quinta-feira, 23 de julho de 2015

Os Estados Unidos ainda serão uma grande Cuba

No dia 20 de julho foram reabertas as embaixadas de Cuba, em Washington, e a dos Estados Unidos, em Havana

Esse é mais um dos capítulos da Nova Guerra Fria entre os Estados Unidos e União Europeia, de um lado, e o Bloco Eurásico (Rússia e China), de outro, formado por ex-estados operários, que ainda não são país imperialistas, por não terem como atividade preponderante a exportação de capitais, mas que por terem realizados as tarefas democráticas, como independência nacional (expulsão do imperialismo) e reforma e revolução agrária, adquiriram condições de concorrerem com os países imperialistas, inclusive impulsionaram recentemente a abertura do Banco dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), com um aporte de 100 bilhões de dólares, colocando em xeque a hegemonia do dólar.

Recentemente, na Suíça, ocorreram as prisões midiáticas (para o delírio da imprensa venal, da pequena-burguesia e da classe média brasileira) de dirigentes do futebol mundial, vinculados à FIFA, acusados de corrupção, prisões essas ordenadas pelos Estados Unidos, que sobre o pretexto de uma investigação, em razão dos interesses americanos (essas apurações haviam sido submetidas à apreciação de juiz alemão que não deu a mínima para as mesmas, com certeza por ter entendido que se tratava de querela entre usurários e bandidos).

Os EUA continuam se arvorando a polícia do planeta. Às vezes utiliza-se também da ONU (Organização das Nações Unidas),  que como disse Lênin de sua antecessora, a Sociedade das Nações, não passa de um covil de bandidos. É a “pax americana”, a exemplo da “pax romana”.  Como Lênin ensinou, a nossa época é a do estágio superior do capitalismo, a imperialista, a época dos monopólios, do capital financeiro (industrial + bancário), da reação em toda linha, de guerra e revoluções.

Ainda recentemente, os Estados Unidos violaram o território Sírio e assassinaram um líder do Estado Islâmico, sua cria, como o Bin Laden. Sempre a mesma história: os EUA armam, usam e depois descartam seus mercenários.

Perseguem Edward Snowdem, ex-agente de uma empresa ligada à CIA, que revelou as arbitrariedades e os crimes os de espionagem do Império e Julian Assange, do WikiLeaks, que também fez revelações sobre a podridão yankee.

Com relação à Federação Internacional de Futebol, a Fifa, com certeza os Estados Unidos moveram-se por causa de seus interesses financeiros contrariados, ou seja, em virtude de empresas como Nike, Red Bull, Coca-cola etc., pois perderam a disputa pelas sedes de 2018 para a Rússia e 2022 para o Catar. Agora o que o EUA estão fazendo é correr atrás do prejuízo de suas empresas, querem recuperar o dinheiro que perderam ou deixaram de ganhar, com os expedientes de extorsão, como a conhecida nazi-fascista delação premiada (lembram-se na Alemanha nazista os filhos eram incentivados a delatarem os pais), processo esse que já se iniciou com a transação do brasileiro J. Hawilla, da Traffic, empresa de marketing esportivo, que “concordou” em devolver U$ 158 milhões dólares, mais ou menos 473 milhões de reais. Essas ações visam ainda prejudicar ou inviabilizar a Copa da Rússia.

Se fosse por problema de corrupção mesmo, deveriam antes ter apurado a compra das sedes das olimpíadas de Atlanta em 1996  e de Salt Lake City em  2002. Pura hipocrisia!

As investidas americanas se dão por bem e por mal. Iniciaram uma aproximação com Cuba, preocupados com a construção pelo Brasil do porto na Ilha, que poderá impulsionar o comércio da Refinaria brasileira de Pasadena, ao mesmo tempo que aproveitam para aumentar as pressões para restaurar o capitalismo na Ilha, sob pretexto de preocupação com o direitos humanos. 

Todos sabemos que os EUA são os campeões da luta pelos direitos humanos, tanto que armam até os dentes o enclave terrorista e sionista de Israel na Palestina ocupada. Mesmo na prisão da Base de Guantánamo. É muita hipocrisia!

