quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Estourou a III Guerra Mundial?

A derrubada, dia 31 de outubro, do avião russo da companhia Metrojet, na Península do Sinai, no Egito, matando 217 passageiros, na sua maioria da cidade russa de São Petersburgo, provavelmente pelos Estados Unidos e Israel, e a derrubada, ontem dia, 24 de novembro, do caça russo, não serão escaramuças que anunciam a deflagração da III Guerra Mundial?

Esses acontecimentos lembram os assassinatos do Arquiduque Francisco Ferdinando e de sua esposa, em 28 de junho de 1914, na I Guerra Mundial, bem como a invasão da Polônia por Hitler, desencadeando uma série de atentados pela França e Grâ-Bretanha na II Guerra Mundial.

A Força Aérea Turca abateu ontem um caça Sukhoi russo na fronteira do país com a Síria, o que deteriorou as relações de Moscou com Ancara.” Estadão on line, 25//11. “A OTAN convocou uma reunião de emergência.”(idem)

Além disso, conforme o Estadão, “Segundo militares turcos, o caça russo ignorou diversos avisos de alerta após entrar no espaço aéreo do país. A incursão durou 17 segundos. Já os russos garantem que o Sukhoi Su. 24M não saiu da Síria.” (idem).

Ainda, “Outras imagens da agência turca Anatolia mostraram dois pilotos descendo de paraquedas pouco antes de o avião cair. O governo russo confirmou a morte de um dos pilotos. Grupos rebeldes que combatem o regime de Bashar Assad na área disseram que o segundo militar também foi morto em terra, o que os russos ainda não confirmaram.” (idem).

“A tripulação (do Su-24) se ejetou. Segundo dados preliminares, um dos pilotos morreu no ar por disparos efetuados do solo”, informou o general Sergei Rudskom, porta-voz do Estado Maior do Exército russo.” (idem)

“Ainda de acordo com ele, o míssil disparado por um caça turco F-16 atingiu o avião de guerra russo sobre o território da Síria. O local do incidente do encontra-se em território sírio, a 4 quilômetros da fronteira”, disse.” (idem).

“Irritação. Em reunião em Sochi com o rei da Jordânia, Abdullah”, Putin – falando pausadamente, mas claramente irritado – acusou os turcos de traição e de darem guarida a militantes do Estado Islâmico.” Foi uma facada nas costas. Nunca toleraremos crimes como o cometido hoje”, disse Putin. “Foi uma traição de quem é cúmplice do terrorismo. Não posso chamar de outra forma.” (idem).

Por outro lado, “Em reunião na Casa Branca com o presidente francês, François Hollande, o presidente americano, Barack Obama, defendeu a decisão turca de abater o caça.” (idem).

“O presidente russo Vladimir Putin afirmou que a derrubada do avião russo pelas forças de segurança turcas terá graves consequências nas relações entre os dois países.” (Portal G1, 25/11)

Acreditamos que o mundo estava vivendo uma Nova Guerra Fria entre o imperialismo ocidental e o imperialismo sino-russo.

Agora essas escaramuças prenunciam a deflagração da III Guerra Mundial, uma guerra imperialista, tendo como um dos lados o imperialismo ocidental organizado pela OTAN, liderado pelos Estados Unidos, Grã-Bretanha e França, o de outro o imperialismo russo.

A Tendência Marxista-Leninista está aproximando da posição do Colectivo Revolución Permanente (CoReP) e do Comitê de Ligação dos Comunistas  (LCC) que caracterizam a Rússia e China como países imperialistas.

A LCC conclui que:

“Do nosso ponto de vista, as condições que levaram à emergência da Rússia e da China como novas potências imperialistas nas últimas duas décadas são consistentes com a análise de Lênin sobre o imperialismo, de 100 anos atrás. O método de Lênin era o de O Capital, de Marx, completando os volumes não-terminados, tornados concretos no calor da Primeira Guerra imperialista. Segundo, ela é consistente com o fato de que a revolução russa abriu o século XX revolucionário, repartindo a economia mundial pela abertura da revolução permanente, e criando uma esfera de influência “soviética”.

A “independência econômica” dos Estados Operários que se seguiu durante o século XX permitiu que eles sobrevivessem à derrota contrarrevolucionária da restauração capitalista, de forma que as novas burguesias foram capazes de  formar um bloco contra-hegemônico ao dos EUA. Repetindo, não como bloco de semicolônias ou Estados subimperialistas que sejam uma alternativa progressiva ao imperialismo americano, mas como um bloco imperialista rival desafiando a hegemonia americada no curso das lutas revolucionárias e contrarrevolucionárias de hoje.

