terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

A vitória do Exército Vermelho contra o nazismo: uma inspiração para os dias de hoje

A batalha de Stalingrado ocorreu de 17 de julho de 1942 a 2 de fevereiro de 1943 e provocou a morte de 2 milhões de pessoas, em razão da ofensiva do 6º Exército de Hitler e das tropas do Eixo (Itália, Romênia e Japão, etc.), chefiadas pelo Marechal Friedrich von Paulus.

A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) era dirigida por Joseph Stalin, que havia sucedido Vladimir Lênin, juntamente com os outros dois membros da chamada troika, Georg Zinoviev e Lev Kamenev.

Eles enfrentaram a Oposição de Esquerda de Leon Trotsky e Eugênio Preobrajenski, economista soviético que defendiam a necessidade de impulsionar de forma prioritária a industrialização e a coletivização do campo na União Soviética. Havia, ainda, a Oposição de Direita, liderada por Nicolau Bucarin que defendia que os kulaks, os camponeses ricos.

Depois, Zinoviev e Kamenev romperam com Stalin e formaram a Oposição Conjunta com Trotsky.

A política soviética de Stalin foi desastrosa, tendo em vista o ritmo lento da industrialização e a coletivização forçada, que colocou o campo contra os operários das cidades.

Isso refletiu na Internacional Comunista que passou pelo período ultra-esquerdista do 3º período, que impulsionou a insurreição de Cantão na China, bem como a política da “Frente populares”, frentes de colaboração de classes, de submissão ao nacionalismo burguês das semi-colônias, como, por exemplo, o ingresso no Kuomintang chinês, de seguidismo a Chiang Kai-shek, que acabou redundando no massacre dos comunistas chineses.

Os anos 1934, 1935, 1936 foram os anos dos chamados processos de Moscou, onde houve a execução de toda a velha guarda do Partido Bolchevique de Lênin, como Zinoviev, Kamenev, Bucarin, e dos generais  e marechais do Exército Vermelho, criado por Leon Trotsky, como o, por exemplo, o Marechal Mikhail Tukhachevsky.

Em 23 de agosto de 1939, Joseph Stalin celebrou acordo de não-agressão com Hitler, o chamado Acordo Molotov-Ribentrop (Vyalhceslav Molotov, comissário do povo das relações exteriores da URSS e Joachim von Ribentrop, chanceler alemão).

É importante ter presente que o mês passado, janeiro, coincidiu com a data da fundação do Partido Nazista alemão, em 1919, e a ascensão de Hitler ao poder na Alemanha, em 1933, porque o Partido Comunista alemão recusou-se a fazer a frente única operária com o Partido Socialista, chamando-os de sociais-fascistas, a chamada “Teoria do Social-fascismo”, façamos um profunda reflexão sobre essa tragédia para o proletariado mundia, que custou milhões de vidas de russos, poloneses, ingleses, alemães, austríacos, franceses, ciganos, judeus, homossexuais, e muitos outros povos.  

Conforme recentemente lembrou Rui Costa Pimenta, dirigente do Partido da Causa Operária (PCO), na época Trotsky dizia que quando se diz que tudo é igual, por trás há capitulação, porque para o materialismo dialético, o socialismo científico, nada igual.

Essa atitude é semelhante ao que fez o PC alemão, quando procurava “pauta”, “coincidências” com o nazismo, como nos ensina , Osvaldo Coggiola, no seu trabalho “TROTSKY, A ASCENSÃO DO NASZISMO E O PAPEL DO STALINISMO”:

“Junto ao SPD (Partido Socialista – E.W.), teria dito todas as chances de barrar os nazistas, mas a sua política divisionista (denúncia do SPD como “social-fascista”) foi tal que levou o historiador  R. T. Clark a refletir: “É impossível ler a literatura comunista da época sem sentir calafrios diante do desastre a que leva um grupo de homens inteligentes à recusa de usar a inteligência de modo independente.” O KPD (Partido Comunista alemão – E.W.) insistia na procura de temas comuns com os nazistas (contra Versalhes, pela “independência nacional, contra os bonzos) até usar uma terminologia semelhante (“revolução popular”). Chegou a afirmar que antes de combater o “fascismo”, era preciso combater o “social fascismo” (o SPD), propondo então a “frente única pela base” aos operários social-democratas. No conjunto, a sua política era definida pelo dirigente da Internacional Comunista, Manuilski: “O nazismo será o último estágio do capitalismo antes da revolução social”...
(..).  Enquanto  os  partidos  comunistas  “stalinizados”  consideravam  a  vitória  nazista como um “mal menor”, Trotsky já advertia sobre a horrenda originalidade do novo tipo de contra-revolução,  em  1932:  “O  fascismo  põe  em  pé  aquelas  classes  imediatamente  acima do  proletariado,  e  que  vivem  com  receio  de  serem  obrigadas  a  cair  em  suas  fileiras; organiza-as  e  militariza-as  às  custas  do  capital  financeiro,  com  a  cobertura  do  governo oficial  (...).  O  fascismo  não  é  apenas  um  sistema  de  represálias,  de  força  brutal,  de  terror policial.  O  fascismo  é  um  determinado  sistema  governamental  baseado  na  erradicação  de todos os elementos da democracia proletária dentro da sociedade burguesa”.
(...) Bem antes da “semiologia” nascer, Trotsky advertia que “se os caminhos do inferno estão cheios de boas intenções, os do III Reich estão cheios de símbolos”, pois “se todo pequeno-burguês encardido não pode virar Hitler, uma parte deste se acha em todo pequeno-burguês encardido”.

Em razão da ascensão de Hitler na Alemanha, Trotsky, que atuava por meio da Oposição de Esquerda Internacional, rompe com a Internacional Comunista, passando a lutar pela IV Internacional, que foi fundada em 3 de setembro de 1938.

Prosseguindo, Leopold Trepper, polonês, chefe da Orquestra Vermelha, órgão soviético de espionagem, disse em seu livro “O Grande Jogo” que avisou várias vezes a Stalin que Hitler havia invadido a União Soviética, mas Stalin não acreditava, confiando no Acordo celebrado.

A invasão a Stalingrado aconteceu em 22 de junho de 1941.

O Exército de Hitler combinando com a invasão de Stalingrado, impulsionou também a Batalha de Moscou iniciada em 5 de dezembro de 1941.

Em stalingrado, “mil bombas jogadas contra a cidade e arredores, transformando-a em destroços, apesar de algumas estruturas de fábricas ainda sobreviverem e continuarem sua produção de guerra em turnos de 24 horas. (Wikipédia).

Em uma semana 40 mil mortos e perda de 201 aviões soviéticos (Wikipédia).

Todavia, Stalin determinou “Nenhum passo atrás.” (Wikipédia).

Essa ordem de Stalin lembra-nos a ordem de Trotsky de defesa de Petrogrado, na Guerra Civil (1918-1921). Interessante, que o próprio Lênin era pela evacuação da cidade na época, mas Trotsky entendia que era preciso defendê-la a todo custo e saiu-se vitorioso. Inclusive, ele organizou a defesa de Petrogrado expondo bastante a sua vida. Aqui, nos recordamos também da observação do escritor inglês e biógrafo de Trotsky, Robert Service, que disse que na Guerra Civil, Trotsky, com seu Exército ao Norte, e Stalin, com seu Exército ao Sul, parece que competiam sendo implacáveis na guerra.

O Marechal Andrei Yeremenko e o General Vasily Chuicov, juntamente como o comissário político Nikita Kruschev, em 1º de setembro de 1942, organizaram a defesa da cidade, por meio do 62º Exército soviético, com o objetivo de defendê-la a qualquer custo.

“Antes que a Wehrmacht alcançasse a cidade propriamente dita, a Luftwaffe havia atacado no rio Volga, via vital para o movimento de suprimentos em direção à cidade, deixando-a praticamente inutilizável para a navegação de barcos.” (Wikipédia).

As batalhas foram brutais.

“A estação de trem de stalingrado mudou de mãos mais de quatorze vezes em seis horas de combate” (Wikipédia).

“Os alemães exaustos, com problemas de reposição logística, a maioria das divisões Panzer estava com a maior parte de seus carros de combate inoperantes e ainda, com as tropas mal equipadas para a guerra no inverno e com linhas de suprimentos muito longínquas, acabaram sendo afastados das portas da cidade” (Wikipédia).

