domingo, 24 de janeiro de 2016

Há 92 anos o proletariado mundial perdia Lênin

Vladimir Ilitch Ulianov, que ficou conhecido com o codinome de  Lênin, o maior líder do proletariado mundial desde Marx e Engels, morreu em Gorki, em 21 de janeiro de 1924.

Lênin nasceu em Simbirsk, em 22 de abril de 1870. Era filho de uma professora e de um inspetor de escola. Descendia de russos, tártaros, alemães, suecos e seu avô materno era judeu. Pelas fotos e filmes da época, notamos que os traços tártaros de Lênin sobressaem.

Em 1887, seu irmão mais velho, Alexandre foi enforcado por tentar assassinar o czar Alexandre III, enquanto sua irmã Ana foi presa.

Lênin casou com Nádia Krupskaya, em 1898.

Em 1895, Lênin fundou a Liga de Luta pela Emancipação da Classe Operária. Em 7 de dezembro desse ano foi preso, passando 14 meses na cadeia.

Lênin, em 1889, escreveu a sua primeira obra “O Desenvolvimento do Capitalismo na Rússia”.

Viveu no exílio, a partir de 1900. De 1900 a 1902, em Munique, na Alemanha; de 1902 a 1903, em Londres, na Inglaterra; e de 1903 a 1905, em Genebra, na Suiça.

Em 1902, fundou a velha Iskra (faísca, centelha), o jornal do Partido Operário Social-democrata Russo, que tinha como redatores, Georg Plekanov, Juli Martov, Pavel Axelrod, Vera Zasulich, Alexander Potresov, e Leon Trotsky. Nessa época, adota o codinome de Nicolau Lênin.

É dessa época uma das suas principais obras, “Que Fazer?” de 1902, em que ele aborda questões importantes, como o economismo, a questão sindical, a questão do jornal como organizador, e sobretudo a questão do partido, tendo em vista que na época havia muita dispersão dos revolucionários, em diversos círculos e organizações, como, por exemplo, o Bund judeu. Outras obras dessa época: “Um Passo Atrás, Dois Passos Para Frente”, de 1904, e “Duas Táticas da Social-Democracia na Revolução Democrática”, de 1905.

No II Congresso do Partido, em 1903, em Bruxelas, Bélgica, e Londres, na Inglaterra, houve a cisão do Partido Social-democrata Russo, em torno do artigo 1º do Estatuto, surgindo as frações bolcheviques e mencheviques, porque os primeiros tinham a concepção de organizar um partido de revolucionários profissionais, conforme a redação de Lênin:    “1. É considerado membro do Partido todo aquele que reconhece o Programa do Partido e o apóia, seja com meios materiais, seja com sua participação pessoal em uma das organizações partidárias”, enquanto os segundos tinham uma concepção partidária mais frouxa,  defendendo a “colaboração”, sem necessidade de participação, mais voltado para a “intelligentsia”. No Congresso, os partidários de Lênin eram maioria, daí o nome bolchevique (maioria, grande – lembram-se do Ballet Bolshoi).

Lênin voltou à Rússia em 1905, quando da Primeira Revolução Russa. O Partido Operário Social-democrata Russo participou da mesma com aproximadamente 15 mil mencheviques e 10 mil bolcheviques. Agora, os mencheviques tinham adquirido maior influência de massas. 

Em razão da reação que se seguiu à derrota da Revolução de 1905, Lênin voltou ao exílio, sendo que, em 1907, conheceu em Paris a sua nova companheira, Inessa Armand.

Em 1912, ocorreu a separação definitiva entre bolcheviques e mencheviques.

Em 1915, participa da Conferência Socialista de Zimerwald. Trotsky brinca, em seu livro “Minha Vida”, que os delegados couberam em dois automóveis. A esquerda de Zimerwald soltou um manifesto internacionalista contra a guerra imperialista, redigido por Trotsky. Apenas Karl Liebknecht votou contra os créditos de guerra, para que o imperialismo alemão não tivesse condições de fazer a guerra. Todavia, os demais deputados “socialistas” tanto na Alemanha, como nos demais países imperialistas, como França e Inglaterra, votaram os créditos de guerra para suas burguesias fazerem a guerra imperialista, onde só morrem os operários, camponeses e a maioria da população pobre e oprimida.

É dessa época suas obras “Socialismo e  Guerra”, de 1915, e “Imperialismo, fase superior do capitalismo”, de 1916, que se baseou nas obras de Karl Kautsky e John A. Hobson, como também no “Capital Financeiro", de Rudolf Hilferding, de 1910.

