sábado, 20 de agosto de 2016

Oposição antigolpista faz reunião nacional no PT em São Paulo

Ontem, dia 19, sexta-feira, a partir das 19 horas, foi realizada uma reunião nacional de diversas tendências internas do Partido dos Trabalhadores (PT), convocada pelo agrupamento “Diálogo e Ação Petistas”, com a participação de membros das correntes “O Trabalho”, “Novo Rumo”, uma corrente existente somente em Brasília, que costuma se alinhar com a tendência majoritária do PT, a Construindo um Novo Brasil (CNB -antiga Articulação) e outras tendências. A reunião contou com a presença de 88 companheiros, vindos do Brasil inteiro.

A reunião foi coordenada por Markos Sokol, da tendência “O Trabalho”, por Misa Boito, pelo ex-deputado federal, o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, e João Felício, dirigente da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e ex-presidente da APEOESP, o Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo, o maior sindicato da América Latina, os quais fizeram exposições de 15 minutos, a respeito do “Manifesto pela Reconstrução do PT”, lançado nessa reunião nacional.

Os expositores, conforme o “Manifesto”, salientaram a política de conciliação de classes da direção majoritária do PT ao longo dos governos Lula e Dilma, colocaram como eixo o “Fora Temer, Nenhum Direito a Menos”, acompanhado das seguintes reivindicações: fim do superávit primário, derrubada dos juros e centralização cambial; nenhuma privatização, petróleo 100% estatal, reestatização da Vale; reindustrialização e proteção comercial; reforma agrária, titulação da terras quilombolas e demarcação de terras indígenas; reforma urbana; não à reforma da previdência; fim das OS’, verbas públicas apenas para o serviço público; vagas para todas as universidades públicas; desmilitarização das polícias, revogação da lei de anistia e punição dos criminosos; defesa do direito da mulheres, como direito ao aborto; e contra toda forma de discriminação e opressão.   

Depois da exposição inicial, foi aberta a palavra ao plenário, sendo que houve 11 inscritos.

A Tendência Marxista-Leninista (TML) foi convidada, embora tenha rompido com o PT e esteja lutando pela construção de um partido operário marxista revolucionário, compareceu e interveio, por meio do camarada Juca, de São Bernardo do Campo, dando ênfase à trajetória do PT de colaboração de classes (frente populista) e eleitoreira, criticando a política de alianças proposta no “Manifesto”, que defende alianças com o Partido Socialista Brasileiro (PSB) e o Partido Democrático Trabalhista (PDT), que apesar dos nomes são partidos burgueses e não operários. O “Manifesto” critica apenas as alianças com o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), o Partido Democrata (DEM), partidos reacionários e pró-imperialistas, e o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), partido que vem desde a ditadura, representante das oligarquias regionais, estaduais (foi informado que em aproximadamente 1.200 municípios o PT está fazendo coligação com o PSDB e o PMDB golpistas). Todavia, a diferença do PSB e do PDT para o PSDB, DEM e PMDB é que estes últimos são grandes partidos burgueses, enquanto PSB e PDT são pequenos partidos burgueses.

Além disso, o camarada Juca, da TML, apontou que não há menção e nem é apresentado como eixo da luta contra o golpe a preparação imediata e a deflagração da greve geral.

Destacamos, ainda, algumas intervenções combativas, como a de um companheiro da Federação Única dos Petroleiros (FUP), de Araucária, região metropolitana de Curitiba, de um companheiro da Confederação dos Funcionários Públicos Federais, que ressaltou a necessidade do PT de não fazer alianças com os golpistas nas eleições municipais e da companheira, Juliana Cardoso, vereadora da capital de São Paulo, da tendência “Novo Rumo”, que utiliza o seu mandato e campanha nas eleições como tribuna para combater o golpe.

Foi informado que a CUT deliberou encaminhar a greve geral para o dia 22 setembro, quando coincidirão as campanhas salariais de diversas categorias no segundo trimestre. Tal fato demonstra a desorientação e o descompasso da direção da CUT com o golpe em andamento.

Ao final, os integrantes da mesa voltaram a se pronunciar por mais 5 minutos, sendo que João Felício falou que o PT era o melhor partido do País, o mais democrático, tanto que permitiu a reunião da oposição, em sua Sede nacional, em São Paulo. A TML não entende assim. Para a TML isso se deve ao fato e é reflexo da desorientação da direção majoritária do PT com o fracasso de sua política de colaboração de classes e sua capitulação aos golpistas (com as propostas de "plebiscito" e "eleições gerais" que apenas "legitimam" o golpe, não conseguem imaginar o que serão eleições controladas pelos golpistas!!!), além do que essa oposição dá uma cobertura, um verniz de esquerda ao PT, porque segue com a política de colaboração de classes, frente populista, embora envergonhada, liliputiana, só com o PSB e o PDT. 

Encerrando-se os trabalhos, Misa Boito leu as conclusões do “Manifesto” que foi aprovado pelos presentes. 

A TML tem claro que há necessidade, neste momento, da formação de um partido operário marxista revolucionário, em razão das traições das direções tradicionais do proletariado brasileiro, sendo que apesar de sua força ainda bastante limitada, luta para reagrupar a vanguarda operária revolucionária para derrotar o golpe.

Não escolhemos a situação em que nos encontramos. Mas para atuarmos nela, temos que fazer uma análise concreta dessa situação concreta, conforme Lênin nos ensinou. Todavia, não há nada de novidade na situação que vivemos no Brasil. No Manifesto do Partido Comunista, Karl Marx e Friedrich Engels advertiram:

“A organização do proletariado em classe e, portanto, em partido político, é incessantemente destruída pela concorrência que fazem entre si os próprios operários. Mas renasce sempre e cada vez mais forte, mais firme, mais poderosa (...).”

Assim, a Tendência Marxista-Leninista não assina o “Manifesto de Reconstrução do PT” em razão das limitações apontadas, como a omissão da luta pela greve geral e sobretudo na continuidade da política de colaboração de classes (frente populista) com o PSB e o PDT, mas fará frente única nas atividades práticas e concretas antigolpistas, que serão realizadas pelo Brasil inteiro, além do que seguirá intervindo nesse processo junto aos companheiros, porque entende que poderá consistir num deslocamento importante de um amplo setor do Partido dos Trabalhadores no sentido da ruptura com a política de colaboração de classes (frente populista), rumo a uma política independente de construção de um verdadeiro partido operário marxista revolucionário, que lute por um governo operário e camponês, contribuindo para formação de uma Internacional Comunista Operária e Revolucionária.

Tendência Marxista-Leninista, por um partido operário marxista revolucionário 

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