoria planetária é o que financia guerras para garantir mercados, rotas energéticas e hegemonia.
O futebol, convertido em indústria bilionária, depende da circulação internacional de pessoas e capitais. A guerra interrompe fluxos, desvaloriza moedas e amplia a inflação. Trabalhadoras e trabalhadores que economizam anos para acompanhar sua seleção podem ser impedidos por decisões tomadas nos gabinetes do complexo industrial militar.
A história mostra que grandes eventos esportivos não estão imunes à geopolítica. Boicotes olímpicos durante a Guerra Fria e restrições de viagem após o 11 de Setembro são exemplos de como conflitos moldam calendários e deslocamentos.
A questão central é que, enquanto o capital transforma a Copa em vitrine de negócios, as potências imperialistas arrastam o mundo para disputas que ameaçam inclusive essa vitrine. O torcedor vira refém de interesses que nada têm a ver com o esporte.
Se a guerra avançar, não será apenas o turismo que sofrerá. Será mais uma prova de que, sob o imperialismo, até a festa popular do futebol está subordinada à lógica da dominação e da força.

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