A revolução permanente interminada que sucumbiu à contrarrevolução capitalista deve ser reaberta, sobre a base das conquistas históricas que não foram destruídas. Nos Estados operários, as forças produtivas saltaram além das semicolônias capitalistas, antes de serem bloqueadas pela estagnação do planejamento burocrático e da contrarrevolução capitalista. As conquistas das novas força produtivas foram forçadas de volta à antiga casca das relações capitalistas decrépitas, levando a uma contradição explosiva, manifestada hoje no aquecimento da rivalidade mundial entre os dois maiores blocos imperialistas.

A revolução permanente hoje deve ser dirigida pelo proletariado internacional, capaz de dirigir a revolução para esmagar as potências imperialistas e criar os Estados Unidos das Repúblicas Socialistas do Mundo. Neste processo, a nossa tarefa mais importante é a formação de uma nova internacional leninista-trotskista que reviva o método dialético e Cdo nacional-trotskismo, e assim avance para revolução socialista vitoriosa! Retornar à dialética! Romper com o social-imperialismo e o nacional-trotskismo!

Março de 2015-11-25

Comitê de Ligação dos Comunistas

LCC agradece Rodrigo Silva do Ó por seu ato fraterno de traduzir esse artigo.”

No que tange à Rússia, em sua época Lênin a considerava imperialista, com mais razão agora depois de ter realizado a reforma e a revolução agrária, um tarefa democrática importantíssima, assim como devido a liberação das forças produtivas durante o período de existência do Estado operário, durante a existência da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), apesar da contradição da existência da lei do valor com a lei da economia planificada, como observou o maior economista soviético Eugênio Preobrajenski, membro da Oposição de Esquerda russa.

Com relação à China esta, só na América do Sul, vendeu duas usinas nucleares para a Argentina e uma para a Venezuela. Sem falar nas suas escaramuças navais com os Estados Unidos no Mar do Sul da China.

Além disso, Rússia e China vêm desenvolvendo uma política externa agressiva, relativamente à exportação de capitais, critério mais importante que Lênin apontou em sua obra o “Imperialismo, fase superior do capitalismo”,  conforme podemos notar a seguir, com dados apresentados em 2008, sendo que hoje, em 2015, os valores devem ser bem superiores:

“PONTES, VOLUME 4 – NUMBER 4

Políticas públicas para a exportação de investimos nos BRICs

29 August 2008

A exportação de capital por países emergentes, como os BRICs, tem aumentado sensivelmente nos últimos anos, o que contraria o histórico do tradicional fluxo de capital no sentido Norte-Sul.(...)

Números não menos impressionantes são demonstrados pelos demais BRICs. A Rússia acumulou em 2005 mais de US$ 120 bilhões de IED (investimentos  diretos estrangeiros – nota EW) no exterior, dos quais mais de US$ 13 bilhões foram efetuados apenas naquele ano – o que a consolidou como maior investidor externo entre os BRICs. A China conta com US$ 46 bilhões, sendo US$ 11 bilhões efetuados em 2005 (...)”

“(20/10/14) A disputa para fornecer os reatores das futuras usinas nucleares brasileiras ganhou mais um concorrente de peso. A China National Nuclear Corporation (CNNC) entrou na briga pelo mercado brasileiro, cobiçado principalmente pelo consórcio franco-japonês Areva/Mitisubishi, a americana Westinghouse e a russa Rosatom, que firmou em julho acordo de cooperação com a construtora Camargo Corrêa, para estudar oportunidades na América Latina.” (ABEN – Associação Brasileira de Energia Nuclear).

Assim, na guerra imperialista que se anuncia, o proletariado mundial não pode tomar partido, votar créditos de guerra, ou optar por pelo mal menor, ou seja, pelo suposto bloco imperialista mais “frágil”, “democrático” e/ou “progressista”  , porque o inimigo está em casa. O proletariado dos países imperialistas deve lutar pela derrota de sua própria burguesia imperialista, utilizando-se da estratégia da revolução permanente. Devemos seguir o exemplo de Karl Liebknecht, deputado do Partido Comunista alemão.

Erwin Wolf

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