domingo, 10 de janeiro de 2016

Esportistas e a questão nacional e o racismo

McGregor x Floyd Mayweather

A imprensa noticiou que houve uma discussão entre Conor McGregor, campeão peso-pena do UFC, e o maior pugilista da atualidade, em diversas categorias (desde peso-pena até meios-médios e médios-ligeiros), recentemente aposentado, Floyd Mayweather, envolvendo a questão do racismo e a questão nacional (Globo.com, 9/jan).
Conforme o citado Portal:

“Conor McGregor rebate "tese racista" de Floyd Mayweather e o desafia
Ex-boxeador declarou que era tachado de "arrogante e convencido" por seu estilo provocador e que irlandês não é tratado assim, apesar de adotar a mesma postura”
TWITTER

Conor McGregor falou sério ao responder o ex-boxeador através das redes sociais (Foto: Evelyn Rodrigues)
Floyd Mayweather apimentou a rivalidade com Conor McGregor no início da semana, ao dizer que, diferentemente dele, o irlandês é adorado por seu estilo provocador. O ex-boxeador colocou o preconceito racial como justificativa para a questão e, na sexta-feira, o campeão peso-pena do UFC o respondeu através do Instagram.

Acostumado a ironizar adversários e a falar o que vem à cabeça, McGregor tratou a questão com seriedade e ainda desafiou o ex-pugilista.

- Floyd Mayweather, nunca mais coloque raça no meu sucesso novamente. Sou irlandês, meu povo tem sido oprimido durante toda a sua existência e muitas pessoas ainda são. Compreendo o sentimento de preconceito, é um sentimento profundo no meu sangue. Houve um tempo na história da minha família em que apenas ter o nome "McGregor" era passível de punição com a morte. Não me coloque nisso de novo. Se você quiser, podemos organizar uma luta sem problemas. Darei a você 80/20 da bolsa a meu favor, já que você foi bombardeado em todas as áreas. Aos 27 anos de idade, tenho a chave do jogo. Esse jogo responde a mim agora.

Em entrevista ao site "Fight Hype", Mayweather falou sobre o racismo não só ao citar McGregor, mas também Ronda Rousey, ex-campeã peso-galo do Ultimate. "Money" declarou que Laila Ali, filha de Muhammad Ali e ex-campeã mundial peso-super-médio de boxe, merecia a mesma visibilidade que "Rowdy", uma das atletas mais celebradas do UFC, em 2015.”

A Tendência Marxista-Leninista entende que os dois lutadores abordaram questões importantes, o lutador norte-americano negro aposentado, Mayweather, a questão do racismo, que deve ser combatido, como fazem os negros nos Estados Unidos, sendo que recentemente ocorreram os assassinatos de jovens negros pela polícia americana em Baltimore e Ferguson, o que provocou a revolta da população nessas cidades. A luta contra o racismo coloca a necessidade da derrubada do capitalismo, como nos ensinou o ativista negro norte-americano Malcolm X: "Não existe capitalismo em sem racismo". Por outro lado, o lutador de UFC, McGregor, a questão da opressão da Irlanda, denunciada desde os tempos de Karl Marx. Historicamente, ocorreu o debate entre Vladimir Lênin e Rosa Luxemburgo, com o codinome de Junius, sobre a questão nacional, sobre a questão da autodeterminação dos povos. O marxista russo defendeu a autodeterminação dos povos, enquanto a marxista polaco-alemã colocou-se contra. Em 19 de setembro de 2014, houve um plebiscito na Escócia a repeito da sua independência, tendo vencido o “não”, por pequena margem de votos, ou seja, a Escócia continua fazendo parte do Império britânico, sendo oprimida como a Irlanda também. Um dos argumentos defendidos pelos contrários à independência, como o grupo Socialist Fight, da Inglaterra, era que a Escócia é inviável em termos capitalista (o Socialist Fight mencionou citação em seu Blog nesse sentido – nota de E.W.), argumento esse falso porque, do ponto de vista marxista, o capitalismo está condenado, não só na Escócia, como no mundo inteiro, como assinalou Trotsky, desde 1938, no Programa de Transição, sobre “As condições objetivas necessárias para a revolução socialista”:

“A condição econômica necessária para a revolução proletária já alcançou, há muito, o mais alto grau de maturação possível sob o capitalismo.(...). Sob as condições da crise social de todo o sistema capitalista, as crises conjunturais sobrecarregam as massas com privações e sofrimentos cada vez maiores. O crescimento do desemprego aprofunda, por sua vez, a crise financeira do Estado e enfraquece os sistemas monetários instáveis. Os governos, tanto democráticos quanto fascistas, vão de uma bancarrota à outra.

A própria burguesia não vê nenhuma saída. Nos países onde foi obrigada a fazer sua última jogada com a carta do fascismo, atualmente caminha rápido e de olhos fechados, para uma catástrofe econômica e militar. Nos países historicamente privilegiados, isto é, naqueles onde ainda pode permitir-se, durante algum tempo, o luxo da democracia às custas da acumulação nacional anterior (Grâ-Bretanha, França, Estados Unidos, etc.), todos os partidos tradicionais do capital encontram-se num estado de desagregação que, por momentos, chega à paralisia da vontade.(...)”.

Por fim, a TML internamente com relação ao Boxe e ao UFC não tem uma posição fechada com relação aos mesmos, em razão de serem esportes violentos. Uma parte da TML entende que é necessário aprofundar a discussão, porque alguns militantes do movimento operário vêm esses esportes como manifestação da barbárie, preocupando-se com as doenças provocadas, como Mal de Parkinson, que afetou o campeão mundial dos pesos-pesados Cassius Clay, o Muhammad Ali, a chamada “demência pugilística”, que afetou vários lutadores, etc. O certo é que por enquanto, o que temos é a experiência da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e a cubana, onde o Boxe é praticado como modalidade olímpica, sendo que em ambos os países revelaram grandes lutadores de boxe, como o herói nacional cubano, Téofilo Stevenson, peso-pesado que ganhou várias medalhas olímpicas.

Em todo caso, a TML decreta aqui a vitória dos grandes Conor McGregor e Floyd Mayweather, por decisão unânime.

Erwin Wolf

Nenhum comentário:

Postar um comentário