sexta-feira, 20 de novembro de 2015

A questão do partido (V): Frente Resistência, FCT/LC e LBI

A Tendência Marxista-Leninista publica abaixo a resposta da Frente Resistência à Liga Bolchevique Internacionalista, aproveitando a oportunidade para tecer as primeiras impressões sobre a experiência que tem vivido na FR.

A Frente Resistência, de certo modo, é o prosseguimento do Comitê Paritário e da Frente Comunista dos Trabalhadores sem a Liga Comunista. Na verdade, em pouco tempo, os progressos da FR são notáveis. Já está bem mais encorpada, desenvolvida. Aqui lembramos do ensinamento de Lênin que dizia que Lassale tinha razão: “O partido fortalece-se depurando-se.”

Acreditamos que o funcionamento da FR está de acordo com a orientação de Lênin no sentido de, antes de ser unir, discutir e aprofundar as divergências.

Tal processo de discussão não é linear, ele é um processo dialético, contraditório. Realmente isso acontece, pois, apenas para exemplificar, a tendência que se coloca abertamente contra o centralismo, é a que tem colocado mais a questão da disciplina, bem como colocado a necessidade de se votar as posições para o encaminhamento das tarefas políticas.

A forma de funcionamento profundamente democrático e respeitoso da Frente Resistência nos dá esperança de que a mesma dê bons frutos, que no futuro transforme-se numa organização marxista-leninista, centralizada e democrática.

Há, ainda, outras questões divergentes, como se a Rússia e China são ou não imperialistas. Mas essas questões não têm prejudicado o funcionamento da FR, guardando-se as devidas proporções, como aconteceu com Lênin e Rosa Luxemburgo que debateram no seio da III Internacional sobre a questão do direito à autodeterminação nacional dos povos, sendo que o revolucionário russo era a favor e a revolucionária polaco-alemã era contra.

Outra constatação importante, o movimento operário brasileiro têm uma tradição stalinista-bucarinista-dimitrovista de defesa de frente popular, sendo que na variante supostamente trotskista sempre prevaleceu a tendência mais próxima do stalinismo, ou seja, o pablismo revisionista (posadismo, morenismo, lorismo, altamirismo, lambertismo e healysmo, etc.). Isso tudo não é fácil de superar de uma hora para outra. No fundo esse é o problema da FCT, pois a tendência que ficou isolada, a LC, desenvolveu ao extremo o seu pablismo, pois é herdeira do healysmo, o qual capitulou ao nacionalismo burguês de Muammar al-Gaddafi, o ditador da Líbia, sendo que hoje a Liga Comunista capitula ao nacionalismo burguês de Bashar al-Assad, na Síria, participando de uma “frente única” estratégica, de longa duração, que no caso é uma frente popular (a LC chega ao ponto de, no artigo “A III Guerra Mundial e as tarefas dos trabalhadores revolucionários”, de 11 de outubro de 2015, ilustrar a matéria com uma foto de pessoas segurando cartazes com foto de Bashar al-Assad), aliás como faz a sua matriz a LBI.  A principal liderança da LC é um aprendiz de feiticeiro da LBI. A LC é filha da LBI. Daí o stalinismo da Liga Comunista e da Liga Bolchevique Internacionalista decorrente do pablismo-healysta.

Remetemos o leitor aos nossos textos Contra as frentes de colaboração de classes, Marxismo contra stalinismo, e “O problema Nacional e as Tarefas do Partido Proletário”, de Leon Trotsky, todos no nosso Blog.     
Agora segue abaixo a prometida Resposta da Frente Resistência à LBI.

sábado, 14 de novembro de 2015 | "Os cães ladram, sinal que caminhamos"

O campo supostamente de esquerda é o habitat natural de um tipo peculiar de grupo: aquilo que consideramos "seitas", pequenos ajuntamentos de uma dezena, quando muito, de "super-revolucionários", "acusando" e bradando contra quem quer que não siga seu "credo"- isto é, os outros 99,9% da militância. Mesmo antes de seu congresso de 06/ 09/ 15, a Frente Comunista dos Trabalhadores (e ainda antes, quando ainda conformava um simples "comitê paritário") já vinha sofrendo ataques de tais seitas. Agora, enquanto nós estamos envidando esforços em torno da Frente Resistência, os ataques por parte de tais seitas continuam. E continuarão sempre, haja vista que, incapazes de se inserir na classe trabalhadora, destilam ódio contra aqueles que se esforçam nesse sentido.

Nós do blog Espaço Marxista, por termos mais o que fazer, evitamos perder tempo com aqueles que, sem nada construírem, se voltam contra os que constroem, como falamos nos itens 10 e 11 de nossa apresentação (aqui). Contudo, não raro uma resposta é necessária, inclusive para fins didáticos. Desta vez é a LBI -se o camarada leitor jamais ouviu falar da sigla, é perfeitamente compreensível- que profere um cabedal de absurdidades contra nós (link, aqui). Ao chorume, a Frente Resistência responde nos termos abaixo:

A Frente Resistência responde à LBI

A Frente Resistência nasceu com o objetivo de aglutinar forças do campo popular e de esquerda para atuação em três grandes eixos de luta: pela emancipação da classe trabalhadora e dos povos oprimidos, contra o imperialismo e contra o fascismo. Tais tarefas estão na ordem do dia da luta de classes de nossos tempos, principalmente diante da contraofensiva mundial movida pelo campo reacionário desde a queda dos Estados Operários do Leste no início dos anos 90 e agudizada pela crise capitalista de fins dos 00. A Frente Resistência se propõe, portanto, a ser uma frente para a ação, de luta, não podendo desperdiçar suas ainda modestas energias com intrigas, fofocas e “polêmicas” com as minúsculas seitas que infestam, ainda que virtualmente, os ambientes de esquerda.

