5 de abril de 2019

Fora o regime de ladrões e corruptos FLN! Todo o poder para os trabalhadores da Argélia!

Apesar das manifestações que em 2014  já tinham marcado o anúncio do quarto mandato de Abdelaziz Bouteflika, as camarilhas do FLN e do exército, incapazes de chegar  a um acordo sobre como substituí-lo, pensavam que renovariam  tranquilamente a operação em abril de 2019, reutilizando a semi-múmia de um velho doente e incapaz da menor iniciativa. Todos os suportes tradicionais de poder foram preparados para isso. Em 01 de fevereiro de 2019, a direção da central sindical da UGTA e as organizações patronais FCE, Cipa, CNPA, PAC, PAC, Unep, AGEA e UNI, juntas, declararam em Batna, em um chamado para construção de uma "frente popular sólida": "Bouteflika é o nosso candidato nas eleições presidenciais". O temor habilmente utilizado de um retorno aos anos noventa, quando a combinação do terror islamita com o terror policial causou dezenas de milhares de mortes entre a população, deveria ser o suficiente para dissuadir qualquer oposição séria.

No entanto, já no sábado, 16 de fevereiro, uma semana após o anúncio da candidatura de Abdelaziz Buteflika, ocorreram as primeiras manifestações espontâneas contra esse quinto mandato. Então, na sexta-feira, 22 de fevereiro, se reuniram dezenas de milhares de manifestantes, todavia espontaneamente e utilizando redes sociais, apesar da proibição de manifestações. Estudantes, mulheres, desempregados, trabalhadores de todos os tipos estão na primeira fila. Desde então, apesar dos apelos por calma por parte do governo, apesar das prisões, apesar das ameaças de todos os partidários do governo, as manifestações tem se repetido e intensificado em todo Argélia, mas também em muitos países especialmente na França.

Rapidamente, com a consigna "Não ao quinto mandato" cartazes e banners focam o regime como um todo: "Fora o poer" "[Pouvoir, Dégage"]. Os dirigentes do FLN, os patrões e generais que confiscam as receitas do petróleo sem desenvolver a economia, que monopolizam a maior parte da riqueza produzida pelos trabalhadores e camponeses argelinos, estão manobrando: lançam a candidatura de Abdelaziz Bouteflika enquanto se comprometem a encurtar seu mandato e organizar novas eleições presidenciais em um ano. O jornal pró-governo “O Moudjahid” pode não vê-lo como "em absoluto é uma manobra, só uma resposta pragmática ...", mas obviamente não engana ninguém. A luta é travada entre esse regime odiado e a grande maioria da população argelina. Para vencer, se necessita perspectivas claras:

Proteja as manifestações, especialmente para evitar prisões:

Serviço de segurança dos manifestantes, autodefesa das manifestações!

Para imobilizar o governo e evitar que prepare a repressão, devemos exigir que todas as direções sindicais (UGTA, CSA, COSYFOP ...) rompam com o governo de Bouteflika, que convoquem imediatamente para:

Greve geral pela derrubada do regime!
Para derrotar o governo, para acabar com esse regime, é necessário a greve geral das empresas e das administrações, é preciso criar comitês eleitos nas empresas, nas administrações, nas universidades, nos bairros, nas vilas, etc.

Frente a um regime que tem o exército, a polícia, muitos meios de comunicação, etc., a centralização de todos os comitês com delegados eleitos e com mandato para unificar a luta dos trabalhadores e da juventude e proporcionar ao movimento uma direção política candidata ao poder dos trabalhadores.

Há muitas reivindicações, incluindo o aumento imediato de salários, pensões, benefícios sociais e indexação ao custo de vida, trabalho para todos com salários decentes, todas as liberdades democráticas, o controle sobre todas as contas das empresas e das administrações, sobre a riqueza produzida e seu uso! E muitas outras reivindicações levantadas pelos trabalhadores, camponeses, jovens, mulheres, berberes.