Antes, ainda, os EUA apoiaram golpes em Honduras, Paraguai; derrubaram Kadafi, na Líbia; apoiaram um golpe nazi-fascista na Ucrânia; atacam as Repúblicas de Donbass e Donetz; apoiaram golpe militar para derrubar governo eleito democraticamente no Egito; armaram e usaram o Estado Islâmico contra o Iraque e a Síria, desestabilizando a região (só não o conseguindo totalmente devido à atuação ainda que acanhada da Rússia); tudo isso como forma de apoiar o Estado sionista e terrorista de Israel contra o povo palestino.

Recentemente, atacaram a Rússia, com “sanções”, tentando derrubar o rublo, que chegou a cair de um dia para o outro 20%.

Os EUA tem dado origem, também recentemente, a uma série de escaramuças com a China em razão do mar do Sul da China.

A Nova Guerra Fria está esquentando,ou seja, começa a pegar fogo a luta entre o imperialismo dos EUA e da União Europeia e o Bloco Eurásico, Rússia e China, “A China passará a concentrar sua presença militar além de suas fronteira marítimas, alcançando águas internacionais, indica um documento do Conselho de Estado.

O texto de Pequim, que destaca quatro áreas estratégicas às quais será dedicada mais atenção – oceano, espaço, força nuclear e espaço cibernético – afirma ainda que Pequim acelerará o desenvolvimento de forças para combater  “ameaças graves” à sua infraestrutura cibernética.

(...)
O relatório reforça uma estratégia de fortalecimento da Marinha já em prática nos últimos anos. Recentemente, o país lançou um porta-aviões e investiu submarinos e em outros navios de guerra.

(...)
Autoridades americanas afirmam que , na região das ilhas Spratly, a China criou  aterros de cerca de 800 hectares (o equivalente a mais de 800 campos de futebol) desde 2014. Segundo Pequim, a área poderia ter fins militares, como pistas de pouso.

O documento do Conselho de Estado, porém, diz que a China “não atacará a menos que seja atacada” e alerta para “ações provocativas de certos vizinhos” e “partes externas envolvidas em questões do mar do Sul da China”.” (Folha de S. Paulo, 27/5).

Como dissemos, o monstro imperialista atua de diversas formas, tanto diplomática como militarmente.

Com relação a Cuba, a atuação dos Estados Unidos agora está sendo via diplomática, mas não menos perigosa, porque é um dos meios políticos, como a guerra é a continuação da política por outros meios, conforme ensinou  o grande Carl von Clausewitz.

Não há como negar que Cuba, como Estado operário, tem o direito legítimo de estabelecer acordos com o imperialismo, como Lênin e Trotsky fizeram durante o cerco dos 14 exércitos imperialistas, que acabaram sendo derrotados pelo Exército Vermelho criado por Trotsky. Este firmou a paz de Brest-Litovsky, embora durante o conflito tenha defendido a posição de “nem paz, nem guerra.”

Neste momento, os marxistas internacionalistas defendemos a manutenção das conquistas da revolução cubana, como expropriação dos meios de produção, as fábricas, os bancos, a reforma e revolução agrária, o monopólio do comércio exterior, a economia planificada, etc. Como disse o escritor cubano Leonardo Padura, em recente visita ao Brasil,  em Cuba ninguém passa fome. Sabemos, ainda, que a educação é de qualidade, inclusive destacando-se o esporte olímpico. A medicina cubana é da mais avançadas, com ótimos médicos generalistas, que conhecemos bem aqui no ABC paulista. A cultura cubana também é bem desenvolvida. A música é maravilhosa.

Além disso, tendo em vista que no Estado operário cubano, por ser uma economia socialista em transição, que realizou as tarefas democráticas como independência nacional (expulsão do imperialismo) e reforma e revolução agrária, onde a lei da economia planificada entrou em contradição com a lei do valor da antiga sociedade capitalista, conforme ensinamento de Eugênio Preobrazenski, em sua obra “A Nova Econômica”, que estudou essa contradição na economia soviética russa, ainda prevalece o direito burguês, sendo que quem trabalha não come (somente num estágio superior, na sociedade comunista, com o fim do Estado, com a extinção da própria classe operária, com a extinção da sociedade de classes, vigorará o princípio: de cada um conforme a sua capacidade;  a cada um conforme a sua necessidade);  é necessário combate à “liberalização”, ou seja, à chamada “abertura econômica” de Cuba, com o ressurgimento de atividades privadas, contendo elementos de economia capitalista, ou seja, de “economia  mercado”, que trazem de volta os males do capitalismo. Este setor da economia cubana deve ser combatido e controlado pelos trabalhadores, juntamente com a burocratização do Estado operário cubano.  

