segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

O beco sem saída da política do PSTU e do PCB

O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados, o PSTU, que dirige a CSP-Conlutas, realizou uma “Plenária Sindical e Popular” do “Espaço Unidade de Ação”, que foi um verdadeiro fracasso, que contou com apenas 100 pessoas, em razão do flerte com a direita, como admitiu um dos grupos participantes a LBI.

Embora os companheiros partam de premissas corretas, quando consideram a política frente populista de colaboração de classes, de capitulação à política pró-imperialista do capital financeiro de austeridade e de ajuste fiscal, tanto do ex-ministro Joaquim Levy, como agora de Nelson Barbosa, por parte da direção do PT, porém os camaradas do PSTU e do PCB levam um política divisionista no movimento sindical, perigosamente agravada ao não enxergar o golpe em marcha, chegam a uma conclusão “esquerdista”, defendendo o “Fora Alckmin, Fora Cunha e Fora Dilma”, ou seja, o “Fora Todos”, acabam flertando com a direita.

Inclusive,  os companheiros do PSTU e PCB, como também da MRT/LER-QI, LBI, MNN, POR,  chegam a flertar com o golpe, usando a “pauta” da imprensa burguesa e pró-imperialista da corrupção, como se no regime capitalista não vigorasse a Lei de Gerson (jogador de futebol da Seleção brasileira, que fazia a propaganda de cigarros, com o bordão de que “gosto de levar vantagem em tudo”), o chamado lucro, a lei do valor, da corrupção, a extração da mais-valia, da exploração do homem pelo homem. Os camaradas chegaram até mesmo participar das manifestações “coxinhas”, da direita e da extrema-direita.

Essa política está levando aos companheiros ao fracasso e ao isolamento total.

O problema é que o fracasso das organizações dos camaradas não interessa ao movimento operário e popular e à luta contra o golpe de estado.

É preciso ter claro que o golpe é um processo. O golpe militar de 1964, começou em 1954, com Getúlio, depois em 1961, houve a “renúncia” de Jânio Quadros. Depois, de 1964, houve o “golpe dentro do golpe”, o chamado Ato Institucional n. 5 (AI5). Se houver capitulação, não houver resistência, o golpe poder sair vitorioso, como o golpe “parlamentar” no Paraguai, que depôs o presidente Fernando Lugo. Se o golpe for enfrentado, ele pode ser derrotado, como recentemente (em termos históricos) aconteceu na Venezuela, quando Chaves foi deposto e, em razão da resistência popular, ele retornou ao poder. Além disso, um golpe bem enfrentado, como no caso do General Kornilov, na Rússia, em 1917, onde os bolcheviques de Lênin fizeram frente única com Kerenski, pode desembocar numa situação revolucionária. 

Por outro lado, infelizmente quando o movimento operário e popular não consegue fazer a frente única operária anti-golpista e anti-fascista as derrotas têm consequências gravíssimas, tornando-se uma tragédia.

É importante, neste mês de janeiro, que coincide com a data da fundação do Partido Nazista alemão, em 1919, e a ascensão de Hitler ao poder na Alemanha, em 1933, porque o Partido Comunista alemão recusou-se a fazer a frente única operária com o Partido Socialista, chamando-os de sociais-fascistas, a chamada “Teoria do Social-fascismo”, façamos um profunda reflexão sobre essa tragédia para o proletariado mundial, que custou milhões de vidas de russos, poloneses, ingleses, alemães, austríacos, franceses, ciganos, judeus, homossexuais, e muitos outros povos.  

Conforme recentemente lembrou Rui Costa Pimenta, dirigente do Partido da Causa Operária (PCO), na época Trotsky dizia que quando se diz que tudo é igual, por trás há capitulação, porque para o materialismo dialético, o socialismo científico, nada igual. Os companheiros  repetem o mesmo erro do PC alemão, quando dizem que PT e PSDB são iguais. O PS alemão não era igual ao fascismo.

Essa atitude é semelhante ao que fez o PC alemão, quando procurava “pauta”, “coincidências” com o nazismo, como nos ensina , Osvaldo Coggiola, no seu trabalho “TROTSKY, A ASCENSÃO DO NASZISMO E O PAPEL DO STALINISMO”:

“Junto ao SPD (Partido Socialista – E.W.), teria dito todas as chances de barrar os nazistas, mas a sua política divisionista (denúncia do SPD como “social-fascista”) foi tal que levou o historiador  R. T. Clark a refletir: “É impossível ler a literatura comunista da época sem sentir calafrios diante do desastre a que leva um grupo de homens inteligentes à recusa de usar a inteligência de modo independente.” O KPD (Partido Comunista alemão – E.W.) insistia na procura de temas comuns com os nazistas (contra Versalhes, pela “independência nacional, contra os bonzos) até usar uma terminologia semelhante (“revolução popular”). Chegou a afirmar que antes de combater o “fascismo”, era preciso combater o “social fascismo” (o SPD), propondo então a “frente única pela base” aos operários social-democratas. No conjunto, a sua política era definida pelo dirigente da Internacional Comunista, Manuilski: “O nazismo será o último estágio do capitalismo antes da revolução social”...
(..).  Enquanto  os  partidos  comunistas  “stalinizados”  consideravam  a  vitória  nazista
como um “mal menor”, Trotsky já advertia sobre a horrenda originalidade do novo tipo de contra-revolução,  em  1932:  “O  fascismo  põe  em  pé  aquelas  classes  imediatamente  acima do  proletariado,  e  que  vivem  com  receio  de  serem  obrigadas  a  cair  em  suas  fileiras; organiza-as  e  militariza-as  às  custas  do  capital  financeiro,  com  a  cobertura  do  governo oficial  (...).  O  fascismo  não  é  apenas  um  sistema  de  represálias,  de  força  brutal,  de  terror policial.  O  fascismo  é  um  determinado  sistema  governamental  baseado  na  erradicação  de todos os elementos da democracia proletária dentro da sociedade burguesa”.
(...) Bem antes da “semiologia” nascer, Trotsky advertia que “se os caminhos do inferno estão cheios de boas intenções, os do III Reich estão cheios de símbolos”, pois “se todo pequeno-burguês encardido não pode virar Hitler, uma parte deste se acha em todo pequeno-burguês encardido”.

No que tange ao movimento sindical, a CSP-Conlutas não é alternativa à CUT. Os companheiros deveriam defender a integração à CUT, ou, ao menos, buscar uma política de frente única na ação contra o ajuste fiscal e contra o golpe, o que colocaria em xeque a política frente populista e de colaboração de classes da direção do PT.

A política divisionista está em contradição com os ensinamentos de Trotsky:

“Não existindo a democracia operária não há qualquer possibilidade de lutar livremente para influir sobre os membros do sindicato. Com isso desaparece, para os revolucionários, o campo principal de trabalho nos sindicatos. No entanto, essa posição seria falsa até à medula. Não podemos escolher por nosso gosto e prazer o campo de trabalho nem as condições em que desenvolveremos nossa atividade. Lutar para conseguir influência sobre as massas operárias dentro de um estado totalitário ou semitotalitário é infinitamente mais difícil que numa democracia. Isto também se aplica aos sindicatos cujo destino reflete a mudança produzida no destino dos estados capitalistas. Não podemos renunciar à luta para conseguir influência sobre os operários alemães simplesmente porque ali o regime totalitário torna essa tarefa muito difícil. Do mesmo modo, não podemos renunciar à luta dentro das organizações trabalhistas compulsórias, criadas pelo fascismo. Menos ainda podemos renunciar ao trabalho sistemático no interior dos sindicatos de tipo totalitário ou semitotalitário somente porque dependam, direta ou indiretamente, do estado operário ou porque a burocracia não dá aos revolucionários a possibilidade de trabalhar livremente neles. Deve-se lutar sob todas essas condições criadas pela evolução anterior, onde é necessário incluir os erros da classe operária e os crimes de seus dirigentes. Nos países fascistas e semifascistas é impossível concretizar um trabalho revolucionário que não seja clandestino, ilegal, conspirativo. Nos sindicatos totalitários ou semitotalitários é impossível ou quase impossível realizar um trabalho que não seja conspirativo. Temos de nos adaptar às condições existentes nos sindicatos de cada país para mobilizar as massas não apenas contra a burguesia, mas também contra o regime totalitário dos próprios sindicatos e contra os dirigentes que sustentam esse regime.” ("O Sindicato na Época da Decadência Imperialista", 1940).

O Movimento pró-formação de uma Tendência Marxista-Leninista do PT, partindo da experiência vitoriosa dos estudantes secundaristas e professores de São Paulo, que deram uma aula, derrotando o governo do PSDB tucano de Geraldo Alckmin, impedindo a “reorganização escolar”, eufemismo para o ajuste fiscal estadual, ou seja, fechamento de escolas e demissões de professores, onde, na prática, materializou-se ocorreu a frente única do anti-golpista do PT, PCdeB, PSOL, PCO, CUT, CTB, UBES, UNES, MTST, MST, movimentos populares e sociais, a TLM defende que esta experiência seja, seguida, reforçada e amplificada em nível nacional, na luta contra o golpe (“impeachment”) da burguesia e do imperialismo norte-americano.

Para tanto, a Tendência Marxista-Leninista renova  o chamamento especial às direções e aos militantes do PSTU, PCB, PPL, MRT/LER-QI, LBI, POR e do MNN, da CSP-Conlutas, Força Sindical (os companheiros do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André, pertencente à Força Sindical, já estão conosco no Comitê de Luta contra o golpe no Grande ABC paulista), CGTB, que se somem à luta anti-golpista, levantando conosco bem alto as reivindicações transitórias da classe operária contra o ajuste fiscal, para barrar a terceirização e as MPs 664 e 665 (que reduzem pensões, aposentadorias, e o seguro-desemprego, etc.), escala móvel de salários (reajuste automático de salários de acordo com a inflação); redução da jornada de trabalho, sem redução de salários;  fim das demissões, estabilidade no emprego; não aos cortes dos programas sociais, e fim do congelamento dos vencimentos dos funcionários públicos, e em defesa da Petrobras e da expropriação da Samarco (Vale + BHP Billiton).

Erwin Wolf

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