Que governo pode satisfazê-los?
A classe trabalhadora deve tomar a iniciativa do movimento e guiá-lo. Mas ela mesma tem grandes dificuldades para encontrar uma solução entre a facção burguesa governante e sua facção islamita. O PAGS, o antigo partido stalinista (herdeiro do PCA que rechaça a independência) implodiu em 1993: seu principal resíduo, MDS, nem sequer reivindica o socialismo; o PST (procedente do FLN dos tempos de Ben Bella) está desorientado pelo desaparecimento dos PAGS; O PT conformou uma frente popular com a FLN e o FIS islamita em janeiro de 1995 e não se manifestou contra os quatro mandatos de Bouteflika.

A debilidade do movimento operário pode salvar a burguesia argelina. Se o Estado não consegue deter a mobilização das massas, algumas frações prepararam já o golpe depois, bem com o estabelecimento de um despotismo Islamita (da Irmandade Muçulmana, como o MSI ou islamofascista Daesh), bem como  lavando a cara do regime atual: "que todos os aliados políticos se reúnem em torno de uma mesa e redesenham uma nova república que atende às ambições da sociedade e seja capaz de enfrentar os desafios que enfrentamos ..." (O Moudjahid, 05 de março).

O islamismo, como mostra o Irã e a Turquia, preserva o capitalismo e todas as desigualdades que gera, mas com mais hipocrisia na sociedade e mais opressão sobre as mulheres, os jovens, os comunistas, os homossexuais. A "nova república" que a fração burguesa "democrática" mantém em reserva é uma mudança estética desenhada a preservar o essencial de seu poder e os privilégios de seus servidores.

Sob nenhuma circunstância, uma nova república construída de mãos dadas com aqueles que até agora se empanturram à custa da maioria satisfará a mais mínima das reivindicações essenciais dos trabalhadores e dos jovens.

É uma armadilha que adapta a consigna da "Assembleia Constituinte Soberana" proposta por diversas forças políticas da oposição, não só pela FFS, mas também pelo PT e o PST. Este é o método que utilizou a burguesia tunisiana para sufocar o movimento revolucionário que tirou Ben Ali do poder. Ben Ali conseguiu dissolver o movimento no interminável palavreado da constituinte soberana, também defendida por todos os partidos da oposição (nostálgicos do nacionalismo árabe, os islamitas reacionários, organização operária). Como resultado, nenhuma das reivindicações importantes das massas tunisianas foi atendida e a burguesia tunisiana recuperou o controle total da situação.

Para satisfazer todas as reivindicações, para controlar a riqueza produzida, seu uso, para o desenvolvimento do país em  benefício da grande maioria da população, dos trabalhadores, dos jovens, dos camponeses, etc., não podemos contar com um governo da burguesia argelina, nem com nenhum outro maquiado de forma diferente. São os próprios trabalhadores que devem tomar o poder que lhes escapou em 1962, expropriar as grandes empresas, estabelecer o controle dos trabalhadores sobre as contas, desenvolver a produção para satisfazer às necessidades de todos e não para o benefício de poucos.

Não ao quinto mandato! Abaixo o governo! Fora o regime!

Separação total do Estado e da religião! Secularidade!

Todo o poder para os trabalhadores! Governo operário e camponês! Federação Socialista do Magrebe!

Estas são as perspectivas sobre as quais a vanguarda deve se organizar para construir o partido operário revolucionário indispensável para ajudar as massas a superar os obstáculos.

5 de março de 2019

Coletivo Revolução Permanente (Alemanha, Áustria, Canadá, França, Turquia) 

 FT-VP (Brasil)

 TML (Brasil)

22 de março de 2019

Luta intestina entre os golpistas: Temer preso

© foto: Flávio Soares

O ex-presidente golpista Michel Temer e o seu ex-ministro Moreira Franco foram presos na manhã desta quinta-feira, dia 21 de março, na golpista “Operação Lava Jato”, do Rio de Janeiro.

Chama a atenção o fato de que ontem o ex-juiz e agora ministro Sérgio Moro tenha batido boca, pela imprensa, com Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, que é casado com a enteada do ex-ministro Moreira Franco.

