domingo, 15 de novembro de 2015

Movimento operário e popular: é hora de contra-atacar

A palavra de ordem “Fora Cunha” pegou, a burguesia e o imperialismo ficaram assustados e recuaram.

Ainda tentaram desesperadamente um look-out dos caminhoneiros proprietários, a exemplo do que aconteceu no Chile em 1972, para criar uma crise de desabastecimento e desestabilizar o governo Allende, mas, com virada na situação política no Brasil, essa tentativa fracassou rotundamente, sendo facilmente reprimida pelo governo Dilma.

O PSDB com medo recuou, tenta agora desesperadamente se desvincular de Cunha para não ser liquidado junto.

Soou a hora do movimento operário e popular contra-atacar.

A Folha de S.  Paulo de 14/11 publicou reportagem de Daniela Lima, com o título de “Medo de rejeição de eleitor provocou a guinada tucana”, ou seja, do principal partido da oposição burguesa pró-imperialista, o PSDB.

O PSDB desesperadamente tenta agora uma aproximação do governo Dilma para aprovação do reajuste fiscal defendido pelo ministro Levy e a direitista tendência majoritária do PT, a Construindo um Novo Brasil (CNB, antiga Articulação).

“A guinada promovida pela cúpula do PSDB em seu discurso diante da crise econômica nesta semana é reflexo de pesquisas internas e projeções do mercado financeiro, que apontaram um desgaste acentuado na imagem do partido e a insatisfação de eleitores fieis com a forma como combateu o governo Dilma Rousseff nos últimos meses.

Integrantes da legenda ouvidos nos últimos dias, quando os tucanos acenaram ao Palácio do Planalto com apoio a medidas de ajuste fiscal em discussão no Cogresso,  avaliam que os eleitores se cansaram do debate sobre o impeachment de Dilma e esperam do partido soluções para os problemas do país.”

O golpe da burguesia nacional e do imperialismo americano contra o governo do Partido dos Trabalhadores da presidenta Dilma Roussef sofreu esse recuo, quando tudo parecia estar pronto para a sua consumação no mês de outubro passado.

Os golpistas pareciam que haviam chegado a um consenso com a adesão do PMDB, principal partido político brasileiro, do vice-presidente, Michel Termer, que até apresentou um plano de governo com críticas à condução da política econômica do governo Dilma, mais neo-liberal ainda do que o do ministro Levy,  golpe esse “parlamentar” a la Paraguai, bem como demonstravam estar dispostos a enfrentar o risco da revolta da classe operária e da maioria oprimida nacional, sendo que quando tudo parecia pronto para a consumação do golpe no mês de outubro passado, os golpistas voltaram a vacilar e recuaram no desfecho do mesmo, em razão da notícia veiculada pelo do Ministério Público da Suiça de que foi localizada uma conta  bancária do principal articulador do golpe no parlamento, o presidente da Câmara dos Deputados, deputado Eduardo Cunha, com 5 milhões de dólares depositados.

Essa vacilação dos golpistas permitiu a Dilma Roussef e o ministro da Defesa, Aldo Rebelo, do PCdoB, conseguissem  transferir para exercer cargo burocrático o general Antônio Hamilton Mourão, do Comando Militar Sul, um dos postos de comando do Exército mais importante, o qual fez “declarações dadas a oficiais da reserva na qual fez duras críticas à classe política, ao governo e convocou os presentes para “o despertar de uma luta patrótica.” e ainda “fez uma homenagem póstuma ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, morto no dia 15 deste mês, acusado de torturar presos durante o regime militar”, conforme notícia veiculada na mídia golpista.

Todavia, com as vacilações e esse recuo, as instituições golpistas podem sofrer uma paralisia momentânea, motivo pelo qual o movimento operário e popular deve aproveitar para contra-atacar.