A Obra de Lênin continua toda atual, mas estas são atualíssimas, em razão da Nova Guerra Fria que vivemos, com a ascensão da China e da Rússia, que em razão de terem realizado as chamadas tarefas democrática, ou seja, reforma e revolução agrárias e independência nacional (expulsão do imperialismo), liberando as forças produtivas na sociedade de transição do capitalismo para o socialismo, por causa da lei da economia planificada ter combatido a lei do valor, transformaram-se em países imperialistas e adquiriram condições de concorrer e de competir com os países capitalistas avançados tradicionais, como os Estados Unidos, a Inglaterra, a França, a Alemanha e o Japão, aumentando a crise capitalista mundial que vivemos na atualidade.

Em 9 de abril de 1917, Lênin, a esposa e outros camaradas viajaram de trem, retornando à Rússia, viagem essa facilitada pelo governo alemão que tinha interesse que a Rússia se retirasse da guerra, conforme a posição dos bolcheviques.

Foi nessa ocasião em que ele apresentou as famosas “Teses de abril”, elaboradas durante a viagem de volta.

Após a Revolução de Fevereiro de 1917 na Rússia, o Partido Bolchevique viveu uma crise de direção, porque “A marcha real da Revolução de Fevereiro ultrapassou o esquema habitual do bolchevismo.” (Leon Trotsky, “ A História da Revolução Russa, 1º  vol. “A Queda do Tzarismo”,  pág. 271, Editora Paz e Terra, 3ª Edição, 1978), referindo-se a fórmula algébrica de Lênin de “ditadura democrática do proletariado e dos camponeses.”  “É verdade que a Revolução tinha sido levada a termo por meio de uma aliança dos operários com os camponeses. O fato de os camponeses agirem principalmente sob a farda dos saldados não alterava, em absoluto, a questão.” (Idem, pág. 271) A fórmula algébrica do Partido Bolchevique não dava resposta para o prosseguimento da política revolucionária. O partido vivia um impasse, uma crise de direção.

Com a chegada de Lênin, no dia 3 de abril de 1917, ele apresentou as suas famosas “Teses de Abril”, as quais faziam uma análise concreta da situação concreta (“O Proletariado consciente só pode dar seu consentimento a uma guerra revolucionária, que justifique verdadeiramente o defencismo revolucionário, sob estas condições: a) passagem do poder ao proletariado e dos setores mais pobres do campesinato a ele aliados; b) renúncia de fato, e não só de palavra, a qualquer tipo de anexação; c) ruptura de fato com todos os interesses do capital.”), aperfeiçoando a linha programática do Partido Bolchevique, sendo que “A luta pelo rearmamento dos quadros bolchevique, iniciada na tarde de 3 de abril, terminou, pràticamente, no fim do mês. A conferência do Partido, realizada em Petrogrado de 24 a 29 de abril, tirava conclusões de março, mês de tergiversações oportunistas, e de abril, mês de crise aguda. O Partido, naquela época, crescera consideràvelmente, tanto em quantidade como em valor político. Os 149 delegados representavam 79 mil membros do Partido, dos quais 15.000 de Petrogrado. Para um partido ainda ontem ilegal e hoje antipatriota, era um número imponente, e Lenine menciona-o repetidamente com satisfação.(...)” (Idem, pág. 280). Com isso, resolveu-se o impasse do Partido Bolchevique e a crise de direção revolucionária que ele viveu. G. Plekânov, ensinou que: (...).  A modificação mais ou menos lenta das “condições econômicas” coloca perìodicamente a sociedade ante a inelutabilidade de reformar com maior ou menor rapidez suas instituições. Esta reforma jamais se produz “espontâneamente”.  Ela exige sempre a intervenção dos homens, diante dos quais surgem, assim, grande problemas sociais. E são chamados de grandes homens precisamente aquêles que, mais que ninguém, contribuem para a solução destes problemas.(...). ("A concepção materialista da Hitória, pág. 111, Editora Par e Terra, 1974.”

Segue a conclusão de Trotsky sobre essa crise de direção revolucionária que viveu, após a Revolução Russa de Fevereiro de 1917, o maior partido operário marxista revolucionário da História, o Partido Bolchevique:

“Da importância excepcional que teve a chegada de Lenine, deduz-se apenas que os líderes não se criam por acaso, que a seleção e a educação deles exigem dezenas de anos, que não se pode suplantá-los arbitràriamente; que, excluindo-os automàticamente da luta, causamos ao Partido uma ferida profunda e que, em certos caos, podemos até paralisá-lo por longo tempo.”