Ao que tudo indica, a fração da burguesia, ligada umbilicalmente ao imperialismo norte-americano, à CIA, ao capital financeiro, aos bancos e à indústria armamentista, representada pela golpista “Operação Lava Jato”, segue sua estratégia de esmagar os setores da burguesia nacional, como fizeram e fazem com as empreiteiras, com o petróleo, com a indústria naval,  com a indústria aeronáutica, etc., e o movimento operário e popular, com a prisão política de Lula e os ataques aos trabalhadores, aos sindicatos e ao movimento operário e popular.

O regime golpista encontra-se em profunda crise política e econômica, após a fraude nas eleições, com a prisão política e o impedimento da candidatura de Lula e a  “vitória” do fascista Jair Bolsonaro; e a divulgação do “Pibinho” (Produto Interno Bruto) de apenas 1,1% de 2018, demonstrando a gravidade da crise do capitalismo brasileiro, que não consegue se reanimar.

As suas diversas facções (milicianos fascistas, militares, olavistas – seguidores do picareta que se diz filósofo – legislativo, judiciário, ministério público lavajatistas subordinados ao imperialismo norte-americano, etc.), pressionadas pelo imperialismo norte-americano e os bancos para que aprovem a “Reforma da Previdência”, isto é, o assalto ao cofre bilionário da Previdência por parte dos bancos, do capital financeiro, estão em luta intestina para tentar conseguir uma parte no botim, no saque da economia nacional. No popular: farinha pouca, meu pirão primeiro!

E também, para complicar mais as coisas, veio à tona e fica claro como água, que os assassinos de Marielle Franco são milicianos, da Polícia Militar do Rio de Janeiro (um deles foi expulso da corporação), vinculados aos golpistas, um deles vizinho do presidente fascista.

Assim, movimento operário e popular necessita aproveitar essa crise da burguesia e do imperialismo e protagonizar um poderoso movimento no sentido da derrubada do podre regime golpista e de suas instituições burguesas, como judiciário, ministério público, forças armadas, que exalam um mal cheiro insuportável, tendo em vista a enorme disposição de luta dos trabalhadores por suas reivindicações imediatas e por seus direitos trabalhistas e previdenciários.

Assim, nós da TML vamos participar do dia 22 de março, dia de luta contra a “Reforma da Previdência”,  defendendo nossa política independente, denunciando o reformismo e a colaboração de classe da maioria das direções sindicais e a necessidade de preparar e organizar uma greve geral por tempo indeterminado.

Para tanto, é urgente a reorganização da vanguarda operária e comunista, para a construção de um partido operário marxista revolucionário,  e a formação de uma Frente operária, camponesa e estudantil, que lute por um governo operário e camponês, rumo ao Socialismo. 

17 de março de 2019

22 de março: dia de luta contra a “Reforma da Previdência”, rumo à greve geral

As centrais sindicais deliberaram que o próximo dia 22 de março, sexta-feira, será o dia de luta contra a “Reforma da Previdência” da burguesia e do imperialismo golpistas.

O regime golpista encontra-se em profunda crise política e econômica, após a fraude nas eleições, com a prisão política e o impedimento da candidatura de Lula e a  “vitória” do fascista Jair Bolsonaro; e a divulgação do “Pibinho” (Produto Interno Bruto) de apenas 1,1% de 2018. As suas diversas facções (milicianos fascistas, militares, olavistas – seguidores do picareta que se diz filósofo – legislativo, judiciário, ministério público lavajatistas subordinados ao imperialismo norte-americano, etc.), pressionadas pelo imperialismo norte-americano e os bancos para que aprovem a “Reforma da Previdência”, estão em luta intestina para tentar conseguir uma parte do botim, do saque na economia nacional. O presidente fascista está acenando com 10 milhões de reais para cada parlamentar votar o fim dos direitos previdenciários da classe trabalhadora. Além disso, temem a possível e provável reação e protagonismo da classe trabalhadora que poderá colocar em risco o regime golpista e suas instituições burguesas.  

