quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Exército de Libertação Nacional e Frentes 1 e 7 das Farc seguem na luta

O Exército de Libertação Nacional (ELN) da Colômbia e as Frentes 1 e 7 das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) repudiaram o “Acordo de Paz” assinado pelo governo da Colômbia, do presidente Juan Manuel Santos, e as Farc, representada por Rodrigo Lodoño, o Timoleón Jiménez, que concretamente é uma rendição humilhante por parte dos guerrilheiros.

Esses setores dissidentes da guerrilha colombiana seguem na luta contra a burguesia nacional colombiana e o imperialismo norte-americano, por entender que num“regime oligárquico no país é uma obrigação se manter como guerrilheiros de armas na mão.” (Blog da Liga Bolchevique Internacionalista, LBI,  2/9).

O ENL em seu comunicado assinalou: “O governo nega a natureza política do levante armado e mantém intacto o regime oprobioso de violência, exclusão, desigualdade, injustiça e dpredaçãõ. Se as guerrilhas se desarmarem será mais a entrega da pátria aos interesses imperialistas e a oligarquia. Irá se encorajar, como maior repressão contra as reivindicações sociais (Diário da Liberdade, 09/08). (Idem).

Além disso, os setores da guerrilha que seguirão lutando salientam que o governo colombiano e a direção nacional das Farc que capitulou “deformam os fundamentos essenciais do direito de rebelião.” (Idem).

Ainda, a guerrilha que segue lutando, liderada pelo comandante Armando Rios, denuncia que “A política do Estado colombiano e seus aliados só busca o desarme e a desmobilização das guerrilhas. Não estão pensando nos problemas sociais e econômicos do país.” (BBC, 08/08). (Idem), que exculpam o Estado de sua responsabilidade no desenvolvimento da guerra suja e o Terrorismo de Estado". (Idem); e que os "campos de transição" em que os guerrilheiros devem permanecer durante 180 dias para a "vida civil"  (uma espécie de "quarentena"), não passam de cárceres em céu aberto.

A Colômbia vive uma guerra civil há 50 anos. As Farc chegaram a  ter aproximadamente 25.000 guerrilheiros e dominar boa parte do território colombiano (hoje os seus efetivos estão estimados entre 8.000/6.000 guerrilheiros), todavia a sua limitação programática salta aos olhos, por defender um programa minimamente democratizante, pequeno-burguês ("1. criação da assembleia nacional constituinte na Colômbia aprovada por referendo. 2. Reforma fiscal. 3. Reforma Agrária. 4. Desprivatizar instituições públicas que foram concedidas a iniciativa privada.” Wikipédia), sem ter uma estratégia marxista-leninista no sentido da defesa de um governo operário e camponês. Remetemos o leitor ao artigo da Tendência Marxista-Leninista de 28/8, "Colômbia: burguesia impõe rendição humilhante às Farc.", em nosso Blog. 

Para tanto é imprescindível o trabalho junto ao proletariado colombiano, junto aos sindicatos e às principais centrais sindicais colombianas,  ou seja, a Central Unitária dos Trabalhadores da Colômbia (CUT) e à Confederação de Trabalhadores da Colômbia (CTC), porque somente a classe operária, apoiada pelos camponeses, por meio do partido operário marxista-revolucionário pode liderar e levar até o final as tarefas democráticas, como expulsão do imperialismo (que detém bases militares na Colômbia, sob pretexto de combate ao narcotráfico) e a reforma e revolução agrária, com a expropriação das empresas agrícolas, das terras, dos latifúndios, rumo à revolução socialista, com a expropriação da burguesia colombiana, expropriando os meios de produção, as fábricas, dos bancos,, adotando a economia planificada, com o monopólio do comércio exterior.

Devemos sempre salientar o papel contrarrevolucionário do arqui-reacionário Vaticano e da burocracia cubana em intermediar esse “processo de paz”. Com certeza a burocracia cubana está se submetendo às pressões da política dos Estados Unidos para restauração do capitalismo na Ilha, e o “processo de paz” na Colômbia também se insere no contexto das disputas inter-imperialista dos EUA e União Europeia contra os imperialismos emergentes da Rússia e da China.  

Assim, em razão das limitações programáticas das Farc apontadas acima, que seguem defendidas pelas Frentes 1 e 7, que continuam lutando, e da capitulação da direção nacional das Farc, cumpre ao proletariado colombiano construir um partido operário marxista revolucionário, que seja a seção colombiana de uma nova Internacional Operária Revolucionária.

Ignácio Reis

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