sábado, 3 de setembro de 2016

3 de setembro: Aniversário da fundação da IV Internacional

* Por Marcelo Rios

Em 1938, 78 anos atrás, clandestinamente nos subúrbios de Paris, 22 delegados de 11 países, representando 29 seções - fundaram a Quarta Internacional. Muitas seções não puderam comparecer, nem Trotsky exilado no México. A Quarta Internacional foi fundada depois de Trotsky travou uma batalha política mais de quinze anos para reformar a URSS que havia entrado em um processo de burocratização, e recuperar a III Internacional que a burocracia stalinista tinha apropriado - e em 1944 foi dissolvida -. Também lutando setores revolucionários marxistas que não iria estabelecer-lhe, seja porque consideraram prematuro ou por não considerá-lo necessário.

Mas depois de ser fundada a Quarta Internacional explode a Segunda Guerra Mundial e no ano seguinte assassinam a Trotsky. Após a Primeira Guerra Mundial, em 1945, uma forte corrente dentro da Quarta Internacional liderada por Michel Pablo, que está impressionado com a força com que o stalinismo emergiu da Segunda Guerra Mundial, com a expropriação na Europa de Leste e posteriormente a revolução iugoslava e chinesa para expropriam a burguesia, e capitula a eles, alterando o programa e as tarefas da Internacional. A Quarta Internacional nunca se recuperou a partir daí e as tentativas de reunificação falharam ou a reconstrução, abrindo um leque de organizações, grupos, partidos e correntes, conhecidas como movimento trotskista.

Assim, a Quarta Internacional como uma organização não existe mais na vida, sendo, que enquanto Trotsky viveu, era uma organização internacional marxista núcleo revolucionário que se projetava. Sem Trotsky, depois da Segunda Guerra Mundial, em uma situação adversa, seus líderes fracassaram em sua tentativa de finalmente ser estruturar a classe trabalhadora, ou pelo menos preservar, ou até mesmo tarefa mais modesta: eles não conseguiram preservar uma fração internacional marxista forte principista resistir à ofensiva stalinista ou que capitularam a ele, e agora o democratismo burguês e pró-imperialista, o nacionalismo popular ou burguês e de esquerda como frentes Chavez, Morales, Correa.

No entanto, apesar de tudo isso, a Quarta Internacional (e frações que surgiram dali) significava o único fio de continuidade com o leninismo depois da contrarrevolução de situação dos ano 20 e 30 do Século passado e do mundo pré-revolucionário depois II Guerra Mundial, depois da traição stalinista da revolução europeia. Em um contexto histórico onde havia ascensos e revoluções com direções burocráticas e/ou pequeno-burguesa que apoiadas no campesinato e as massas, mas em que nem o proletariado alemão, americano, japones, chinês ou russo travaram batalhas significativas em mais de meio século.

Se a Quarta Internacional não tivesse existido, e se não tivesse sido fundada em 1938, para além da sua existência efêmera e débil durante o imediato pós-Segunda Guerra (1946-1953), o marxismo revolucionário estaria em uma situação de degeneração completa. Estaria igual ao stalinismo na sua decomposição atual, e arrastaria o marxismo à imundície justificadora da burocracia e do nacionalismo, em que os stalinistas e neo-stalinistas ex-pró-Moscou, Pequim ou Havana, chamada "marxismo-leninismo", justificadores hoje da restauração capitalista em Cuba.

De nenhuma maneira é por acaso que os únicos marxistas que ainda defendem a revolução mundial, e defendem para isso construir o Internacional, somos nós trotskistas. E essa é a palavra trotskismo um espectro para a burguesia, porque é o única corrente marxista que defende a luta pela revolução proletária e socialista. Também não é por acaso (apesar de erros ou claudicação do Segundo Pós-Guerra por parte dos líderes pequeno-burgueses do impressionismo Quarta Internacional) a permanência das ideias de Trotsky - em conjunto com as de Lenin, que recriam com perspectivas de futuro, o marxismo na classe operária.

Apesar da Quarta Internacional não existir, estamos sob seu legado teórico e programático permanecemos conscientes do que disse Trotsky argumentando com o Leninbund alemão no início dos anos 30: "Aqueles que acreditam que o (Oposição) Esquerda Internacional um dia vai ser estruturada como uma mera soma de grupos nacionais e, portanto, a unificação internacional pode ser adiada indefinidamente até que os grupos nacionais "tornam-se fortes", atribuem ao factor internacional importância secundária e por isso são lançados pelo caminho do oportunismo nacional ".

"É inegável que cada país tem suas peculiaridades e que estas são de grande importância; mas em nosso tempo essas peculiaridades não podem ser analisadas e exploradas de uma forma revolucionária senão com um enfoque internacionalista. Além disso, apenas uma organização internacional pode ser a portadora de uma ideologia internacional ".

"Você pode acreditar seriamente que os grupos nacionais da oposição isolados, divididos entre si e à esquerda com os seus próprios recursos pode ser capaz de encontrar por si mesmos o caminho correto? Não, esta linha conduz inexoravelmente à degeneração nacional, o sectarismo e à ruína. As tarefas colocadas para a oposição internacional são extremamente difíceis. Só se ligando indissoluvelmente, somente se forem produzidas em conjunto as respostas para os problemas, se desenvolvendo o seu programa internacional, se verificando mutuamente suas táticas, enfim, somente se eles se unem em uma organização internacional, os grupos nacionais Oposição poderão desempenhar a sua tarefa histórica. "(entre aspas e realçado por nós).

E ele disse em 1934: "Mas que garantias existem de que a nova Internacional não naufrague como as demais? pergunta miserável e filisteia! Na luta revolucionária não há garantias dadas de antemão, não é possível fazê-lo. A classe trabalhadora sobe os degraus que ela mesma cava no granito. Às vezes dá alguns passos para trás, outra o inimigo dinamita os passos que já foram cavados, outros desmorona porque o material é de má qualidade. Depois de cada queda deve se levantar, depois de cada revés deve avançar, cada passo retrocedido deve ser substituído por dois novos ... ". Porque em última análise, sem a luta pela Internacional proletária, não haverá nenhuma revolução socialista bem-sucedida em qualquer país, e, portanto, não há possibilidade do Socialismo Mundial e do Comunismo.

É que a revolução socialista está indissoluvelmente ligada à construção da Internacional, e isso com a necessidade de acabar com o capitalismo, ou o que é o mesmo: para acabar com o reino da necessidade, opressão, exploração e miséria, e o ódio que envenenam ao mundo e a burguesia conscientemente semeia.

Pela Internacional Revolucionária dos Trabalhadores Comunistas!

Sob o legado teórico e programático da Quarta Internacional!


Liga Comunista de los Trabajadores

lct_revolucionproletaria@yahoo.com.ar


A Tendência Marxista-Leninista (TML/Brasil) é simpatizante da Liga Comunista de los Trabajadores, da Argentina. A tradução para o português é de responsabilidade exclusiva da TML.

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