sábado, 20 de fevereiro de 2016

Tendência de virada à esquerda da classe operária nos EUA e na Grã-Bretanha

A dificuldade de crescimento dos Estados Unidos e a crise na Grã-Bretanha,  com a possibilidade de retirar-se da União Europeia, juntamente com o surgimento da candidatura de Bernie Sanders e a eleição de Jeremy Corbyn para a direção do Partido Trabalhista, ameaçam aprofundar a crise imperialista.

O Federal Reserve, o Banco Central americano, prevê um crescimento moderado e um aumento gradual da taxas de juros, quedas das ações e que a inflação subirá a 2%, conforme notícia no Blog em.com.br Internacional:

“FED: Situação econômica global dificulta crescimento dos EUA 
 postado em 10/02/2016 12:31
 AFP /Agence France-Presse
A presidente do Federal Reserve, o banco central americano, Janet Yellen, afirmou nesta quarta-feira sua preocupação com o impacto da desaceleração da economia global no desempenho dos Estados Unidos, que faz com que ela preveja um crescimento moderado e um aumento gradual das taxas de juros.
"A evolução econômica global supõe riscos para o crescimento dos Estados Unidos", afirmou Yellen.
Ela também assinalou que "as incertezas sobre a política cambiária na China aumentam a volatilidade dos mercados financeiros".
Falando ante o Congresso americano, a titular do Fed considerou também a existência de condições financeiras menos favoráveis nos Estados Unidos ante a queda das ações e o aumento do dólar, o que pode "pesar na atividade e no mercado de trabalho".
"O Comitê Monetário acompanha de perto os acontecimentos econômicos", assinalou, reiterando o que foi destacado no último comunicado do FOMC no final de janeiro, quando manteve sem alterações a taxa básica de juros.
O Fed aumentou levemente as taxas em dezembro, depois de sete anos de taxa zero para indicar a recuperação econômica americana.
Yellen evitou fechara explicitamente a porta para uma nova alta na reunião de março próximo.
"O Comitê prevê que as condições econômicas evoluam de tal forma que apenas se requer uma alta gradual das taxas".
Ela reiterou ainda sua confiança que a inflação, muito reduzida há tempos devido aos baixos custos da energia, subirá a 2% em médio prazo.
Da mesma forma, destacou os notáveis progressos no mercado de trabalho.”

A volta da inflação, ainda que no patamar de 2%, é considerável, sendo que os “notáveis progressos no mercado de trabalho” é um exagero, pois os EUA, em dezembro de 2014, tinham 156 milhões de trabalhadores, sendo que 8,7 milhões de desempregados, enquanto em agosto de 2015 sua taxa de desemprego era de 5,1%, tendo passado para 4,9% em janeiro de 2016, o que demonstra uma redução pequena do desemprego, provavelmente, os desempregados nos Estados Unidos sejam 8 milhões de trabalhadores, o que não deixa de ser um absurdo porque é a nação mais rica do planeta, que explora a maioria dos países, não consegue uma política de pleno emprego, comprovando a decadência do capitalismo na era imperialista. Além do que o racismo nos Estados Unidos segue com os assassinatos dos negros, como em Baltimore e Ferguson, e o encarceramento dos mesmos. Os EUA têm uma das maiores populações carcerárias do mundo, sendo que a maioria são negros. Dizem que na América do Norte hoje há mais negros presos do que havia escravos antigamente. Ainda, o direito ao aborto vem sendo atacado, com a criminalização das mulheres, conforme artigo que reproduzimos no nosso Blog, escrito pelos camaradas do Communist Workers Group (CWG/EUA), ao qual remetemos os leitores.

Por outro lado, a Grã-Bretanha cogita até em romper com a União Europeia, agravada pela “crise migratória” (provocada pelos próprios países imperialistas europeus, como Inglaterra e França que se aliam aos Estados Unidos e despejam milhões de bombas nos países semi-coloniais do Norte da África e Oriente Médio, como Mali, Líbia, Iraque, Síria, etc., com objetivos "estratégicos" e "nobres", como, por exemplo, de se apoderar, roubar petróleo, derrubar governos nacionalistas, numa prática verdadeiramente pirata, com sua aviação e seus marines), consoante o Blog G1:

“19/02/2016 06h28 - Atualizado em 19/02/2016 06h52
UE avança com Grã-Bretanha, 'mas resta muito por fazer', diz Tusk
Presidente do Conselho Europeu notou avanço nas negociações desta 5ª.
Bloco tenta evitar saída do Reino Unido.
Da France Presse
As negociações para oferecer à Grã-Bretanha um acordo que evite sua saída da União Europeia (UE) registraram avanços nesta quinta-feira (18), em Bruxelas. "Mas resta muito por fazer",  segundo o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.
"Fizemos avanços, mas resta muito por fazer", afirmou Tusk, ao fim do primeiro dia desta
cúpula que continua amanhã entre os líderes europeus.
Nas próximas horas, haverá várias reuniões bilaterais para avançar no tema, disse Tusk, acrescentando que a UE convocou uma reunião especial para março, dedicada à crise migratória.