Com bem observou recentemente um Editorial do Diário Causa Operária on line do PCO (6/11):

“Um dia após o PMDB ter divulgado seu manifesto, intitulado “Uma Ponte para o futuro”, a CUT, em artigo assinado por Vagner Freitas, tratou de atacar os pontos fundamentais do documento pemedebista. O presidente da Central chama o documento de retrocesso e afirma que os trabalhadores devem sair às ruas contra a política direitista proposta pelo PMDB.

Na prática, a reação da CUT é um passo no sentido de uma ruptura, com todas as limitações que se possa apontar, com a política de colaboração de classes do governo do PT. Essa política de conciliação, que é a base do governo do PT, se expressa de maneira mais acabada no terreno político-partidário na aliança com o PMDB.

O aprofundamento da crise no País leva necessariamente a um conflito cada vez maior entre as classes e frações de classes dentro da própria burguesia. O documento do PMDB, levantando um plano político conservador para o governo, inclusive considerando a questão do poder político após um possível golpe, revela que o acordo político dentro da burguesia é cada vez mais difícil.

Ao mesmo tempo em que setores da burguesia começam a se deslocar para uma posição contrária ao governo, setores ligados à classe operária também são obrigados a romperem o acordo que há muito tempo sustentava o regime político.

A reação da CUT contra o documento do PMDB representa essa ruptura – parcial ou não – de uma parte do PT, justamente a mais ligada aos trabalhadores, com essa política de colaboração.

(...)

A partir do momento em que essa relativa estabilidade se rompe, rompe-se inevitavelmente o acordo entre as classes que sustentava o regime.

Em última instância, a crise política está revelando que a política de colaboração não só é instável e passageira, como é impossível e ilusória. Parte do PT, mais especificamente a ala ligada à CUT, está chegando a essa importante conclusão política. É isso o que demonstra a crítica de Vagner Freitas ao manifesto do PMDB.

É mais um importante passo da maior central sindical da América Latina no sentido da luta contra a direita e a burguesia. Esse já não é o primeiro passo, o que significa que a experiência política está empurrando setores importantes para a esquerda. Sabemos que é necessário evoluir ainda mais, romper completamente com a política de capitulação e conciliação e mobilizar os trabalhadores nas fábricas e nas ruas contra o golpe e a direita. Como já dissemos em outras oportunidades, pode ser só mais um passo, mas é um passo de gigante.”

O Brasil é um país com dimensões continentais. A classe trabalhadora brasileira é de 92,5 milhões de pessoas, segundo dados de 2011 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A classe operária, neste ano, fez inúmeras greves, como as da Volkswagen, Mercedes-Benz, Ford, General Motors, Scania, no ABC paulista. Nessas greves, conseguiram evitar as dispensas em massa. As organizações operárias, apesar de suas direções burocráticas, pelegas e traidoras permanecem intactas. Daí o motivo também das vacilações e recuo dos golpistas. 

Além da CUT, os trabalhadores brasileiros têm a CTB, ligada ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), UGT, CGTB e Força Sindical, etc., englobando 5 milhões de trabalhadores, sendo que a CUT representa 40% e a Força Sindical 15% dos sindicalizados.

Assim, sem perder de vista a perspectiva estratégica da luta por um governo operário e camponês, neste momento de recuo da burguesia e do imperialismo golpistas, entendemos que ganhou relevo a palavra de ordem de Fora Cunha e contra o ajuste fiscal, para barrar a terceirização e as MPs 664 e 665 (que reduzem pensões, aposentadorias, e o seguro-desemprego, etc.), escala móvel de salários (reajuste automático de salários de acordo com a inflação); redução da jornada de trabalho, sem redução de salários;  fim das demissões, estabilidade no emprego; não aos cortes dos programas sociais, como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, PRÓ-UNE, PRONTATEC, FIES, etc., e fim do congelamento dos vencimentos dos funcionários públicos, e em defesa da Petrobrás.

Fora Cunha!

Abaixo o ajuste fiscal!

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