O exemplo que demos refere-se a um caso de crise de direção revolucionária vivido por uma seção da Internacional, representada na época pela esquerda de Zimmerwald, mas logicamente, serve para a questão da crise de direção revolucionária da própria Internacional Operária hoje em dia.

Os bolcheviques, com a palavra de ordem “Todo poder aos sovietes”, chegaram ao poder, sendo que Lênin liderou o governo soviético, sendo Presidente do Comissariado do Povo.

Dessa época são as obras “O Estado e a Revolução”, “As Três Fontes e as Três Partes Constitutivas do Marxismo”, “Capitalismo e Agricultura nos Estados Unidos da América” de 1917, “Esquerdismo e Doença Infantil do Comunismo”, e “Sobre a Dualidade de Poderes”, de 1920.

Em 14 de janeiro de 1918, Lênin sofreu um atentado a bala por parte de Fany Kaplan, membro do Partido Socialista Revolucionário, ficando ferido gravemente, mas conseguiu se recuperar.

Lênin, juntamente com Trotsky, que era o comissário do povo para assuntos exteriores, celebraram a paz de Brest-Litovski com a Alemanha, Áustria-Hungria, Bulgária e o Império Otomano, em 3 de março de 1918.

Excepcionalmente, no X Congresso do Partido Bolchevique, em 1921, foram suprimidas as tendências do partido, em razão da guerra civil.

Depois, Lênin e Trotsky, que tornara-se comissário do povo para a guerra e havia criado o Exército Vermelho, venceram os 14 exércitos impulsionados pelos imperialismos estrangeiros na Guerra Civil.

O legado de Lênin é o bolchevismo:

“A primeira pergunta que surge é a seguinte: como se mantém a disciplina do partido revolucionário do proletariado? Como é ela comprovado? Como é fortalecida? Em primeiro lugar, pela consciência da vanguarda proletária e por sua fidelidade à revolução, por sua firmeza, seu espírito de sacrifício, seu heroísmo. Segundo, por sua capacidade de ligar-se, aproximar-se e, até certo ponto, se quiserem, fundir-se com as mais amplas massa trabalhadoras, antes de tudo com as massas proletárias, mas também com as massas trabalhadoras não proletárias. Finalmente, pela justeza da linha política seguida por essa vanguarda, pela justeza de sua estratégia e de sua tática políticas, com a condição de que as mais amplas massas se convençam disso por experiência própria. Sem essas condições é impossível haver disciplina num partido revolucionário realmente capaz de ser o partido da classe avançada, fadada a derrubar a burguesia e a transformar toda a sociedade. Sem essas condições, os propósitos de implantar uma disciplina convertem-se, inevitavelmente, em ficção, em frases sem significado, em gestos grotescos. Mas, por outro lado, essas condições não podem surgir de repente. Vão se formando somente através de um trabalho prolongado, de uma dura experiência; sua formação é facilitada por uma acertada teoria revolucionária que, por sua vez, não é um dogma e só se forma de modo definitivo em estreita ligação com a experiência prática de um movimento verdadeiramente de massas e verdadeiramente revolucionário.” ("Esquerdismo, Doença Infantil do Comunismo", pág. 14, de 1920).

É importante frisar que no partido de Lênin vigorava o centralismo democrático, entendido como a mais ampla liberdade de discussão e total unidade de ação.

A  experiência da Comuna de Paris, a primeira Revolução Proletária vitoriosa, durou alguns meses. Em seguida a experiência da Revolução Russa, do bolchevismo, durou aproximadamente 75 anos. Tivemos, ainda, a experiência dos Estados operários do leste europeu, das Revoluções proletárias chinesa, vietnamita, cubana e coreana, sendo que estas últimas duas prosseguem.

A burguesia antes de se tornar a classe dominante passou por vicissitudes, como o proletariado tem passado, todavia, como nos ensinou Marx, as revoluções “encontram-se em constante auto-crítica, (...) retornam ao que aparentemente conseguiram realizar, para recomeçar tudo de novo, (...) parecem jogar seu adversário por terra somente para que ele sugue dela novas forças e se reerga diante delas em proporções ainda mais gigantescas.” (“O 18 do brumário de Luís Bonaparte”, p. 30)”.

A vaga revolucionária no Secúlo XXI, com certeza, será um verdadeiro tsunami.

Erwin Wolf

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