sábado, 9 de julho de 2016

Apoio ao golpe racha o PSTU morenista no Brasil

O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU), do Brasil, rachou em razão de ter apoiado o golpe da burguesia entreguista e do imperialismo norte-americano.

Centenas de militantes, dentre eles destacam-se o professor Valério Arcary, membro histórico da direção do PTSU e a vereadora Amanda Gurgel, assinaram o MANIFESTO PELA CONSTRUÇÃO DE UMA NOVA ORGANIZAÇÃO SOCIALISTA E ROVOLUCIONÁRIA NO BRASIL, onde explicitaram os motivos da ruptura, a qual a nós da Tendência Marxista-Leninista criticaremos abaixo, apontando os pontos positivos e negativos do racha, bem como suas limitações.

A Tendência Marxista-Leninista sempre criticou a política sectária e oscilante entre o ultraesquerdismo e o oportunismo do PSTU. Ou seja, sempre criticamos a política do “Fora Todos”, que na verdade era o “Fora Dilma”, fazendo com que o PSTU fizesse, na prática, frente única com a burguesia entreguista e o imperialismo norte-americano.

Além disso, a TML sempre criticou os desdobramentos dessa política, como a política divisionista no movimento operário, com a criação da CSP-Conlutas, a velha ideia de “sindicatos vermelhos”, “sindicatos paralelos”, política ultraesquerdista, do “terceiro período”, da III Internacional stalinizada. Tal política fez com que o PSTU se distanciasse do movimento operário e de massas, pois implicava concretamente na recusa de intervir revolucionariamente na principal central operária brasileira, a Central Única dos Trabalhadores, quando o certo é intervir em todas as organizações sindicais, independentemente de suas direções burocráticas, pelegas e traidoras, desenvolvendo uma política no sentido da organização independe do proletariado, transformando de “classe em si”, para “classe para si”, com consciência de classe revolucionária, pressuposto indispensável para a construção do partido operário marxista revolucionário.

Ainda, a TML sempre criticou a política oportunista de acordos traidores dos sindicatos controlados pelo PSTU, como o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Metroviários de São Paulo. Em São José dos Campos, são conhecidos os acordos coletivos traidores com a General Motors e a Embraer, só para exemplificar. Aqui, em São Paulo, são conhecidos as sabotagens e traições às lutas e greves do metroviários. O omissão e apoio na prática ao governo do Estado de São Paulo, quando este exigiu dos metroviários que fizessem horas extras para dar suporte às manifestações coxinhas da burguesia e da direita para derrubar Dilma Rousseff, do PT.

A TML sempre advertiu que a pauta da burguesia de corrupção é antiga, sendo sempre utilizada para golpe, como o contra Getúlio Vargas, em 1954, contra João Goulart, em 1964, que instalou a ditadura militar. Essa política vem desde a época da União Democrática Nacional (UDN), de Carlos Lacerda, sendo patrocinada pelos Estados Unidos, pelo Departamento do Estado, o FBI e a CIA. A corrupção é inerente ao sistema capitalista. Parafraseando, Malcom X, que disse que não existe capitalismo sem racismo, podemos dizer que não existe capitalismo sem corrupção. O capitalismo é o último regime da exploração do homem pelo homem 

A TML sempre criticou os grupos e organizações satélites do PSTU, como o Movimento Negação pela Negação (MNN), o Movimento Revolucionário dos Trabalhadores – Liga Estratégica Revolucionária (MRT/LER-QI), e a Liga Bolchevique Internacionalista (LBI). O MNN chegou a pedir a prisão de Lula, numa posição claramente nazi-fascista. O MRT chegou a ir em manifestação da direita, sem vestir camisas vermelhas. Foi “disfarçado”. Somente às vésperas do golpe, passou a lutar contra o mesmo, como a LBI.