Depois cogitaram atacar a Ucrânia, que era umas das repúblicas soviéticas, por causa de cereais e petróleo, o que os nazistas de hoje também fazem no país.

Em seguida, os alemães realizaram a Operação Azul nas estepes do sudoeste da URSS em direção ao Cáucaso, sempre utilizando-se da Blizkriez (guerra-relâmpago). Inicialmente ela estava prevista para maio de 1942, mas foi efetivada em 28 de junho.

Com as suas investidas, os alemães conseguiram empurrar os soviéticos para trás do rio Don.

Todavia, como gostava de dizer o pai do companheiro João Neto (o falecido Sr. Joanício de Souza Aragão, que foi estudante do Colégio Central da Bahia, contemporâneo de Jacob Gorender e simpatizante do PCB da Bahia, liderado por Carlos Garcia), Hitler como Napoleão perdeu para o Marechal Inverno Russo. Logicamente, não foi só por isso. A derrota de Hitler foi devido à resistência da classe operária soviética e mundial, mas o inverno ajudou.

Os combates foram se tornando cada vez mais brutais e cruéis, sendo que os Generais Aleksandr Vasilevky e Georg Jukov, deflagraram as Operações Urano e Saturno e viraram o jogo, da seguimento ao trabalho do Marechal Andrei Yeremenko e do General Vassily Chuicov e derrotaram os alemães.

Von Paulus comunicou Hitler que os 90 mil alemães restantes estavam fora de combate, sem alimentação e nem munições. Mas mesmo assim Hitler determinou que não se rendessem. Mas von Paulus não teve outra alternativa. Dos 90 mil, somente 5 mil alemães conseguiram voltar para casa, porque o restante morreu cumprindo penas na URSS.  

A Batalha de Stalingrado terminou em 2 de fevereiro de 1943, sendo que logo em seguida Stalin dissolveu a Internacional Comunista:
Em 15 de maio de 1943, seis meses antes de ser celebrada a Conferência de Teerã, o Presidium do comitê executivo da Internacional Comunista, "tendo em conta a maturidade dos partidos comunistas" nacionais, e para evitar os temores dos países capitalistas aliados, decidiu dissolver a Internacional Comunista.”  (Wikipédia).

O Terceiro Reich foi derrotado em 8 de maio de 1945.

As lições da luta da classe operária contra o nazismo  demonstra a necessidade da frente única anti-golpista e anti-fascista. Elas servem para que não cometamos os mesmos erros, porque as derrotas têm consequências gravíssimas, tornando-se uma tragédia.

Os camaradas das do PSTU e das organizações satélites  repetem o mesmo erro do PC alemão, quando dizem que PT e PSDB são iguais. O PS alemão não era igual ao fascismo.

Inclusive o PSTU, MRT/LER-QI, LBI, MNN, POR,  chegam a flertar com o golpe, usando a “pauta” da imprensa burguesa e pró-imperialista da corrupção, como se no regime capitalista não vigorasse a Lei de Gerson (jogador de futebol da Seleção brasileira, que fazia a propaganda de cigarros, com o bordão de que “gosto de levar vantagem em tudo”), o chamado lucro, a lei do valor, da corrupção, a extração da mais-valia, da exploração do homem pelo homem. Chegam até mesmo participar das manifestações “coxinhas”, da direita e da extrema-direita.   

Para tanto, a Tendência Marxista-Leninista insiste num chamamento especial às direções e aos militantes do PSTU, PCB, PPL, MRT/LER-QI, LBI, POR e do MNN, da CSP-Conlutas, Força Sindical (os companheiros do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André, pertencente à Força Sindical, já estão conosco no Comitê de Luta contra o golpe no Grande ABC paulista), CGTB, que se somem à luta anti-golpista, levantando conosco bem alto as reivindicações transitórias da classe operária contra o ajuste fiscal, para barrar a terceirização e as MPs 664 e 665 (que reduzem pensões, aposentadorias, e o seguro-desemprego, etc.), escala móvel de salários (reajuste automático de salários de acordo com a inflação); redução da jornada de trabalho, sem redução de salários; fim das demissões, estabilidade no emprego; não aos cortes dos programas sociais, e fim do congelamento dos vencimentos dos funcionários públicos, e em defesa da Petrobras e da expropriação da Samarco (Vale + BHP Billiton).

Erwin Wolf


Ignácio Reis

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