sábado, 2 de abril de 2016

Reação ao golpe contra Getúlio em 1954: as massas se lançaram à rua dispostas a lavar sangue com sangue

A Tendência Marxista-Leninista apresenta nesta oportunidade um trecho da obra “História Sincera da República, de 1930 a 1960” (esta obra foi escrita em 4 volumes, aproximadamente de 1968 e 1969),  da Editora Alfa-Omega, 4ª  Edição, São Paulo,  1976, de Leôncio Basbaum, médico e dirigente do Partido Comunista do Brasil, nascido em Recife a 6 de novembro de 1907 e falecido em São Paulo, em 1969, “logo após terminar a redação do seu livro de memórias.”,  sobre a reação das massas contra o golpe para derrubar o presidente Getúlio Vargas, 1954.

Leôncio militou por 40 anos, tendo rompido com a política de colaboração de classes do PCB e escrito várias obras, dentre elas, A Caminho da Revolução, (Pseudônimo: Augusto Machado), 1934, Editora Calvino, RJ; Caminhos Brasileiros para o Desenvolvimento, 1960, Editora Fulgor, SP;  e a autobiográfica Uma Vida em Seis Tempos  (memórias), 1ª Edição, 1976,  Editora Alfa-Omega, SP.

Este Estudo também é uma homenagem a Leôncio, que morreu em março de 1969, há 47 anos, cujas obras foram muito apreciadas pela juventude, sobretudo estudantes,  que saíram às ruas, em  1977, contra a ditadura militar.

As massas se lançaram à rua dispostas a lavar sangue com sangue

(...) Pela madrugada do dia seguinte, 24 de agosto, decide aceitar a fórmula do “licenciamento”. Retira-se para os seus aposentos particulares e, poucas horas depois, às 8 manhã, suicida-se com um tiro no peito.

O suicídio, mais do que a renúncia, abalou a nação, pelo seu dramatismo. E o que parecia ter sido simples golpe branco, que pouco impressionaria o povo, que já esperava a renúncia e se conformava com ela, transformou-se num crime cometido contra a nação e contra o povo. Este, revoltado, e já agora tomado de uma decisão, chegou a ameaçar de depredação o edifício do Ministério da Aeronáutica. Houve mesmo ataque a tropas. No Rio (era a capital federal na época – Nota de IR), comércio e fábricas fecharam as portas, jornais anti-getulistas foram depredados. As massas se lançaram à rua, desesperadas e indignadas, dispostas a lavar sangue com sangue. Alguns  dos principais instigadores da renúncia e do suicídio, entre os quais o jornalista Carlos Lacerda, acharam melhor desaparecer algum tempo para fugir à ira popular. O mesmo estava acontecendo em outras cidades, principalmente São Paulo e Porto Alegre.

As agitações mais se aguçavam quando no dia seguinte o povo tomou conhecimento da carta deixada pelo presidente suicida: uma carta impressionante pelas acusações diretas que fazia aos seus inimigos e às “forças ocultas do estrangeiro” que sobre ele não cansavam de pressionar.

E o que parecia ser uma vitória da UDN se transformara em derrota. A UDN subia ao poder, de cabeça baixa, de ombros curvados, ao peso de um cadáver.”  (pág. 209).

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