Isso é resultado do isolamento da revolução cubana, do cerco imperialista, das derrotas sofridas pelo classe operária com a restauração do capitalismo na URSS e no Leste Europeu, o que comprova mais uma vez o absurdo da “Teoria do socialismo em um só país”. Essa situação propiciou o surgimento de uma burocracia dirigente no Estado cubano, estando colocado na Ilha, a Revolução Política, a luta pela devolução da Base de Guatánamo, pelo fim do embargo econômico, aplicando-se integralmente a Cuba o Programa de Transição da IV Internacional:

“O novo ascenso da revolução na URSS começará, sem dúvida alguma, sob a bandeira da LUTA CONTRA A DESIGUALDADE SOCIAL E A OPRESSÃO POLÍTICA. Abaixo os privilégios da burocracia! Abaixo o stakanovismo! Abaixo a aristrocracia soviética com sua hierarquia e suas condecorações! Maior igualdade no salário, em todas as formas de trabalho!

A luta pela liberdade dos comitês de fábrica e dos sindicatos, pela liberdade de reunião e de imprensa, transformar-se-á em luta pelo renascimento e pelo desenvolvimento da DEMOCRACIA SOVIÉTICA.

(...) É necessário devolver aos conselhos não apenas sua livre forma democrática, mas também seu conteúdo de classe. Assim como antigamente, a burguesia e os “Kulaks” (camponeses ricos) não eram admitidos nos sovietes (conselhos), também agora, a BUROCRACIA E A NOVA ARISTOCRACIA DEVEM SER EXPULSAS DOS SOVIETES. Nos Sovietes (conselhos) só existe lugar para os representantes dos operários, dos trabalhadores das fazendas coletivas, dos camponeses e dos soldados do Exército Vermelho.

A democratização dos Sovietes é inconcebível sem a LEGALIZAÇÃO DOS PARTIDOS SOVIÉTICOS. Os próprios operários e camponeses, mediante votação livre, mostrarão quais partidos são soviéticos.

REVISÃO DA ECONOMIA PLANIFICADA de alto a baixo, de acordo com os interesses dos produtores e dos consumidores! Os comitês de fábrica devem retomar o direito de controle sobre a produção. As cooperativas de consumo, democraticamente organizadas, devem controlar a qualidade dos produtos e seus preços.

REORGANIZAÇÃO DAS FAZENDAS COLETIVAS, de acordo cm a vontade e interesse dos trabalhadores deste setor.

A política internacional reacionária da burocracia deve ceder lugar à política do internacionalismo proletário. Toda a correspondência diplomática deve ceder lugar à política do internacionalismo proletário. Toda a correspondência do Kremlin deve ser publicada. ABAIXO A DIPLOMACIA SECRETA!

Todos os processos políticos montados pela burocracia termidoriana devem ser revistos mediante ampla publicidade e livre-exame.  Os organizadores das falsificações devem sofrer o merecido castigo. É impossível realizar este programa sem a derrubada da burocracia, que se mantém pela violência e pela falsificação. Somente o levantamento revolucionário vitorioso das massas oprimidas pode regenerar o regime soviético e assegurar seu futuro desenvolvimento em direção ao socialismo.
 Apenas o partido da Quarta Internacional é capaz de conduzir as massas soviéticas à Insurreição.

Abaixo a burocracia, a camarilha bonapartista de Cain-Stalin!

Viva a democracia soviética!

Viva a revolução socialista internacional!”

Nesse sentido, é fundamental formação de um partido operário marxista revolucionário nos Estados Unidos e em Cuba, como seções da IV Internacional reconstruída,   para lutar pela aliança e solidariedade dos operários norte-americanos com operários cubanos, no sentido da formação dos Estados Unidos Socialistas da América do Norte e do Caribe, dando um gigantesco passo para a vitória da Revolução Mundial, sepultando de vez o capitalismo.