Então, distanciamento do PSTU e de seus satélites, do movimento operário e de massas (tanto isso é verdade que não mobilizavam nem 1.000 pessoas nas suas manifestações, na maioria das vezes apenas em torno de uma centena de pessoas) fez com que eles morressem abraçados com a burguesia e o imperialismo norte-americano, sendo o racha no PSTU o reflexo dessa política. A política centrista pequeno-burguesa leva sempre ao distanciamento do movimento operário e de massas e à fragmentação e dispersão.

A autocrítica do setor que rompeu com o PSTU é limitadíssima. Primeiro porque começa demonstrando o caráter oportunista da ruptura: 

“Reconhecemos o PSTU como uma organização revolucionária. Não pensamos que é menos revolucionário agora do que antes. Mas às vezes é impossível aos revolucionários pertencer a uma mesma organização. Apostamos na possibilidade de uma separação amigável, e portanto exemplar, muito diferente de rupturas explosivas e destrutivas que o passado tanto viu. Mantemo-nos, por isso, nos marcos da Liga Internacional dos Trabalhadores, na qualidade de seção simpatizante.”

De início é preciso assinalar que, num partido operário marxista revolucionário, não é impossível aos revolucionários pertencer a uma mesma organização, porque num partido leninista e trotskista são garantidas tendências e frações, ao contrário da concepção stalinista dos morenistas.
Em seguida, a fração que deixou o PSTU diz:

“(...) nos colocamos a serviço da IV Internacional. Abraçamos a herança do trotskismo latino-americano que teve em Nahuel Moreno seu principal dirigente e organizador.”

A TML defende que a IV Internacional realmente foi destruída, após um breve período de luta contra o pablismo. Agora a tarefa dos revolucionários é construir uma nova Internacional operária, marxista e revolucionária. Por outro lado, Nahuel Moreno, como os demais dirigentes que se reivindicaram o Programa de Transição de Leon Trotsky, desenvolveram uma política pablista, de capitulação ao stalinismo e de defesa de frente populares, frente populista, sem travar uma luta contra o nacionalismo burguês. Moreno, na Argentina, colocou sua organização "Sob as diretivas do General Perón e o Comando Superior Peronista", defendendo uma política de frente popular e menchevique, de revolução de fevereiro, de revolução democrática burguesa, etapista, abrindo mão da defesa da Teoria da Revolução Permanente, a qual demonstrou que somente o proletariado, apoiado pelo conjunto dos trabalhadores, pelos camponeses pobres, instaurando um governo operário e camponês, poderá realizar as tarefas democráticas de expulsão do imperialismo, de independência nacional, e de realizar a reforma e revolução agrárias, combinada com a revolução socialista de expropriação das fábricas, empresas, bancos, campo, latifúndio, empresas agrícolas, monopólio do comércio exterior, economia planificada, rumo ao socialismo.

A Fração que rachou com o PSTU defende a Frente de Esquerda Socialista, que, com certeza, deve ser uma frente eleitoral e social-democrata, como a Frente de Esquerda argentina, do Partido Obrero  (PO) e do Partido de los Trabajadores Socialistas (PTS), para levar a “esquerda” ao Congresso (“Llevemos a la izquierda al Congresso”). Jorge Altamira há anos luta para se apossar da herança de Moreno.

Assim, tendo em vista a constatação da falência do Partido dos Trabalhadores (PT), em razão da sua política de colaboração de classes, frente populista, de aliança com partidos burgueses, assim como a tentativa do Partido Liberdade e Socialismo (PSOL) fadada ao fracasso de reeditar um novo PT “sem os vícios e sem os erros”, é necessário que a fração que rompeu com o PSTU faça uma autocrítica radical, que vá à raiz dos problemas, que detecte os interesses das classes inimigas do proletariado que estiveram por trás de suas posições, que fizeram que adotassem as bandeiras da burguesia e do imperialismo, dos inimigos de nossa classe.

Erwin Wolf

Tendência Marxista Leninista, por um partido operário marxista revolucionário

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