UE realiza cúpula para evitar saída do Reino Unido do bloco
Negociações sobre saída do Reino Unido da UE entram em sua reta final
O presidente francês, François Hollande, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, e seu colega tcheco, Bohuslav Sobotka, participarão desses encontros, juntamente com Tusk e com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.
O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, disse estar otimista quanto às chances de um compromisso. "Eu acho que as coisas vão bem. Espero que tenhamos um acordo amanhã (sexta-feira)", afirmou Rajoy.
Ainda segundo Donald Tusk, a UE convocou, para o início de março, uma reunião especial com a Turquia dedicada à crise migratória. "Antes desta reunião havia alguns que questionavam a necessidade de resolver o problema da crise dos refugiados junto com a Turquia", comentou Juncker, na mesma entrevista coletiva.
Porém, “não há alternativa”, na avaliação dele.  Há a necessidade de ter uma "boa, inteligente e sábia cooperação com a Turquia". Após a coletiva, Tusk e Juncker teriam uma reunião com Cameron.
Pressão
O primeiro-ministro britânico, David Cameron, pressionado pela ala eurocética de seu partido e pelas formações antieuropeias, prometeu organizar um referendo sobre a permanência do Reino Unido na UE, e pediu reformas a seus 27 sócios, que colocaram em evidência suas divisões.
Caso não se alcance um acordo, Cameron disse que tudo será possível, inclusive que seu país se transforme no primeiro a abandonar o bloco.
Entre as exigências do Reino Unido, está a de obter salvaguardas para os países que não usam o euro e que as decisões dos 19 países que usam a moeda única não sejam tomadas em detrimento dos outros, assim como aumentar a competitividade e uma opção de se manter à margem de uma maior integração da UE.
Cameron também pediu que sejam limitadas as ajudas sociais aos estrangeiros na Grã-Bretanha, e esta é a exigência mais controvertida.”
O premiê britânico também quer implementar um prazo de quatro anos antes que os migrantes de outros países do bloco possam ter acesso a ajudas sociais e subsídios habitacionais.
Outros países europeus, particularmente os emissores de migrantes, consideram que esta prática é discriminatória e contrária ao princípio da livre circulação na UE.”

A crise vivida pela imperialismo norte-americano e britânico é agravada pela candidatura do senador norte-americano Bernie Sanders e pela eleição de Jeremy Corbyn, em setembro do ano passado, para liderar o Partido Trabalhista britânico.

Bernie Sanders concorre nas primárias do Partido Democrata (um dos principais partido do imperialismo americano, o outro é o Partido Repúblicano, que tem como principal candidato Donald Trump) com a senadora americana Hillary Clinton, mulher dos ex-presidente Bill Clinton, representante do capital financeiro norte-americano, do imperialismo americano.

Bernie elegeu-se senador sem partido. Agora surpreende ao conseguir algumas vitórias frente a Hillary Clinton.