Os golpistas falaram que com a “Reforma Trabalhista” seriam criados mais empregos, mas os fatos os vão desmentindo, pois o desemprego tem aumentado. Cada medida política e econômica que eles tomam, como as privatizações, desmatamento, ausência de fiscalização das condições de trabalho, repressão dos pobres e negros nas periferias da cidades, repressão da população quilombola e dos povos indígenas, piora a economia e o desemprego, e vão aumentando as tragédias como a de Brumadinho, em Minas Gerais, do Centro de Treinamento do Flamengo e da chacina de 15 pessoas que foram executadas numa favela em Santa Tereza, no Rio de Janeiro, assassinatos numa Escola, em Suzano, em São Paulo, aumento de assassinatos no campo, apenas para exemplificar.

E também, para complicar mais as coisas, vem à tona e fica claro como água, que os assassinos de Marielle Franco são milicianos, da Polícia Militar do Rio de Janeiro, vinculados aos golpistas, um deles vizinho do presidente fascista.

Ainda, está sendo noticiado, no momento em que escrevemos, que está havendo uma manifestação na Casa Branca, em Washington, nos Estados Unidos, contra Jair Bolsonaro, o presidente fascista do Brasil, com palavras de ordem como “Not him”, o nosso popular Ele Não!   

Todavia, o movimento operário e popular, ao invés de protagonizar um poderoso movimento no sentido da derrubada do podre regime golpista e de suas instituições burguesas, como judiciário, ministério público, forças armadas, que exalam um mal cheiro insuportável, encontra-se paralisado em razão de sua direção majoritária burocrática e pelega, que vive basicamente dos aparatos dos sindicatos e das Centrais Sindicais, como CUT, CTB, Força Sindical, CSP-Conlutas, Intersindical, e todas as demais, que sustentam o regime golpista, traindo e contendo a enorme disposição de luta dos trabalhadores por suas reivindicações imediatas e por seus direitos trabalhistas e previdenciários.

As direções burocráticas e pelegas não mobilizam os trabalhadores, todavia, em razão das pressões destes, apenas realizam paralisações de 1 dia, de 24 horas, visando conter as mobilizações, para que elas não coloquem em risco a estabilidade do regime golpista.

Assim, nós da TML vamos participar do dia 22 de março, apontando essa traição, mas defendendo nossa política independente, denunciando o reformismo e a colaboração e conciliação de classe da maioria das direções sindicais e a necessidade de preparar e organizar uma greve geral por tempo indeterminado.

Os burocratas boicotam sistematicamente a convocação de uma greve geral por tempo indeterminado por que sabem que isso colocará em risco os seus privilégios e o regime golpista.

Portanto, é fundamental substituir essa burocracia sindical pelega, como fizemos quando da ditadura de 1964, formando oposições sindicais classistas para enfrentar, desmascarar e expulsar os burocratas e pelegos dos sindicatos e das Centrais, buscando forjar uma nova vanguarda operária e revolucionária, uma Frente operária, camponesa e estudantil, para a defesa um programa de luta pelas reivindicações imediatas e transitórias dos trabalhadores contra o desemprego, reajustes salariais de acordo com os índices do Dieese, redução da jornada de trabalho sem redução do trabalho, Fundo Desemprego, com cada trabalhador empregado doando 0,5% de seu salário mensal, formação de comitês de autodefesa operária a partir dos sindicatos, e  sobretudo agora preparar e organizar uma Greve Geral por tempo indeterminado, com a eleição de comandos de greve, pela libertação dos presos políticos, Lula Livre, anulação da “Reforma Trabalhista” e contra a aprovação da “Reforma da Previdência” e pela derrubada do regime golpista e de suas instituições burguesas.

Para tanto, é urgente a reorganização da vanguarda operária e comunista, para a construção de um partido operário marxista revolucionário, que lute por um governo operário e camponês, rumo ao socialismo.