A Revolução Americana seguirá os caminhos apontados por Leon Trotsky nas “Discussões entre Trotsky e o Socialist Workers Party (SWP) acerca do Programa de Transição” e no “O Marxismo de nosso tempo”:

“Trotsky: A palavra de ordem de “expropriação” contida no projeto de programa não exclui indenização, embora frequentemente a gente oponha expropriação à indenização, o confisco exclui qualquer indenização, mas a expropriação pode incluir indenização. O montante desta indenização são outros quinhentos. Por exemplo, no transcurso de nossa agitação podem perguntar-nos: “o que é que faremos, então? Transformaremos os antigos proprietários (os expropriados), os que possuíam o poder em vagabundos? Não lhes daremos, isto é, à antiga geração, uma compensação decente, necessária para viverem, à medida que não podem trabalhar”? Não é obrigatório que se imite os russos. Esses últimos sofreram a intervenção de muitas nações capitalistas, fato que os impediu de pagarem indenização. Nos Estados Unidos somos um povo rico; quando chegarmos ao poder poderemos indenizar a velha geração. Nesse sentido, não seria bom proclamar o confisco; é melhor usar expropriação em vez de confisco, porque a primeira poder ser igual ao segundo, mas pode também incluir alguma indenização.

Devemos mostrar que não somos um povo vingativo. Nos Estados Unidos é muito importante demonstrar que se trata de uma questão de possibilidades materiais e que não destruiremos fisicamente a classe capitalista. Expropriação e nacionalização: creio que podemos usar as duas palavras de ordem. Expropriação é muito importante porque significa um ato de vontade revolucionária.” (“Discussões entre Trotsky e o Socialist Workers Party (SWP) acerca do Programa de Transição”).

“A burguesia das metrópoles se achou em situação de assegurar uma posição privilegiada para seu próprio proletariado, especialmente para as camadas superiores, mediante o pagamento de alguns super-lucros obtidos das colônias. Sem isso teria sido completamente impossível qualquer classe de regime democrático estável. Em sua manifestação mais desenvolvida a democracia burguesa se fez, e continua sendo, uma forma de governo acessível unicamente às nações mais aristocráticas e mais exploradoras. A antiga democracia se baseava na escravidão; democracia imperialista se baseia na espoliação das colônias.” (Leon Trotsky, “O Marxismo de nosso tempo”).

“A política econômica da Frente Popular na França era, como assinalou perspicazmente um de seus financistas, uma adaptação do New Deal “para liliputianos”. Evidentemente, em uma análise teórica é muito mais apropriada tratar com magnitudes ciclópicas que com magnitudes liliputtianas. A própria imensidão do experimento de Roosevelt nos demonstra que somente um milagre pode salvar o sistema capitalista mundial. Mas acontece que o desenvolvimento da produção capitalista terminou com a produção de milagres. Abundam os encantamentos e as rezas, mas não se produzem milagres.  Porém, é evidente que se se pudesse produzir o milagre do rejuvenescimento do capitalismo, esse milagre só poderia se produzir nos Estados Unidos. Acontece  que o rejuvenescimento não se realizou. O que não pode ser alcançado por gigantes, muito menos pode sê-lo por anões. Demonstrar os fundamentos desta simples conclusão é o objeto de nossa incursão pelo campo da economia norte-americana.” (Leon Trotsky, “O Marxismo de nosso tempo”).

Na Revolução Americana, os Estados Unidos Socialistas da América do Norte e do Caribe acabarão com o racismo (“Não existe capitalismo, sem racismo”, como nos ensinou Malcom X) que assassina os negros diariamente, como aconteceu recentemente em Fergunson e Baltimore. Nós não aguentamos mais sentir falta de ar!  Extinguirá a pena de morte; retirará o apoio e lutará pela destruição do Estado sionista e terrorista de Israel; apoiará o Estado operário de Cuba e da Coréia do Norte; apoiará a luta do povo Catalão, Escocês, Irlandês, pela sua independência.    

Assim, o capitalismo vive uma crise, que ameaça até deflagração da III Guerra Mundial, com o choque entre o imperialismo do EUA e da União Europeia contra o Bloco eurásico, Rússia e China. É uma Nova Guerra Fria.

Neste momento o Bloco Eurásico joga um papel progressivo, devendo ser apoiado pelos marxistas revolucionários quando entrarem em conflito com os imperialismos americanos e europeus. 

Está colocada mais do que nunca a questão do socialismo ou barbárie.

Ignácio Reis

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