Bernie apresenta-se como “socialista democrata”,  defendendo o “Socialismo democrático significa que nós devemos criar uma economia que funcione para todos, não apenas para os muito ricos”. “O debate acabou. As mudanças climáticas são reais e causadas por atividade humana.” “Ele quer taxar as emissões de carbono, cortar os subsídios aos combustíveis fósseis e investir em tecnologias para energia limpa.” “A universidade é o novo ensino médio.” “...a igualdade de classes será impossível se a maioria dos americanos não tiver acesso ao ensino universitário.” “Ele montou um plano para tornar gratuitas as mensalidades por intermédio da taxação dos mercados financeiros em Wall Street.” Defende a posse de armas. “‘Vidas de negros importam’. Embora Sanders tenha sido vaiado em um evento de sua própria campanha por membros do grupo Black Lives Matter, ele vem se encontrando com ativistas e concorda que a alta taxa de desemprego e encarceramento entre afro-americanos é uma evidência de racismo sistêmico nos Estados Unidos. Ele defende a reforma da Justiça criminal como saída para o problema. “Ele não aceita recursos dos chamados super PACs. Sanders se orgulha de que os doadores de sua campanha são majoritariamene indivíduos, que contribuem, em média, com US$ 27. Ele chama de “desastrosa” a decisão da Suprema Corte Americana que deu aos supers PACs, comitês que recolhem doações em nome dos candidatos, o direito de arrecada dinheiro de corporações e sindicatos. “Não acho que bilionários devam ter o poder de comprar políticos”, ele disse. “‘O salário mínimo deveria ser US$ 15 por hora (aproximadamente R$ 60 reais – Nota de Ignácio Reis), em vez dos atuais US$ 7,25. Sanders afirma que ninguém que trabalhe 40 horas por semana deveria viver em condição de pobreza.’” “‘Americanos estão cansados do bipartidarismo’. Por décadas, Sanders tem criticado tanto o partido Republicano quanto o Democrata, afirmando que os dois estão atados ao dinheiro das corporações. Sanders foi eleito para o Senado como independente, e muitos disseram que a rejeição do senador aos dois partidos o deixa isolado e sem força. Sanders argumenta que seu perfil é que faz crescerem suas bases.” “‘Ele prefere viajar de classe econômica.” “‘Os EUA deveriam adotar o sistema universal de saúde, pago pelo governo federal’. Sanders regularmente expões sua admiração pelos sistemas de saúde do Canadá e dos países escandinavos.” “‘US$ 1 trilhão de gastos em infraestrutura’.Sanders quer criar empregos com pesados investimentos em estradas, pontes, sistemas de tratamento de água, ferrovias e aeroportos, que gerariam, segundo ele, 13 milhões de novos postos em cinco anos.” “‘Taxar os ricos’. Sanders quer pagar a maior parte de suas propostas com a criação de uma série de impostos e taxas, a maioria dos quais incidindo sobre os americanos ricos: gestores de fundos hedge, especuladores em Wall Street e grandes empresários. “‘A invasão ao Iraque jamais deveria ter acontecido’. Sanders votou contra a guerra iniciada em 2002 e afirma que não mudou de opinião. Ele chama a invasão de “a pior estupidez da política externa na história do país.” “‘Nada de tropas em terra na Síria ou no combate ao Estado Islâmico’. Sanders acredita que a diplomacia deve sempre vir primeiro na política externa e afirma que os países do Oriente Médio devem liderar o combate na região contra o Estado Islâmico.” (BBC, em 15/01).

Já Jeremy Corbyn, na Grã-Bretanha, defende investimentos industriais pelo Estado e a renacionalização das ferrovias e o apoio financeiro à segurança social, sendo que manifestou-se pelo fim da OTAN, entendendo que esta deveria ter sido extinta juntamente com a Guerra Fria, bem como manifestou-se contrário à renovação do armamento nuclear britânico.

Os “fenômenos” Sanders e Corbyn, pela magnitude, sinalizam, para o próximo período,  uma gigantesca crise do imperialismo. Um surge como candidato a liderar um dos principais partidos dos Estados Unidos, o principal país do planeta, enquanto o outro já lidera o principal partido inglês. 

Logicamente que não representam nenhuma tendência revolucionária, mas demonstram a crise do imperialismo, de seus principais partidos, indicando que há uma forte tendência da classe operária norte-americana e britânica de darem um giro à esquerda, sacudindo o  imperialismo norte-americano, do falcão Obama, que tem patrocinado uma média de 1 golpe por ano no seu governo (Honduras,Paraguai, Ucrânia - neste país, os nazistas foram apoiados pelos israelenses - Egito, Líbia, Síria, etc.), bem como o imperialismo comparsa da União Europeia.

O imperialismo, como dizia Vladimir Lênin, é o estágio superior do capitalismo, é a época dos monopólios, do capital financeiro (fusão do capital industrial com o bancário). É a época da reação em toda linha (OTAN – Organização do Tratado do Atlântico Norte, marines, drones, golpes de estado etc.), de guerra e revoluções.

Abre-se, pois, uma enorme perspectiva do desenvolvimento de um poderoso movimento da classe operária norte-americana e britânica, as quais poderão construir poderosos partidos operários marxistas revolucionários e independentes, seções de uma futura Internacional Operária Revolucionária.  

Nos Estados Unidos, a Tendência Marxista-Leninista simpatiza com o trabalho dos companheiros do Communist Workers Group (CWG/EUA).

Ignácio Reis

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