Uma dessas minúsculas seitas, a LBI- Liga Bolchevique Internacionalista, nome pomposo e megalomaníaco que não corresponde à desprezível relevância da seita, em um de seus blogs apócrifos realizou um ataque à Frente Resistência e à Frente Comunista dos Trabalhadores (FCT), agrupamento do qual participava grande parte dos integrantes da atual FR. Em seu afã por holofotes, a seita LBI desfere uma série de calúnias e difamações contra os camaradas participantes de tais grupos, não apenas mostrando ignorância quanto à matéria de fato -não tendo participado da construção de tais iniciativas, à seita só cabe especular e divagar- como, também, manipulando, distorcendo e inventando situações falsas. Isso mostra que não basta à seita ser desprezível numericamente; também o é moralmente, mostrando ser aluna aplicada da escola stalinista de falsificação.

Os grupos e militantes que hoje estão na Frente Resistência não aderiram, ou romperam, com a Frente Comunista dos Trabalhadores, pelos mais diversos motivos, todos políticos e, no geral, publicados de forma transparente. Desde quando a FCT ainda constituía um “comitê paritário” sem caráter orgânico, era consignado expressamente que diversas referências e tradições (sempre no campo da esquerda revolucionária, decerto) estavam ali representadas, e que caminhavam para uma maior proximidade organizativa e programática, o que não quer dizer que tal proximidade necessariamente viesse a ocorrer. O ápice de tal movimento foi a realização do 1º Congresso da FCT na cidade de São Paulo, em setembro do presente ano, quando a mesma, pela maioria dos votos dos delegados presentes, se configurou como organização no formato leninista.

À essa organização nem todos aderiram, como o Coletivo Lênin, por entender que o momento pedia ainda o formato frente, outros, se mantiveram como aspirante ao ingresso na organização, como a Tendência Revolucionária do PSOL, ou, ainda, outros como o Espaço Marxista que, apesar de terem sido entusiastas da criação da organização desde o início e votado pela sua construção, romperam com a mesma ao perceber que nasceu burocratizada e aparelhada por um de seus grupos. Houve ainda quem se retirasse muito antes do dito congresso, como o Coletivo Socialistas Livres e o que vem hoje a conformar a Tendência Marxista-Leninista do PT, por diferenças de concepção, teóricas ou de análise de conjuntura.

Como se vê, os motivos de ruptura com a FCT sempre tiveram, ainda que de diferente tipo, caráter político e foram divulgados abertamente e discutidos, mesmo que no âmbito dos próprios grupos. A seita LBI não participou de tais discussões nem teve acesso ao seu teor, e por isso não deveria especular ou conjeturar, e muito menos adulterar e falsificar. São mentirosas as alegações da LBI de “chantagem” (sic), “corrupção material” (sic), como elementos da construção (ou dissolução, pois de tão absurdo o texto é mal escrito e em muitas partes confuso) da FCT. Em verdade, quando a LBI interpreta “pressão extraoficial” como necessariamente sinônimo de “chantagem e corrupção material”, mostra muito de seu próprio caráter e práticas. A seita, aliás, desce tanto a ponto de aludir às relações conjugais de um de nossos camaradas, na melhor tradição stalinista de ataques à vida privada dos militantes.

Os grupos e militantes que compõem a Frente Resistência são conhecidos. Somos todos militantes antigos, com experiência de vida e de militância. Muitos renunciaram voluntariamente a estar em organizações maiores, em prol da fidelidade à própria consciência e às próprias concepções políticas, mesmo que isso significasse o isolamento. A Frente Comunista dos Trabalhadores não prosperou, ao menos não na configuração original, por diversos motivos políticos; mas não por “chantagem e corrupção material”, aliás se fosse o caso isso teria sido amplamente denunciado.

Ao contrário das minúsculas seitas que pululam por aí, com a LBI, nós da Frente Resistência, como então na Frente Comunista dos Trabalhadores, trabalhamos para dar coesão à luta dos trabalhadores que, diante do ascenso contra-revolucionário de hoje, é para resistência (daí o nome que escolhemos). Não consideramos militantes de outras organizações como inimigos ou adversários, e tampouco nos consideramos donos da verdade. As controvérsias que surgem, na construção de tal luta de resistência, são colocadas em termos políticos e leais, e não por meio da calúnia, mentira e difamação. Aliás, deixamos claro que as controvérsias em nosso seio são inevitáveis, haja vista que conformamos uma frente de ação, onde cada grupo e militante mantém seu próprio programa. Uma seita como a LBI, acostumada ao isolamento subterrâneo, jamais pode imaginar o que é militar, na luz do dia, com camaradas de linhas diversas mas confluentes.

Melhor seria que a LBI e outras mini-seitas se preocupassem mais com seu próprio -ainda que improvável- crescimento do que com os rumos da Frente Resistência. Como, para nós, o critério da verdade é a prática, respeitamos quem se encontra conosco nas barricadas, e não difamadores de seitas virtuais.

Viva a Frente Resistência!

Viva a emancipação da classe trabalhadora e dos povos oprimidos!

Viva a luta anti-imperialista!

Viva a luta anti-fascista!

(*) Frase tradicionalmente atribuída, mas de forma equivocada, ao Quixote de Cervantes. Para imagem do post, escolhemos também um cavaleiro andante, não o da Triste Figura, e sim o próprio Leon Trotsky.


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