segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Editorial do PCO

O Movimento pró-formação de uma Tendência Marxista-leninista (TML) no PT, o qual participa da Frente Resistência, formada pelo o Coletivo Lênin, Coletivo Socialistas Livres, Espaço Marxista, Tendência Revolucionária do PSOL e militantes independentes, publica abaixo o interessante artigo Jornal do Causa Operário, do PCO, por estar de acordo com o mesmo e para subsidiar a discussão sobre a conjuntura nacional neste momento.

"O que temem os golpistas

O golpe contra o governo do PT está em movimento pelo menos desde 2012, quando armaram o julgamento do mensalão, condenando dirigentes do PT mesmo sem provas.

No entanto, apesar de ter se desenvolvido a olhos vistos nesses três anos, o golpe parece não conseguir chegar a um desfecho.

A direita continua se organizando, os ataques à esquerda se intensificaram, a pressão sobre o governo também. A direita conseguiu realizar grandes manifestações pelo impeachment, a imprensa capitalista martela vinte e quatro horas por dia a campanha contra o governo Dilma Rousseff, a Operação Lava Jato vai de vento em popa e graças a isso os órgãos de pesquisa da burguesia foram capazes de declarar que o governo recém-eleito não tem nem 10% de apoio popular. No entanto, Dilma Rousseff continua lá. Pelo menos por enquanto.

O circo está todo montado. Por que então o golpe ainda não se concretizou?

Alguns, otimistas, acreditam que o motivo é que a oposição de direita não quer de fato derrubar o governo do PT, mas apenas enfraquecê-lo de modo a que a direita consiga vencer as próximas eleições.

Mas não se trata apenas de jogo de cena. A direita, a serviço do imperialismo, quer a saída de Dilma Rousseff do Planalto.

Um dos motivos veio à tona na última semana: os golpistas temem a reação popular.

O que mais chamou a atenção para isso foi o caso envolvendo o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Ao mesmo tempo em que a oposição golpista usa Cunha como a principal peça para promover o impeachment, procurou apresenta-lo, diante das recentes denúncias de corrupção, como parte do esquema de corrupção do PT, como um aliado do governo, mesmo tendo ele já declarado sua ruptura e sendo notoriamente um opositor do governo em todas as questões centrais.

Ou seja, a direita procura manobrar diante do fato de que Eduardo Cunha é uma figura extremamente impopular, o que poderia acabar comprometendo o impeachment.

Toda a cautela e hesitação, todas as manobras, tem por objetivo não despertar a classe operária da espécie de torpor em que foi colocada. Muitos elementos da direita que são contra o governo alertaram para o perigo do processo de impeachment provocar uma reação popular, o que poderia levar ao fracasso do golpe e colocar ainda mais em risco os planos do imperialismo.

A classe trabalhadora é um fator decisivo na situação e não pode ser ignorada. Se a possibilidade de um levante contra o golpe faz os golpistas hesitarem, está claro que a mobilização decidida dessa mesma classe pode barrar o golpe caso ele finalmente seja colocado em marcha, mesmo que violento. Na realidade, de um modo ou de outro, só a classe operária pode impedir o golpe."

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