sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Qual é o papel da Juventude do PT na atual conjuntura?

© foto: Juventude do PT de São Bernardo do Campo

*Por David Zamory

No próximo dia 20 de novembro começa o terceiro Congresso Nacional da Juventude do Partido dos Trabalhadores. Os filiados e filiadas jovens do Partido dos Trabalhadores, a chamada Juventude do PT (JPT), é um típico exemplo do dito popular “o todo maior do que a soma de suas partes”, isso porque enquanto as diversas correntes que compõe o PT disputam com outras forças politicas a hegemonia do movimento estudantil, o PT, enquanto partido de massas que é, sempre atraiu muito mais jovens do que a população universitária do país que na verdade ainda é muito pequena se comparada ao total de jovens brasileiros.

Durante muito tempo, estando ou não dentro da universidade, participando ou não do movimento estudantil, filiar-se ao PT tão logo completasse seus 18 anos, era sinônimo de ser politizado, andar com a camiseta do PT, bótons, adesivos, bandanas, fazer com a mão o L de Lula, tirar o titulo de eleitor aos 16 anos pra poder votar no PT, tudo isso era o simbolismo de que você acreditava na mudança e mais do que isso, de alguma forma queria fazer parte dessa mudança. A própria fundação do PT representou uma mudança de geração dentro da esquerda brasileira, só para citar um exemplo, Lula tinha apenas 30 anos quando se tornou presidente do Sindicato dos Metalurgicos do ABC e 35 anos quando o partido foi fundado.( Os coletivos de juventude dentro da Central Unica dos Trabalhadores, hoje são formados por trabalhadores na faixa etária entre 16 e 35 anos.)  

É bem verdade que, em um partido que ao longo dos anos foi se transformado, de um partido orgânico da classe trabalhadora, em uma maquina eleitoral, muitos desses jovens que não estavam interessados em carreiras politicas sentiram-se cada vez mais sem ter o que fazer no partido, mas o petismo sempre foi maior que o PT então, permanecer filiado ao menos parecia ser uma forma de ajudar. Para tentar organizar essa massa de jovens e transforma-la em uma energia de transformação para dentro e para fora do partido surge a Secretaria de Juventude do PT, porém, infelizmente a avaliação que podemos fazer é que de uma maneira geral, esta falhou miseravelmente.

Na prática a secretaria de juventude do PT apenas reproduz em menor nível a burocracia partidária, onde a corrente majoritária( CNB ) se utiliza da estrutura e dos recursos dos cargos parlamentares e  de governos municipais e estaduais que exercem em nome do partido, para produzir maiorias pouco politizadas, que mantém uma cúpula formada em sua maioria por jovens assessores destes mesmos parlamentares. O que é ótimo para esses vereadores e deputados estaduais e federais, já que enquanto seus jovens auxiliares mantém seu desejo de protagonismo contido nessa inócua estrutura partidária, podem manter-se como meros coadjuvantes em seu trabalho nos gabinetes.

Já as correntes que compõe a chamada esquerda petista, apesar de alguns discursos críticos, pouco conseguem fazer além de legitimar essa burocracia principalmente porque quando se sente ameaçada, a corrente majoritária se apressa em distribuir alguns cargos, a velha estratégia de ceder alguns anéis para não perder os dedos, e muitos que compõe essa dita esquerda se apressam em pegar esses cargos, como pombas se estapeando pelo farelo que cai da mesa.

Se podemos dizer que “toda generalização é burra” é preciso destacar que em todo o país existem algumas valorosas exceções, mas o status quo da juventude do PT é essa.

O resultado disso, é que a JPT ao longo de sua existência pouco fez além de ajudar a esmagar os sonhos de mudança dessa juventude que se filiava expontaneamente ao partido e criou um fosso entre o PT e a juventude que desde 2013 vai as ruas em busca daquela mudança que o PT prometia.

Porém, todos nós temos a oportunidade de viver em um momento de virada histórica, no Brasil e no mundo, fruto da crise que se iniciou em 2008 e que vem promovendo os maiores ataques a classe trabalhadora e a juventude em mais de 70 anos, e por consequência, também as maiores lutas. Para estar a altura desse momento histórico, é preciso reconectar a juventude do PT com a juventude que está disposta a lutar em todo o país e que está cansada da velha politica e dos velhos políticos. E não se faz isso defendendo a colaboração de classes da direção do partido e do governo e muito menos, defendendo a burocracia partidária, já que foi exatamente isso que nos levou a essa conjuntura atual que ameça destruir o partido e reconduzir a direita reacionária de volta ao comando central do governo federal no Brasil. É preciso romper com tudo isso.

No Congresso Nacional da JPT, aqueles realmente dispostos a lutar ao lado da juventude combativa desse país, devem demarcar posição contra a colaboração de classes, defendendo o rompimento da aliança com o PMDB e demais partidos capitalistas, todos aqueles que encamparem essa luta, independente da corrente de que façam parte devem se organizar para romper com a burocracia e isola-la, constituindo um comite nacional de luta da juventude em defesa do PT e de sua carta de princípios. Esse comitê deverá iniciar um amplo processo de mobilização de todos aqueles jovens filiados insatisfeitos com os rumos do partido, para reconquistar o PT para os trabalhadores.

Na atual situação politica, só ha duas possibilidades para a JPT, ou afundar junto com o partido, ou se tornar a força capaz de transformá-lo.

* David Zamory faz parte do Coletivo Marxista do Partido dos Trabalhadores, e é ex-membro da direção municipal do PT de São Bernardo do Campo

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